Comportamento

Japão, o país onde idosos preferem a rotina da prisão a ficar sozinhos em casa

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Conheça mais sobre os motivos que levam os idosos do país a trocar a sua liberdade pelas prisões.

Podemos dizer que muitas das normas de conduta que regem a nossa sociedade são criadas com base em um medo bastante comum: o de ir para a prisão.

Desde pequenos, somos instruídos a não agredir, praticar preconceito, furtar ou vitimar alguém não apenas porque essas atitudes são mal vistas pela sociedade, mas sim porque podem nos levar para atrás das grades, um lugar sempre abominado e visto como violento, sujo e infeliz.

Em uma rápida análise de muitas das prisões de nosso país, por exemplo, fica fácil entender por que as pessoas querem se manter o mais longe possível desses locais. Eles podem ser mesmo tudo aquilo que dizem e nos roubar preciosos anos de vida.

No entanto, para alguns idosos japoneses, o cárcere tem-se tornado cada vez mais uma opção para o restante de suas vidas, e por motivos que podem surpreender a todos. Uma matéria do Insider, com informações da rede de televisão por cabo Bloomberg, trouxe alguns dados alarmantes sobre a realidade dos idosos no País do Sol Nascente.

Conforme apurado pelos veículos de notícia, nos últimos anos, os idosos japoneses começaram a cometer crimes leves apenas para ir para a prisão e assim passar o restante de seus dias encarcerados.

Essa realidade é refletida no sistema carcerário do país. Em 2018, um em cada cinco presidiáios era idoso, e alguns dos crimes que mais os levavam para esses locais eram furtos em lojas.

Segundo explicado pelos portais de notícias, essa tendência inusitada e até triste é consequência da dificuldade que o Japão enfrenta de cuidar da população idosa, que foi considerada a maior do mundo, com mais de mais de um quarto de seus cidadãos com 65 anos ou mais, segundo estimativas de 2018.

A população de velhinhos que vivem sozinhos aumentou 600% entre 1985 e 2015, e metade dos que foram detidos por furto relataram morar sozinhos e não ter família ou pouco contato com ela. Por conta dessa realidade de solidão, vários desses anciãos se esforçam para ir para a prisão, sabendo que lá pelo menos não estarão sozinhos.

Segundo Yumi Muranaka, ex-diretora-chefe da prisão feminina de Iwakuni, na época da matéria do canal Bloomberg, os idosos podem até ter casas e famílias, mas isso não significa que tenham um local que considerem como um lar.

Com essa nova “demanda” de presos, além de os gastos das prisões serem maiores, os funcionários dos locais percebem que a sua função também está se transformando, e que cada vez mais passam a atuar como atendentes de casas de saúde.

Apesar de para a maioria das pessoas as prisões serem sinônimo de desespero, para muitos dos idosos que lá vivem, os locais proporcionam um senso de comunidade único, algo que nunca experimentaram em seus tempos de liberdade.

Uma das idosas presidiárias que foram ouvidas pelo canal revelou que aproveita mais a sua vida na prisão do que na sociedade, acrescentando que sempre há mais gente por perto e que não se sente só.

Essa tendência não acontece apenas no país asiático, em muitos outros lugares o cárcere também é uma opção para aqueles que precisam de cuidados de saúde e contra os vícios. No entanto, a longa escala do problema tem alarmado as autoridades, que buscam reverter a situação investindo em melhorias nos serviços sociais.

Apesar dos esforços, ao que tudo indica, pode ser que essa realidade demore um tempo para ser superada. “A vida lá dentro nunca é fácil”, disse o assistente social Takeshi Izumaru. “Mas para alguns, lá fora é pior.”

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