Comportamento

Junto há 48 anos, casal morre vítima da covid-19 no intervalo de 24h no AC: ‘Um não viveria sem o outro’, diz filha

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Morcina Maria Barroso morreu na tarde de segunda (25) e José Barbosa da Costa morreu na noite de terça (26) no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre.



Casal celebrou 48 anos de casamento em dezembro de 2020, teve três filhos, oito netos e uma bisneta.

Um exemplo de respeito, amor, companheirismo, cuidado e união. O casal de aposentados Morcina Maria Barroso da Costa, de 68 anos, e José Barbosa da Costa, de 71, não se desgrudava em nenhum momento ao longo dos 48 anos de casamento.

No último dia 15, os dois foram diagnosticados com Covid-19 e internados dias depois no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre.


No início da tarde de segunda-feira (25), Morcina não resistiu e morreu vítima da doença. Mais de 24 horas depois, na noite de terça (26), José Barbosa também faleceu em decorrência da Covid-19.

Os dois eram pais de três filhos, tinham oito netos e uma bisneta, que não chegaram a conhecer porque ela nasceu quando eles já estavam internados. Em dezembro de 2020, o casal celebrou 48 anos de casamento.

Para a ex-secretária de Saúde de Cruzeiro do Sul e filha do casal, Janaína Negreiros, os pais não conseguiriam viver longe um do outro. Muito abalada, a enfermeira falou ao G1 que os pais eram exemplo de união na comunidade católica e entre os filhos.

“Era uma coisa sobrenatural o amor, a união e fé deles. Perante todo mundo, inclusive os filhos, eram exemplo de um casal que vivia bem, que se amava, falava da fé e um sempre cuidando do outro.


O tempo todo um era preocupado com o outro, estiveram juntos em todos os momentos, na doença, na dor, na alegria e saúde. Você não encontrava um sozinho, estavam o tempo todo juntos. Acho que isso fez com que eles não ficassem na terra separados”, relembrou.

Acometidos pela covid

Morcina e o marido foram diagnosticados com a doença no dia15 de janeiro. O casal morava com um dos filhos, a nora e uma neta. Dois dias após o diagnóstico, dia 17, a aposentada foi internada no Hospital do Juruá e no dia 20 deu entrada na UTI, mesmo dia em que o marido foi internado.

A aposentada tinha hepatite B e Delta, era ex-fumante, obesa e hipertensa. Já o marido dela, também era hipertenso e obeso.


“Ela não foi entubada, estava consciente, mas estava com problemas respiratórios. Meu pai foi para a UTI também, logo depois de se internar, evoluiu para ser entubado primeiro que ela, teve falência renal e foi para a UTI por essa questão”, lamentou a filha.

Janaína disse que o irmão que morava com os pais testou positivo para a Covid-19 na terça (26), dia em que o pai morreu.

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Direitos autorais: arquivo da família.

Despedida


A filha relatou que Morcina foi avisada por telefone quando o marido foi internado, mas os filhos não contaram para o pai quando a mãe deu entrada na UTI para não deixá-lo abalado. Por ser da área da saúde, Janaína conseguiu visitar os pais na UTI e relembrou emocionada os últimos momentos.

“A médica permitiu que eu visitasse eles um pouco antes da morte da minha mãe. Tive a oportunidade de ir no leito dela e dele e falar o quanto nós amávamos eles, o quanto ainda íamos amar independente de qualquer coisa. Pude ter esse momento de passar a mão no cabelo dela, de falar mesmo ela estando entubado. Foi um momento de despedida meu e dela. A médica já tinha me dito que, provavelmente, ela não resistiria”, lamentou.

Pouco mais de uma hora que tinha chegado em casa, Janaína foi avisada da morte da mãe. Após a notícia, a enfermeira disse que os irmãos oraram já sabendo que o pai não conseguiria viver sem a esposa.

“Oramos falando que se ele quisesse ficar com ela, nós entenderíamos. Um não viveria sem o outro. Era o dia todo juntos. Eles se conheceram e três dias depois já estavam casados. Minha mãe passou muito tempo tentando engravidar e não conseguia. Sou a filha mais velha e costumo dizer que fui uma filha muito amada, desejada e esperada. Tiveram mais dois meninos”, acrescentou.


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Direitos autorais: arquivo da família.

Legado

Ainda segundo a filha, os pais não deixaram apenas heranças materiais, mas um legado e exemplo de amor verdadeiro entre duas pessoas. Os dois foram enterrados um ao lado do outro.

“O que deixaram para nós, três cidadãos de bem, três famílias bem estruturadas, construíram um patrimônio também. Tudo isso é o que vai ficar. O exemplo de matrimônio tive dentro da minha casa com meus pais. Deixaram só boas lembranças, mas sabemos que estão juntos, enterramos um ao lado do outro”, concluiu.


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