Família

Jovem de 18 anos, que nunca soube o que era ter família, é adotado por casal: “Esperei minha vida inteira”

Randall teve de esperar a maioridade para conseguir, finalmente, conhecer o amor de uma família e o conforto de ter um lar.



A adoção tardia é o nome do processo em que famílias escolhem crianças maiores de três anos, até 17, como seus filhos. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2015 a 2020, mais de 10 mil crianças e adolescentes foram adotados no Brasil.

Os dados mostram que, à medida que a idade aumenta, o número de adoções é menor. Isso significa que os adolescentes são os que menos conseguem uma família. Em números, do total de adoções no país, nos últimos cinco anos, 51% foram de crianças de até 3 anos; 27% foram de crianças de 4 a 7 anos; 15%, de 8 a 11 anos; apenas 6% foram de adolescentes com 12 anos ou mais.

Quando Tara Smith e Casey Douglas se casaram, eles já sabiam que o matrimônio seria uma experiência diferente do que costumeiramente conhecemos.


Como Tara era filha de um pastor e tinha formação cristã, os recém-casados logo começaram a ser voluntários na igreja que frequentavam, e logo os cultos de domingo passaram a receber mais crianças do que nunca.

Quando Tara tinha 24 anos e Casey, 26, eles começaram a amadurecer a ideia de adotar e promover essa ideia a outros pais. No início, não correu bem, a maioria das pessoas com quem conversavam achavam intrigante a ideia de um casal tão jovem querer adotar, já que não tinham nenhum problema de fertilidade.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Casey Douglas.


Foi quando decidiram acabar com a própria fertilidade, para que não restassem mais dúvidas a respeito da legitimidade da vontade de adotar. Casey passou por uma vasectomia e logo depois anunciaram que só adotariam crianças com mais de 13 anos.

As opiniões de terceiros sobre fertilidade logo se transformaram em pitacos a respeito da idade dos filhos que queriam, dando a entender que os adolescentes são mais difíceis que as crianças.

Foram nove meses para concluir o processo de licenciamento e, de acordo com o relato de Tara para o site Love What Matters, todas as noites ela chorava e rezava pelas vidas preciosas de seus futuros filhos.


Quando, finalmente, a licença do casal ficou pronta, a nova assistente social apareceu perguntando se o casal estava louco por querer apenas adolescentes. Depois de muito conversarem, a assistente logo perguntou se eles estavam também dispostos a atuar como família temporária. Tara expressou que a vontade que tinham era de ser uma família “para sempre”, mas que estavam abertos a essa possibilidade, caso houvesse uma emergência.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Casey Douglas.

A assistente então falou de um rapaz de 16 anos que precisava de uma casa para dormir naquela noite. Tara aceitou prontamente, mesmo que seu marido achasse uma loucura. Ele disse que faria uma oração primeiro, para saber se aquilo era correto mesmo, mas antes mesmo de começar, ergueu os olhos e concordou com a esposa.


Três horas depois, um rapaz, pequeno demais para ter quase 17 anos, entrou pela porta da frente, com uma vara de pescar, duas sacolas de roupas rasgadas, um sorriso suave e um aperto de mão. Tara chorou muito quando começou a desfazer as “malas” de Randall, com roupas pequenas demais, manchadas demais ou velhas demais.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Casey Douglas.

Ele havia sido abandonado pela mãe biológica no hospital, não tinha nome, altura, peso ou certidão de nascimento. Randall ficou no hospital por uma semana, até que a família o encontrou e a avó passou a criá-lo. Mas, quando ele completou 11 anos, ela adoeceu. Nos cinco anos seguintes, o jovem foi repudiado e ficou sujeito aos mais variados abusos, até não ter mais nenhum familiar que se interessasse por ele.


Sem nenhuma referência, Randall tinha o plano de se emancipar, trabalhar em um supermercado e ganhar dinheiro suficiente para fumar erva e comer macarrão instantâneo. O garoto havia sido rejeitado por todos os adultos que passaram por sua vida, por isso acreditava que com Tara e Casey não seria diferente.

Com o passar dos dias, Tara percebeu uma mudança no menino, e percebeu que ele estava em lágrimas. Ela se sentou ao lado dele e ouviu-o dizer que tinha esperado a vida toda para ser tratado da maneira como os dois o tratavam, e que nunca havia experimentado o que é ter pais de verdade.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Casey Douglas.


O casal passou a lutar para adotá-lo de verdade, e depois de três meses o órgão responsável por Randall entrou em contato, propondo-lhes a custódia do menino e oferecendo mais estabilidade, mas isso significava que eles não poderiam adotá-lo. O jovem implorou inúmeras vezes para ficar com o casal e também tentou se afastar em outros momentos, para proteger seu coração.

Foi quando o menino pediu que Tara fizesse uma promessa: que o adotassem quando completasse 18 anos, e continuassem colocando-o na cama para dormir, mesmo que isso soasse estranho.

A mãe relata que aquela foi a promessa mais fácil que poderia fazer ao seu filho.


Em 2019, quando Randall completou 18 anos, ele pôde, finalmente, ser adotado. Pela primeira vez, ele tinha um pai e uma mãe, e passou a usar o sobrenome dos dois. A paternidade e a maternidade chegaram para Casey e Tara de forma não convencional, mas demonstraram ser muito mais do que eles esperavam.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Casey Douglas.

O jovem que tinha pequenas perspectivas, hoje é uma nova pessoa. Se nunca sonhou em entrar na universidade ou ter uma família, é porque nunca teve apoio. O casal continua promovendo e adotando adolescentes, e já finalizou outras duas adoções. E Tara adverte que não se trata de a família “precisar” de mais filhos, mas de mais jovens precisarem de família.


Que linda história!

Comente abaixo e compartilhe-a nas suas redes sociais!

Para punir filha, que se recusou a arrumar o quarto, mãe o transformou em uma “minicadeia”

Artigo Anterior

Mulher dirige todas as madrugadas até um “depósito” para resgatar cães abandonados. Luta pelos animais!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.