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Inveja: o lado mau do desejo!

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Desejamos o que não temos, e é isso que nos impulsiona e faz com que batalhemos para construir um futuro mais brilhante e mais feliz, para sermos pessoas melhores e mais sábias.



Alimentamos desejos, e quando um se realiza substituímos imediatamente por outro. Faz parte da natureza humana essa capacidade contínua de gerar sonhos, desejos, de não deixar espaços vazios dentro de si. São os desejos que permitem projetar o futuro e seguir adiante.

Caçamos a felicidade como quem caça quimeras — como se a felicidade fosse um animal mitológico que não alcançaremos. E quando finalmente a encontramos, petrificamos com o medo de perdê-la — tratando-a como algo emprestado, que um ser invejoso há-de roubar-nos a qualquer instante.

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Desde a antiguidade que a inveja é essa sombra disforme que ameaça a felicidade.

Surge associada ao olhar e por isso persiste a crença no “mau olhado“, no “olho gordo“. Acredita-se que o “mau olhado” é provocado pela inveja — consciente ou inconsciente. E diz-se que essa inveja, que chega pelo olhar, tem uma força destruidora capaz de aniquilar a felicidade e o bem estar, capaz de causar dano à coisa ou à pessoa que é alvo do desejo frustrado. Atribuir a terceiros a causa da desgraça ou da infelicidade também é um comportamento antigo, embora seja um exagero. Porém, é certo que todos os sentimentos são energia, e o tipo de sentimento — se é positivo ou negativo — é que dá forma a essa energia. E a inveja é uma energia negativa que desencadeia reações igualmente negativas. Schadenfreude é um conceito alemão que defende que os invejosos sentem prazer na dor da pessoa que invejam.  E às vezes até provocam essa dor.

Não existe inveja boa. Inveja é o lado mau e inconfessável do desejo.

Inveja é o desejo intenso por algo que não se possui, não nos pertence, mas gostaríamos que fosse nosso. Inveja é uma palavra pesada, que remete para sentimentos feios e destrutivos. Nasce do desejo imoderado — a cobiça — por algo material ou não. Na sua origem, inveja significava ‘caminhar segundo o passo espiritual de outra pessoa’ — era caminhar com base nos esforços dos outros. Atualmente, a inveja é uma reminiscência desse conceito inicial.


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E qual a diferença entre desejo e inveja? Ambos parecem ter a mesma raiz, a mesma origem — nascer no mesmo lugar. O que torna o desejo aceitável e a inveja desprezível?

Desejo é a vontade de ter algo, mas com o seu próprio esforço, é olhar para o seu futuro e enchê-lo de coisas boas. Inveja é olhar para o lado, para os amigos, os vizinhos, os colegas, e querer ter as coisas ou as qualidades que eles possuem.

Desejo não provoca raiva, ira. Começa e termina em si mesmo: quando não se consegue o que se quer, isso não gera nenhum ressentimento, nenhum sofrimento. Não se pensa mais no assunto. Aquele momento encerra-se e não volta para nos assombrar.


Inveja é diferente: gera rancor quando não se consegue o que se quer. Cria um sentimento inexplicável e avassalador que provoca ódio pela pessoa invejada. Inveja está associada a uma raiva sem motivo: a raiva por alguém possuir algo que se quer muito, mas não é nosso, algo que não nos pertence.

Desejo é ansiar por um futuro maravilhoso, mas é também querer que os outros tenham sucesso, estejam bem, sejam felizes, tenham salários melhores, tenham uma vida fantástica. Inveja é sentir-se incomodado com o sucesso e o brilho dos outros, é desejar silenciosamente que eles se deem mal, ficar feliz com os problemas deles, não suportar que tenham uma vida melhor.

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Para os budistas a inveja surge da combinação de duas palavras: uma significa cobiça e outra significa ciúme. E trata-se de um sentimento que impede a evolução espiritual e bloqueia o caminho para a iluminação.


É preciso elevar-se, para superar a inveja e os sentimentos medonhos que ela suscita — ira,  rancor, vingança. A inveja é o caminho certo para um futuro de infelicidade.

É preciso coragem para saber parar e escolher que desejos alimentar, que futuros cultivar e planejar. É preciso tranquilidade para criar um silêncio — dentro de si — imune ao ruído constante de querer sempre mais. É preciso sabedoria para estar além da cobiça, da inveja, e trilhar os caminhos da iluminação.

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