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Honre o passado, viva intensamente o presente e olhe para o futuro

Quando acolhemos amorosamente o passado, exatamente como foi, aceitamos e celebramos o presente e nos abrimos com alegria e confiança para o que está por vir. Olhar o passado com compaixão é aceitar que, por mais sombrio que ele tenha sido, ele foi a semente da flor de hoje.

Você consegue olhar para trás e se alegrar com as escolhas que fez ou, se pudesse voltar no tempo, seguiria um caminho diferente?



Quando acolhemos amorosamente o passado, exatamente como foi, aceitamos e celebramos o presente e nos abrimos com alegria e confiança para o que está por vir.

Assisti a um documentário sobre a vida de Marianne Faithfull, cantora e atriz britânica. Entrevistas, imagens de shows e fotos, revelando que os anos passaram, deixando para trás o corpo de modelo, a rebeldia, a irreverência e o “jeito vagabundo de ser”, como diz um de seus famosos refrões (Vagabond Ways, 1999).

As entrevistas pareciam, inicialmente, motivá-la a revisitar o baú e reviver o passado, mas, repentinamente, o entusiasmo deu lugar ao mal-estar e o que ficou nítido diante das câmeras foi um passado pesado demais para o presente.


Olhar o passado “sedutor e glamouroso” a desestabiliza. Ela se diz cansada da entrevista, pede uma pausa, irritada porque a câmera não é desligada e quando retoma a entrevista, afirma: “Eu escolhi viver”, referindo-se à decisão de abandonar as drogas e o grupo de amigos da época.

A frase é como um grito: Estou viva, eu me recuperei, sobrevivi, olhe para mim e para o que sou hoje. Eu não sou a mais a Marianne de antigamente. Você consegue me ver ou teremos que ressuscitar todos os meus fantasmas?

Por mais que o passado seja pesado e, de certa forma, insuportável, uma luz se acende quando ela repete, insistentemente: “Eu escolhi viver”. Ela ganha força e se ancora, e o presente parece, finalmente, ter mais força que o passado.

O que passou, passou, mas não dá para apagar, nem da nossa história e nem da memória dos outros. Paga-se, então, o preço com o imenso desconforto de tocar naquilo que não se muda, mas que não se repetiria.


A vergonha, de certa forma, é a manifestação humilde da certeza interior de que, com a consciência de hoje, as escolhas seriam outras. E isso não quer dizer que o passado foi um erro, e sim o caminho para uma nova consciência.

Olhar o passado com compaixão é aceitar que, por mais sombrio que ele tenha sido, ele foi a semente da flor de hoje.

A vida é um constante fluir e, com o passar do tempo, quanto mais conscientes nos tornamos, mais florido deixamos o passado recente e mais distante fica aquele passado temido.

Quanto mais a árvore cresce em direção às estrelas, mais longe está da semente que um dia abriu e se uniu à Terra, e ainda assim estará para todo o sempre ligada a ela, que deu início a tudo, através das raízes, nutrindo-se da escuridão subterrânea e ganhando o céu.

Reverenciar o passado é honrar que sem ele não teríamos chegado onde chegamos e que graças a ele somos o que somos.

Sem vergonha e sem dor: somos passado, presente e futuro. Somos a manifestação atemporal de puro amor, em evolução.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: krivinis / 123RF Imagens

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