Ir embora, por mais que me doa admitir, foi a melhor coisa que eu fiz para ela…



Ir embora, por mais que me doa admitir, foi a melhor coisa que eu fiz para ela…

Durante um ano fiz muita coisa ruim, não digo só para ela, a garota por quem me apaixonei, mas para mim também. Para as pessoas ao meu redor, para a minha vida, mas no final, de todas as coisas erradas que fiz as únicas das quais me arrependi eram as que faziam mal a ela.
Durante 21 anos vivi uma vida sem graça, parada e sem muitas histórias boas para serem contadas, e então a conheci, e as coisas mudaram. Comecei a ter histórias novas (ao lado de alguém que me fazia bem), um objetivo de vida maior e melhor do que antes.

Nunca havia me apaixonado antes, já havia, de alguma forma, me interessado por outras pessoas, ou ate pensei ter me apaixonado, mas era tudo ilusão de ótica, se é que pode ser chamado assim, já que todo e qualquer sentimento não pode ser visto a olho nu. Mas, me apaixonei por ela, e descobri que o amor é a única coisa que pode levar um ser humano ao caos total e ao mesmo tempo o fazer encontrar uma felicidade que está escondida de todos. Eu tive a felicidade que jamais imaginava um dia poder ter, me apaixonei por um olhar que só eu poderia reconhecer mesmo em uma foto sem alta resolução, tive recordações de um amor puro e sincero, e simplesmente, da noite para o dia, cai em um caos tão doloroso, que eu já não sabia mais diferenciar o real, do não real.

Cometi erros, vários erros, e então afundei, e afundei tanto que não poderia deixá-la se afundar junto comigo.

Por mais difícil que parecesse, meus erros foram perdoados, mas perdão nunca foi o suficiente para salvar algo que desde o início está propenso a desmoronar. É como a construção de uma casa, por mais bem engenhosa a planta, nunca se pode salva-la de um desmoronamento futuro, caso venha a acontecer, e bom, aconteceu.

Depois que cai no caos mais profundo, acho que por um tempo tentei não desistir de poder ver a luz novamente e continuei tentando voltar à felicidade, mas era impossível. O ser humano tem a liberdade de escolha entre a felicidade e o caos. Inconscientemente eu acabei ficando com o caos, até porque já não tinha mais volta para a felicidade.

A garota que eu amava ainda estava ali para mim, só que não era a mesma coisa. Algo havia mudado e eu sabia exatamente do que se tratava, e por mais que eu tentasse negar todos os dias, se tratava de mim: eu ainda a amava tanto, que não podia enxergar que ela já não sentia mais o mesmo.



Bom, é o que acontece quando construímos um castelo de cartas e, sem querer, tossimos sobre ele. Todas as cartas caem e tudo vai por água abaixo. Em um ano, construí ao lado dela promessas e sonhos, e dentro desse tempo quebrei as promessas e destruí os sonhos. Foi como um espirro que dava para segurar, mas não segurei. Acho que ela soube lidar com isso melhor do que eu, mas o problema é que ela ainda estava comigo, talvez por medo de me magoar, ou por não saber a forma de dizer: “Desculpe, eu não te amo mais.” E ela tinha todos os motivos para isso, para não me amar mais.

E, de certa forma, estávamos na mesma. Eu também precisava dizer algo, só não sabia se seria forte o suficiente para dizer.

Eu precisava dizer adeus, um adeus definitivo, e é tão difícil dizer adeus, quando não se quer ir embora, quando ainda se quer lutar, mesmo sabendo que partir seja necessário.

Acho que não existe dor maior do que essa, partir quando a maior vontade é ficar e tentar mudar tudo, mas, às vezes, as coisas não podem ser mudadas e quando se perde a opção de escolher a felicidade, temos que nos contentar com o caos, e bom, hoje eu percebo, me apaixonar por ela talvez tenha sido a segunda pior coisa que fiz na vida. A primeira foi ter ido embora da vida dela. Nós não estávamos mais felizes, e nem estaríamos um dia, mas pelo menos uma de nós duas merecia a chance de ser feliz, e eu dei a ela essa chance.

E como eu disse antes, de todas as piores coisas que fiz na vida, só me arrependo das que envolviam o mal que eu a causei, e ter ido embora, por mais que me doa admitir, foi a melhor coisa que eu fiz para ela.​






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