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Jogador brasileiro diz que precisou pagar para deixar a Ucrânia pela fronteira com a Romênia

Jogador brasileiro diz que precisou pagar para deixar a Ucrania pela fronteira com a Romenia

O jogador brasileiro Felipe Pires, atleta do Dnipro, da Ucrânia, disse que teve que pagar para deixar o país pela fronteira com a Romênia, porque o governo ucraniano não estava autorizando a saída de homens do país, independente da nacionalidade.

O atleta deixou a Ucrânia no sábado (26) e chegou ao Brasil na manhã deste domingo (27), através do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele afirmou que uma soldado ucraniana da fronteira pediu propina para autorizar a viagem para o país vizinho.

“Nunca vi isso. As pessoas passando por uma situação dessas, uma guerra, pessoas morrendo, e os ucranianos pensando em dinheiro. Tive que pagar para passar depois que a gente entrou na salinha lá”, contou ele.

“Chegou uma mulher com o uniforme da Ucrânia e disse ‘vocês vão passar e não vão pagar?’. Isso me deixou muito abalado. Como assim, meu? O que que é isso? Que coração é esse? Pensando em dinheiro numa hora dessas? Foi um choque pra mim ver isso, sabe?!”, completou.

Ex-atleta do Fortaleza e do Palmeiras, Felipe Pires deixou a Ucrânia com um grupo de outros dois jogadores brasileiros que jogavam na mesma equipe do Dnipro. Para chegar até a Romênia, o grupo precisou viajar mais de um dia inteiro de carro e ainda percorreram cerca de 20 quilômetros a pé.

Ao cruzarem a fronteira, eles compartilharam uma foto nas redes sociais mostrando ao lado de outros atletas estrangeiros que também conseguiram deixar o país em conflito.

“Foram mais de 28 horas dentro de um carro. Depois, fiquei quase 4 horas na fronteira. Cheguei umas 5h da manhã e fui atravessar umas 9h da manhã. E eu só consegui atravessar porque Deus tocou o coração de um soldado ucraniano, porque não ia passar. Eles deixaram bem claro que só passava mulheres e crianças. Não passava homem, independente da cidadania. Foi o segurança que nos passou”, declarou.

“Falam do nosso país [Brasil], que nosso país é corrupto, que tem que pagar para ter privilégio. Lá não é diferente. Nunca vi isso. As pessoas passando por uma guerra, morrendo, e os ucranianos pensando em dinheiro”, completou.

Sem apoio do governo brasileiro

O atleta do Dnipro também reclamou da falta de apoio da Embaixada Brasileira na Romênia. Ao contrário do anunciado pelo governo federal, Pires afirmou que não teve nenhum apoio do Brasil ao finalmente cruzar a fronteira e deixar a Ucrânia.

“A minha esposa falou com a Embaixada [na Romênia] e a mulher que atendeu foi super grossa com a minha esposa. Disse que não tinha como fazer nada e mandou achar um lugar seguro para ficar, desligando o telefone na cara da minha esposa”, contou.

“Nós vimos muitas coisas tristes. Caças passando por cima da gente, tanques, russos e ucranianos com armas, comboios de tanques passando. Triste ver pessoas correndo, supermercados lotados, postos de gasolina com filas imensas, pessoas correndo com crianças no meio da rua. Coisas muito, muito tristes”, disse o jogador.

Em nota, o Itamaraty afirmou que “a Embaixada do Brasil em Kiev está prestando assistência consular a todos os nacionais brasileiros que ainda estejam no país”.

“Até o momento, cerca de 80 brasileiros lograram sair da Ucrânia e ir para países fronteiriços, sobretudo Polônia e Romênia, com o apoio da embaixada brasileira. O citado Plano prevê a possibilidade de resgate quando as condições permitirem. Nos primeiros dias, ante a falta de condições de segurança, estamos implementando a evacuação segura e ordenada”, disse.

Segundo Itamaraty, ainda constam cerca de 100 brasileiros, registrados na lista da embaixada brasileira em Kiev, que permanecem em solo ucraniano. A comunidade brasileira na Ucrânia, antes do conflito, era estimada em aproximadamente 500 pessoas.

O Grupo de Trabalho Brasileiros na Ucrânia e a Embaixada em Kiev seguem buscando localizar e contatar brasileiros ainda na Ucrânia, com o apoio da Embaixada em Varsóvia, com vistas a verificar a situação pessoal de todos, condições de segurança nos locais onde estão abrigados e possibilidade de eventual evacuação, disse o órgão.

“Há funcionários da embaixada brasileira em Chernivtsi, perto da fronteira ucraniana com a Romênia. Diplomata da embaixada do Brasil na Romênia também se deslocou para a fronteira para auxiliar o traslado, em ônibus providenciado pela Embaixada, de brasileiros para a capital Bucareste”, afirmou.

Na quinta (24), Pires e os jogadores Gabriel Busanello e Fabricio Rodrigues, o “Bill”, haviam postado nas redes sociais um vídeo nas redes sociais pedindo ajuda ao governo brasileiro para deixarem a Ucrânia. Eles estavam presos em um hotel e queriam deixar o país após o início dos conflitos.

Conflito

A Rússia iniciou uma operação de invasão da Ucrânia na madrugada de quinta-feira (24). Desde então, os jogadores passaram dias de angústia até conseguirem deixar o país.

Busanello atuava como lateral-esquerdo em um time ucraniano. Ele e outros dois jogadores do clube estavam na cidade de Dnipro, a quarta maior da Ucrânia.

Para chegar a Romênia, o grupo precisou viajar quase um dia inteiro de carro e ainda percorreram cerca de 4 quilômetros a pé. Ao cruzar a fronteira, Busanello compartilhou uma foto em uma rede social mostrando o jogador ao lado de atletas estrangeiros.

A Rússia exige que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) interrompa sua expansão em direção ao leste. O presidente Vladimir Putin disse considerar inaceitável a filiação da Ucrânia à aliança militar comandada pelos Estados Unidos.

Segundo Putin, a Rússia se viu sem escolhas a não ser se defender contra o que ele classificou como ameaças da Ucrânia – um estado democrático com uma população de 44 milhões de pessoas.

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