Mensagem de ReflexãoReflexão

Limites e potencialidades

Mudanças requerem um tempo de adaptação em que há um aprendizado gradual. Só então elas podem ser incorporadas em um todo conhecido e dominado. Todavia, durante o processo há momentos de angústia, raiva, medo, descrédito, dúvida, confusão e desânimo.



Ao longo de uma vida, modificações corporais como crescimento, envelhecimento, gravidez e mesmo ganhos e perdas de peso costumam ser graduais. Com isso, temos tempo de nos adaptar a elas; ao contrário do que ocorre quando elas são muito rápidas.

Portanto, se as transformações de pessoas em outros seres acontecessem na realidade, não seria possível ao ser humano amoldar-se de imediato ao novo corpo e sair atirando carros como se fossem de brinquedo. Uma prova disso é que os bebês elefantes demoram anos pra conseguir controlar os músculos da tromba para exercerem leveza ou força. Da mesma forma, um passarinho precisa aprender a voar e um filhote de orca, a caçar. Em suma, um corpo representa limites, bem como uma forma e suas potencialidades. Ou seja, o comando de um novo corpo requer amplo aprendizado.

Voltando ao elefante, ao pássaro e à orca, não dá para afirmar que um é menor, mais frágil ou menos perfeito que o outro, embora apenas um voe; dois não tenham trombas ágeis e fortes, e cada um se locomova de modo diverso.


Segundo Fayga Ostrower, a verdadeira liberdade está em explorar a forma produzida por essas delimitações e não em rejeitá-las ou ignorá-las. Tomando o exemplo do elefantezinho, ele só pode ser completamente livre ao exercer suas potencialidades em plenitude.

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Nem mesmo a história de Dumbo, o elefantinho da ficção, contradiz o enunciado acima, pois nela ele só adquiriu sua estatura integral ao entrar em bons termos com aquilo que o fazia ser motivo de riso entre seus iguais: o tamanho descomunal das orelhas. Apenas ao assumir essa materialidade, fragilidade ou diferença, enfim, sua forma, ele encontrou força e admiração, pois se descobriu um elefante que podia voar!

Tudo isso confirma o que diz Ostrower,


“Em cada manifestação vêm a se ampliar os confins. Acrescentam-se novos horizontes ao possível. As próprias materialidades se ampliam […] Todavia, os confins não se eliminam nunca. São eles que conferem a noção exata de liberdade, ou melhor, a noção de um processo de libertação”.

E assim, limites, formas e potencialidades são quase sinônimos.

Entendendo nosso vulcão interno: as emoções!

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