João amava teresa que amava raimundo que amava maria que amava joaquim que amava lili que não amava ninguém.

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QUADRILHA (ANÁLISE)



“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.” O que o autor, Carlos Drummond de Andrade, fez nessa quadrilha?

João amava Teresa e como não conseguiu ficar com ela, foi embora do país. Muitas pessoas vão embora a fim de “esquecer” o grande amor. Teresa, que não conseguiu conquistar o amor de Raimundo, entrou para um convento. Lá os riscos de vê-lo novamente eram menores. E ainda ela pode ter feito isso logo depois que soube que ele havia morrido.

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.


A única pessoa que ela estava disposta a amar era ele e como não pode tê-lo, encontrou a fuga para isso num convento. Então, Raimundo morreu de desastre… Que desastre foi esse?

Teria ele se afogado no álcool ou em outras drogas, por não ter conseguido conquistar o amor de Maria, e foi atropelado ao cambalear no meio de uma avenida?

Maria, ao saber que Joaquim suicidou-se e que Raimundo havia morrido de desastre, ou seja, ela ficou sem nenhuma outra perspectiva na vida, acabou se dedicando a cuidar apenas dos sobrinhos. Ou ela jurou amor eterno a Joaquim. Joaquim suicidou-se ao ver Lili casando-se com outra pessoa ou foi por ter sido rejeitado por ela?


Esta, por sua vez, casou-se com J. Pinto Fernandes, que apareceu depois. Se ela amou J. ou não, é um mistério. Pode ter sido um casamento de conveniência ou ela finalmente amou alguém. O que vejo aí são grandes desilusões amorosas, onde cada um buscou por uma fuga, fez o que achou melhor para amenizar seu sofrimento por não ter a pessoa amada. Poderia e teria sido muito mais interessante se a história terminasse de outra forma: Lili casou com J. Pinto Fernandes, ok.

Então Joaquim poderia ter casado com Maria e Raimundo com Teresa. Já João, após ter ido para os Estados Unidos, poderia ter se arranjado por lá ou o amor que ele pensava sentir por Teresa era só uma paixão que depois acabou. Ou ainda Teresa poderia manter um relacionamento extraconjugal com ele, vai saber. Mas não. O autor nos mostra que amor verdadeiro existe e uma vez que você ama verdadeiramente alguém e esse alguém não fica com você, você jura amor eterno e busca uma fuga qualquer…

De um convento a suicídio, não importa. Entretanto, todos eles poderiam ter tentado dar uma chance àqueles que os amavam. Poderiam ter encontrado alguma felicidade ao lado dessas pessoas.

O que é mais justo: jurar amor eterno a alguém e se abster de outros relacionamentos por isso buscando alternativas OU tentar com alguém, mesmo não amando, mas podendo viver uma boa relação, chegando até a amar a pessoa de alguma forma? Eu acho as duas formas de agir muito bonitas e poéticas, mas cada um tem suas razões para seguir por um ou outro caminho.

 

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