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A inveja, o ciúme, o orgulho e a vaidade como caminho de volta ao coração…

“A única coisa de que precisamos é abandonar o hábito que temos de considerar real aquilo que é irreal. Todas as práticas religiosas destinam-se unicamente a ajudar-nos a conseguir isso. Quando deixamos de considerar real o que é irreal, então só a realidade fica e é o que nós seremos” RAMADA MAHARSI


Em um nível mais profundo, a fonte de nossa identidade está nas qualidades do coração. Quando ele se abre sabemos quem somos. Raramente ousamos estar inteiros no coração, pois isso é algo avassalador. De pequenos aprendemos que é perigoso se deixar guiar pelas emoções. Assim, troca-se a força dos sentimentos por todo tipo de reação.

Quando estamos no coração sentimos um quê, algo único e tão profundamente íntimo que, indiscutivelmente, trata-se de nós mesmos.

Descobre-se que o que somos nada tem a ver com o outro. Amor e valor assumem um significado divino que vai além da compreensão de ser amado por Deus, mas, de ser parte de Deus.

Entretanto, quando o coração se fecha a consciência do quinhão divino é perdida. Deixa-se de ser parte para ser “aparte”.


A perda da identidade significa a perda do amor e do valor próprio. É algo tão intolerável a ponto da personalidade criar uma identidade substituta com base em um senso de valor externo. O problema é que quanto mais parecemos com o outro mais nos afastamos de nós mesmos.

O abandono do amor e valor próprios é campo fértil para aflorar o orgulho, o ciúme, a inveja e a vaidade.

A mente é perfeita até na aparente imperfeição, pois, tais sentimentos também guardam a chave que abre a porta do coração.


Não é fácil acolher a própria sombra. Porém, na medida em que reconhecemos tais sentimentos e entendemos porque eles existem, nós resgatamos quem verdadeiramente somos.

Entenda melhor a inveja, o orgulho, a vaidade e o ciúme e a chave para trilhar o caminho de volta ao coração:

ORGULHO

O orgulho pode estar disfarçado das melhores intenções. A ajuda condicional é um exemplo.

Quem busca satisfazer necessidades e desejos alheios com intuito de se sentir amado, aprovado ou especial pode estar agindo com orgulho.

Ele se funda na baixa autoestima e se relaciona à crença de que “eu preciso fazer por merecer amor”. O padrão pode surgir na infância, de pais que só elogiam o filho quando ele faz o que é esperado.

Chave de liberação: Ajude alguém

Parece paradoxal, mas, o mesmo veneno que mata é o que cura. Pessoas orgulhosas têm dificuldade de ajudar quem está fora de seu círculo sócio-afetivo. Use a capacidade de perceber a necessidade ou desejo alheio para ajudar quem precisa independente de qualquer condição ou interesse. Que tal começar por um desconhecido? Verá como é bela e especial a recompensa de agir pelo bem maior.


VAIDADE

A vaidade é a necessidade de capturar a admiração dos outros. Tem pouco a ver com autoestima e muito a ver com imagem. O vaidoso precisa se sentir vencedor e, portanto, superior aos outros.

O sentimento está relacionado à crença “eu preciso dar certo”, cujo padrão vem da necessidade de destaque para receber a atenção dos pais. É comum que o vaidoso tenha um nível elevado de competitividade e pressão por resultados.

Chave de liberação: Toque a dor

O vaidoso “espelha” modelos de sucesso. Dada a grande capacidade de adaptação, ele facilmente adere à rotina, ambiente e grupo de pessoas. De tão fascinado pela imagem do sucesso (lembrando que o sucesso pode ter significados diferentes de pessoa a pessoa) o vaidoso repudia o “fracasso”. A chave para a liberação está na compreensão do que se rejeita. Quando alguém incomoda ou irrita, deve-se questionar o motivo. Toque a dor, acolha amorosamente, perdoe todas as pessoas envolvidas neste passado – inclusive você –  e libere. Lembre-se: a imagem que você projeta não é você.


INVEJA

A inveja não tem a ver com falta de sucesso, mas, sim, com a dificuldade de reconhecer as próprias qualidades e méritos. Sua origem está na crença de “não ser bom o suficiente”, o que pode ser gerada por um evento traumático (perda ou separação dos pais) ou hábitos de educação. Pais que comparam os filhos com outras crianças para estimular um melhor desempenho são um exemplo.

Na idade adulta, tais pessoas podem expressar a falta nesse jogo constante de comparação onde o outro sempre vence.

Chave para liberação: Seja grato

Enquanto o orgulho é uma relação “de cima para baixo” a inveja é uma relação “de baixo para cima”. Parte do prisma da falta, do vazio. O invejoso nunca se sente preenchido ou pleno. A felicidade é sempre vista como um pote de ouro no fim do arco-íris, distante e inacessível. Essa “hipermetropia emocional” faz com que o invejoso não dê valor às próprias qualidades e conquistas. Na medida em que ele exercita a gratidão e elimina o desejo de comparar o passado com o presente, o outro com ele, a inveja é liberada. Acredite: todos temos muitos motivos para agradecer! Agradeça por estar aqui. Ao corpo que sustenta a existência. Agradeça o alimento, o ar que respira. A divindade que habita o seu ser! Tudo isso é você! Honre-se!


CIÚMES

O ciúme está fundado na insegurança. Portanto, para compreendê-lo é preciso identificar a causa da insegurança.

A insegurança resulta do conjunto de crenças. Crianças que dividiram  tudo com os irmãos podem perder o referencial de território. Quando adultas, expressam a necessidade de controlar tudo o que diz respeito a sua vida, o que inclui o parceiro.

Pais superprotetores, hipervigilantes ou abusivos também podem abalar o referencial de território, dificultando que a criança perceba onde termina seu espaço, onde começa o do outro.

Chave de liberação: Criar espaço

A confiança é pressuposto básico de um relacionamento saudável. O ciumento transforma a relação num jogo de War porque não consegue confiar. Na medida em que compreende o relacionamento como unidade na qual nenhum dos parceiros precisa perder a individualidade, o ciumento abdica o padrão de insegurança para assumir uma postura de partilha. A melhor forma de estimular esta consciência é conceder a si mesmo e ao parceiro um espaço de “respiro” a fim de que cada um possa fazer as coisas que deseja sem interferência. Seja um curso, uma viagem ou uma tarde de descanso – criar espaço é a melhor forma de construir confiança em si e no outro.





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