ColunistasCrônicas

Lua, lua… Eu sou mesmo uma mulher lunar…

Eu sou mesmo uma mulher lunar. É impressionante, mas desde pequena tenho a sensação de que todos os chatos vão dormir cedo. Assim como os escoteiros, não fumantes, crentes, adeptos da vida saudável e todos os seres aborrecidos da mesma linhagem.



Outro dia estava assistindo um filme que adoro chamado “Todas as Mulheres do Mundo”, e de repente me dei conta do teor de um diálogo do personagem do ator Paulo José, comentando com o amigo que a mulher dele estava deprimida, que há dias não saía do quarto e como ele dizia, havia dois tipos de mulher: as solares e as lunares; ele temia que sua mulher fosse uma mulher lunar…

Mas eis que de repente ela (Leila Diniz) aparece magnífica e cheia de vida na praia bem ao alcance da vista do marido, que aliviado, desabafa ao amigo: “ela é uma mulher solar!” Puxa vida…. Aquilo me bateu quase como uma crítica, um desprezo a minha pessoa!

Contudo, a noite é minha amiga fiel. Traz-me aconchego, paz e vontade de fazer as coisas. Este é o problema. Pouco do que quero e tenho ânimo, posso fazer à noite. Mudaria o mundo as três da madrugada!  Mas aí chega o dia, que implacavelmente apaga, como o sol a um letreiro de neon, as minhas vontades.


Porém, não reclamo: faço o que posso e gosto ao longo das madrugadas. Ouço minhas músicas, leio jornais, escrevo muito, mando e-mails atrevidos para lugares impensáveis. Fico meio pirada depois das três horas da madrugada!

Alguns dirão: “coitada, é solidão.” Pois eu lhes asseguro: é paixão! Paixão pelo desconhecido, por uma sensação de algo suspenso no ar, pela quietude das coisas, das árvores, das ruas e de tudo em volta. É nesta hora que a minha percepção torna-se mais aguçada e as novas ideias fluem com mais facilidade.

O tempo e a partícula de higgs

Artigo Anterior

Carta lida aos 80 anos…

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.