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“A luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a venceram”

Amo o inventor da luz! Amo esse Sol que açoita o mundo, provocando reflexos de fogo nos vidros das janelas, e deixando o dia límpido e brilhante.


Amo essa claridade onde os vultos são nítidos e os gatos são bichinhos normais, sem aqueles olhos de faroletes, que parecem ter o poder de atravessar a alma da gente.

Sob a luz do dia, tudo é mais fácil, e compreensível. O eco da noite tem um volume despercebido, durante o dia. 

O tal “na boca da noite” deve ter sido inventado por alguém que notou a diferença que há entre a voz diurna e a voz noturna.

Nos livros e nos filmes, as cenas de terror acontecem à meia-noite. E, para piorar os nervos de quem lê ou assiste, a cena é feita com Lua cheia, ou densos nevoeiros. A trilha sonora mistura-se aos uivos dos ventos, dos lobos, e das corujas.


O vento noturno canta estranhezas, fazendo as cortinas esvoaçarem como fantasmas dançantes e provocando arrepios. Um chuvisqueiro tem o som de um temporal, e os relâmpagos incendeiam o céu escuro, nunca visto num céu claro.

Brrrrrrrr!!! O Morro dos ventos uivantes? Noite com tempestade, e Cathy arranhando a janela? Parei de assistir ao filme nessa cena e, a muito custo, li o livro.

Não assisto filme de terror, e não entendo essa atração, que alguns sentem por zumbis, gente morta, casa mal assombrada, e camisetas com caveiras. Tem coisa mais feia e triste que uma caveira com aqueles olhos ocos, dois ossos cruzados, no lugar que um dia foi garganta, simbolizando a morte? Antigamente, essas figuras desfiguradas, eram usadas nas latas de venenos, avisando que a coisa era de morte. Creio que ainda são usadas para alerta do perigo.


Adrenalina com taquicardias e calafrios, nunca foi minha praia. Não mesmo!

Gosto, e faço questão da claridade.

Algumas vezes, minha casa resplandece dentro da noite, com todas as luzes acesas.

Dureza é olhar para a conta de energia, quando chega, no final do mês! Bem, mas esse já é outro tipo de terror, que tenho de enfrentar.

Já tive minha cota de medo – na infância – usando as tais lamparinas, os lampiões, e as velas caseiras.

Não entendo os tais jantares românticos à luz de velas. Quem inventou, provavelmente sentia atração por um terrorzinho. Não nasci ontem, e bem sei que existem fetiches de todos os tipos, até por vampiros, e luz bruxuleante… argh!

Sempre que necessito de energia elétrica, para clarear as noites tenebrosas, meu pensamento retumba, agradecido por ela existir entre as mil lâmpadas de meu cérebro.

Enquanto minha ojeriza pelas noites escuras e semi-escuras cresce, meu amor pela claridade aumenta. Sim, sou amante da claridade e de todos os sentimentos claros.

Amo a clareza e suas diversas espécies: da verdade, dos sonhos, e da lealdade com que é feito o amor. 

Nossas retinas precisam alimentar-se de beleza; e as prateleiras de nossa memória precisam estar repletas de um bom acervo, para que valha a pena relembrar e sentir saudades.

É preciso enfeitar nossa memória.

Por isso, deixo que minha alma seja hipnotizada e preenchida com jardins resplandecentes, assolados pela lentidão do Sol.

Onde há jardins, há borboletas felizes. Mas há quem sofra de metefobia (medo de borboletas), e deixa de ir aos jardins, para evitá-las.

Felizmente, esse é um medo raro e, graças a Deus, nunca conheci alguém portador desse mal.

Durante a noite, tudo se recolhe. Tudo se fecha. Por entre os barulhos de chaves, trancas e ferrolhos, deixamos a noite lá fora. Assim pensamos, e assim parece. As alegrias ou tristezas adormecem. O mundo dorme, e apagam-se as cores. Com muita sorte, haverá estrelas tímidas e Lua pálida…

É durante a noite que a criança é acometida pelo medo e corre para a cama de seus pais.

Medo do quê e de quem, se ela ainda desconhece a significância da palavra?! Claro como o dia: ela tem medo da noite!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: vadymvdrobot / 123RF Imagens





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