Implacável lampejo do existir

Somos chamas, faíscas de vida, poeira de estrelas…



Centelhas de luz dispersas na imensidão Universo…

E toda vez que uma fagulha se apaga, o convite a refletir a respeito de nossa existência vem de imediato, imponente, requerendo respostas, exigindo mudanças.

Um rapaz sonhador, que teve sua vida interrompida, aos 29 anos pela fatalidade de um acidente. Véspera de Natal, tantos momentos e vitórias a celebrar, mas o mostro que paira sobre as movimentadas rodovias o ataca implacavelmente. Imprudência? Desatenção? Má sorte? Não sabemos. Creio que saber o real motivo da tragédia não irá agregar mais conforto aos corações das pessoas que o amavam.


Apenas mais uma história, entre milhares de vidas que são ceifadas todos os dias pelos mais diversos fatores: violência, enfermidades, fome, descaso, acidentes das mais variadas espécies, suicídios, entre tantas outras causas que interrompem sonhos e marcam dolorosamente a história dos que partem e dos que aqui permanecem.

Ao receber a triste notícia da morte desse menino/homem que fez parte de minha história, mesmo que por um breve período, senti o impacto aflitivo e ao mesmo tempo esplêndido das lembranças dos poucos momentos que pude desfrutar de sua companhia doce, engraçada e sempre instrutiva. Fui envolta por uma onda de padecimento e revolta. Tenho a total convicção de que se ao menos ele imaginasse que sua vida seria tão sucinta, teria realizado infinitamente mais do que sonhou e compartilhava alegremente comigo em nossos curtos momentos ociosos, onde a conversa e o riso leve fluíam.

Imagino ele arrancando com satisfação a gravata que tanto o incomodava e saindo de pés descalços buscando recarregar suas energias, sempre em déficit, devido ao peso de suas obrigações que incluíam cumprimento de metas e exigências impostas por um mercado profissional totalmente capitalista. Lucro! Lucro! Lucro! E as frases imperativas que rondavam suas noites de sono mal dormidas: -Venda! Cumpra a meta! Seja competente! Muitos querem o lugar que você ocupa! Sua carreira depende disso! Vá e faça acontecer! Agora! Pra ontem!


Lembro do sonho que ele alimentava de ter seu próprio escritório de advocacia, trabalhar para sobreviver e livrar-se do angustiante ciclo de competitividade que visa apenas valores monetários e destaque social. Seu desejo era trabalhar em seu negócio, se casar e ter a tão almejada família e qualidade de vida, que buscou incansavelmente em seus 29 anos de existência.

Já imaginou como seria se soubéssemos o momento de nossa partida? Será que não nos desapegaríamos da busca incessante em TER: mais dinheiro, mais sucesso profissional, mais reconhecimento, mais destaque, mais status? Quem sabe iniciaríamos uma corrida pelo bem viver, faríamos uma pausa na incessante busca pelo triunfo material para apenas sentir os pés no chão, na terra, conectados com a Mãe Natureza, um banho de chuva, um café com aroma de amor na companhia de pessoas queridas, a brisa no rosto e a gratidão pelo milagre da vida.

Não sou contra a busca pela evolução material e profissional, isso é formidável, quando acompanhado paralelamente com o progresso de espírito, quando não se sobrepõe ao que realmente tem valor, ao nosso verdadeiro tesouro.

Recordo de um rapaz altamente competente em seu trabalho, que em um certo dia, em uma dessas temidas rasteiras que o destino passa em nós, foi demitido, como um objeto descartado, sem aviso, sem nenhum tipo de preparação. Líderes á frente de empresas cada vez menos humanos, cada vez mais ríspidos e egocêntricos. São espécies de robôs programados para não sentir, apenas agir, faturar, ganhar destaque, promoções. Lapidados pela globalização e o capitalismo, vivendo no modo automático.

Apartam suas mentes em suas próprias fronteiras e esquecem de conectá-la ao coração. Esse desencontro causa uma implacável insatisfação, cria um vazio do tamanho do Universo, e nada mais é suficiente para suprir essas ausências. Nem os bens adquiridos, o reconhecimento conquistado ou o império construído. Privam-se da dádiva da irmandade, do perdão, da solidariedade, e como tanques de guerra esmagam, sentimentos, sonhos, abrem feridas em corações, causam sequelas, algumas irreparáveis. Tudo em nome da brilhante carreira, do medo de alguém roubar-lhe o espaço conquistado com “sangue” derramado.

Seria possível levar consigo esse império ao suntuoso jazigo de mármore fino? Abraçar as conquistas materiais e ser sepultado no caixão majestoso de madeira maciça, com alças banhadas a ouro?

Meu amigo sabia que não era possível, mas o instinto gregário, aquele que leva pessoas a se juntarem, perdendo parcialmente suas características individuais, o fez postergar o mais importante de todos os projetos, aquele que jamais deve ser adiado: o júbilo dos nossos sonhos, a vida mergulhada no amor genuíno e o propósito de fazer o bem.

Existe um tesouro escondido no coração de cada pessoa. Reconheça-o.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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