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Insegurança pode ser falta de apoio emocional e levar à depressão

Muitas vezes, a incapacidade não tem a ver com falta de qualidades, mas com o vazio que a ausência de apoio nos causa.


Então todo esforço perde a graça, vira tortura. Perdemos a vontade de construir, recomeçar, porque é no outro que reconhecemos o valor daquilo que realizamos.

Não me refiro a aplausos ou vaidade, mas àquela felicidade genuína na alegria de um sorriso espontâneo ou no olhar marejado de orgulho. Um abraço apertado e sincero de parabéns nos traz a sensação de sermos valorosos para o mundo, dando-nos uma injeção de vontade de viver, fortalecendo nossa autoestima.

Por outro lado, não ter um verdadeiro apoio pode minar o desejo de fazer por si mesmo, mais do que isso, gera uma insegurança muito forte.

Quando as pessoas não valorizam devidamente os seus feitos, podem cair na cilada de acreditar que talvez eles não tenham importância e, consequentemente, perder a relevância como pessoa para si mesmas.


Assim, cada vez que estiverem próximas de vencer, acreditarão que não são dignas do bem que está por vir, que a felicidade não cabe em sua realidade, e acabarão por desistir dela devido à sensação de um melancólico impostor que almeja o que não lhe pertence, reservando, equivocadamente, a si mesmas o papel de fracassadas.

Mas, mesmo com essa falsa crença de que não somos merecedores do triunfo, guardamos uma louca vontade de conquistar. Apenas nos acomodamos com a sensação de insignificância a que a falta de apoio emocional pode nos remeter. E nossos sonhos passam a pertencer a outros mundos, como dos romances, das novelas, bem distantes da nossa fraca autoconfiança, o que pode nos estagnar numa profunda depressão.

Então, tudo se junta: a insegurança, a depressão e um desejo avassalador de superar e ser feliz. E, nessa confusão de sensações, cada vez que decidimos lutar por algo que tanto almejamos, um medo enorme toma conta do nosso solitário coração. Existem vezes em que até desistimos para evitar o pânico.


Imaginemo-nos em uma corda bamba. Com apoio emocional de quem nos estima, caminhamos como se ela estivesse a dez centímetros do chão, sem receio, com prazer no desafio e até certo divertimento. Agora, quando não temos suporte emocional nenhum e ainda estamos cercados por pessoas que desejam o nosso fracasso, caminhamos na corda bamba como se ela estivesse cruzando um precipício. Às vezes, nem entramos nela, apenas sentamos e choramos; se continuamos, seguimos com pavor e pessimismo, e isso fatalmente nos fará cair, confirmando o falso demérito que temos de nós mesmos simplesmente para não decepcionar quem não nos quer ver como vencedores.

O que precisamos entender é que o desvalor do outro para com os nossos feitos não altera a realidade das nossas qualidades.

Ele representa a inveja, a fraqueza e frustração dessas pessoas, porque só quem está de bem com a vida consegue se alegrar genuinamente com a conquista alheia.

Mudemos nossa crença sobre nós mesmos e aceitemos que não carecemos do aval de ninguém para ser incríveis, que nossos sonhos são a nossa realização e não a dos outros. Não sejamos tão bonzinhos e sigamos firmes na corda bamba da vida, sem olhar para baixo, porque não haverá como saber a que altura estamos.

E o que realmente importa é o fato de que somos capazes de atravessar, passar para o outro lado, onde está a nossa felicidade. Vamos vencer, sim, pois a força e a coragem sempre estarão dentro de nós, e isso é imutável, mesmo com torcida contrária. Só precisaremos fechar os olhos para ela e manter o equilíbrio, pé por pé, até nosso coração ficar em paz com tudo de maravilhoso que somos.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Person Leaning/Pexels.





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