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Juventude equivocada

Há pouco mais de um ano me tornei colunista também de alguns blogs e revistas da internet. Os artigos são quase sempre compartilhados no Facebook e foi então que eu conheci um mundo do qual estive distante por algum tempo: o da juventude nascida nos anos noventa.



Lembro-me de um artigo meu chamado SEM PLANOS DE SOLIDÃO, no qual eu falava sobre a necessidade da espécie humana de viver em bando e sobre a sociedade atual na qual tem se visto o preocupante e crescente individualismo. Eis que uma garota de pouco mais de vinte anos decide me fazer críticas agressivas e me questionar sobre qual seria o problema em escolher viver sozinha. Minha vontade era de responder a ela em apenas uma palavra: Todos! Decidi responder com mais cautela e trazendo-a para perto e foi então que eu vi que era somente uma menininha de idade cronológica adulta cuja idade mental ainda era de adolescente. Ela, que pregava os “benefícios” da solidão embasando-se em Bukowski perdeu um tempo enorme me enfrentando. Bom, para quem queria viver sozinha ela estava dando atenção demais a uma desconhecida via internet. Conclusão, não passava de uma criança pedindo socorro e que deveria ter lido no máximo três ou quatro frases do amigo Charles.

JUVENTUDE EQUIVOVADA - FOTO DE CAPA E FOTO 01

Não raras foram as vezes nas quais conversei com jovens no intuito de entender seus devaneios, seus questionamentos, suas certezas e convicções. Também já fui jovem, me achava coberta de razões e hoje, quando os vejo repetir os mesmos padrões comportamentais fico a observar e a desejar que a vida seja tão branda com eles como foi comigo porque as certezas não existem.


Há meses vi de perto estudantes nas ruas em atos violentos a invadires uma escola. Reivindicavam melhorias, falavam palavras de ordem e agiam como bandidos diante do patrimônio público e dos policiais que por sua vez continham-nos com escudos. A cena me deu medo e então eu queria questionar sobre o que exatamente eles queriam e sobre como se comportavam na escola, queria ler seus boletins escolares, queria saber o que almejavam da vida, se já estavam ou não trabalhando e porque havia tanto ódio dentro deles que deveriam estar namorando, ouvindo música e almejando a universidade.

Quando somos jovens é natural que tenhamos impulsos transgressores que podem se manifestar em ações públicas ou mesmo dentro de casa. Os jovens são cheios de certezas, de energia e buscam incessantemente uma ideologia. Muitos se engajam em militâncias e passam a fazer disso as suas respectivas vidas e aí entra um grande vilão: o fanatismo. Já vi jovens fanáticos por bandas de rock, por jogos estilo RPG, por esportes, por igrejas e infelizmente por partidos políticos. Eu estava nos primeiros anos da graduação quando vi em uma reportagem no jornal uma mulher de vinte e um anos que havia exibido os seios e mergulhado em um pequeno lago em uma manifestação estudantil em Brasília. Aqueles tempos eram do plano real e do presidente Itamar. Não me recordo qual era a razão daquela manifestação, o que me chocou naquela foto era a idade dela que ali estava porque aos vinte e um anos eu já estava me formando na faculdade de Psicologia. Não acredito que ela tenha conseguido nada agindo daquela forma, não mesmo, tal qual não acredito que a professora que defecou na foto de um deputado mereça crédito ou respeito. Nem se a foto fosse de Adolf Hitler eu a aplaudiria.

Cada dia que passa me preocupa mais ver uma parcela da sociedade ainda tão jovem e tão imatura defendendo com unhas, dentes, seios e sangue algo que mal conhece em um país como o nosso cuja história tem pouco mais de quinhentos anos e que atualmente tenta sair de quase quinze anos de um governo comandado por um único partido. Preocupa-me ver jovens vestindo camisetas de Che Guevara sendo que mal sabem o que ele fez em sua trajetória.


Vejo jovens dizendo que são da esquerda sem nem conseguir dizer que esquerda é essa. Carregam bandeiras nas quais se vê escrito SOCIALISMO E LIBERDADE, quando parecem desconhecer que na história da humanidade o socialismo só se implantou sem ela. Confundem a ditadura com a polícia militar e saem por aí desacatando policiais, bombeiros e toda e qualquer pessoa que não seja igual a eles, ilustrando bem a necessidade imatura de adolescentes que precisam ser aceitos em grupos e que só toleram os iguais.

Talvez antes de fazer certas escolhas todos nós tenhamos que passar pelo doloroso, porém libertador processo da psicoterapia para que não projetemos nossas dores, nossos traumas e nossos impulsos em convicções partidárias. Talvez seja o momento de pararmos de permitir que nossa juventude e que as minorias sejam massa de manobra de facções criminosas que comandam partidos políticos e muito mais.

A quem – assim como eu – deseja uma vida melhor, mais justa e menos desigual para todos eu compartilho que foram exatamente em países nos quais nunca houve governo populista onde vi mais respeito à diversidade de gênero, onde vi menos racismo e onde vi menor diferença social e onde vi mais gente vivendo com dignidade. Não acredito no socialismo e foi exatamente no país mais capitalista do mundo onde vi o que todos gostaríamos para nossa espécie.

A militância existe e sempre existirá, faz parte das pessoas cujas almas não têm paz ou que só na luta a encontram, porém, eu temo pela nossa juventude que se preocupa mais em transgredir do que em decidir “no que vai ser quando crescer”.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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