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Mãe celebra todo Natal e Ano-Novo na rua em que seu filho morreu há 22 anos

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A foto viralizou nas redes: ela faz isso no Natal e no Ano-Novo. Todos os anos, ela enfeita a árvore de que ele caiu.

A foto impactou as redes sociais pela simplicidade do cenário: duas mulheres sentadas num canto em cadeiras de plástico, brindando como velhas amigas. Mas por trás daquela paisagem que para muitos parecia atípica na véspera de Natal havia uma longa história de dor. Sabemos quão difícil é perder alguém, o luto faz com que o sentimento de ausência, a solidão e o silêncio sejam sempre presentes.

A perda de um filho pode ser considerada ainda mais difícil para mães, pais e familiares que nutrem pelo sucessor um amor desde o nascimento até o momento em que partem. Para Cecilia Centurión, os fins de ano precisam ser acompanhados de rituais que considera sagrados, os quais muitos não compreendem.

Há 22 anos, por volta das 21h de 24 de dezembro, ele pega uma garrafa de champanha e sai de casa, no bairro Herrera, em Assunção (Paraguai). Muitos acham estranho e até fazem piada, sem entender o motivo de a mulher não passar essa data e o Ano-Novo em casa. Ele vai à rua Concejal Vargas, no cruzamento com Mariscal López, e se senta para brindar na esquina.

Foi justamente onde seu filho perdeu a vida. Este ano estava acompanhada pela neta María José, de 19 anos, mesma idade em que faleceu seu tio, Laureano José. Em entrevista ao jornal Extra, Cecilia, de 79 anos, conta um pouco sobre o doloroso dia 31 de janeiro de 1999. Enquanto estava em sua cidade natal, General Artigas, em Itapúa, recebeu a notícia de que seu filho mais velho havia se ferido enquanto andava no carro de uma amiga.

Um ferro do carro tirou a vida dele instantaneamente. Ela explica que todos os familiares e amigos estavam chorando, e que ninguém tinha coragem de lhe contar o que havia acontecido. Ele tinha chegado à cidade fazia apenas dois dias, e estava viajando com uma amiga para a capital do país, Assunção.

A mãe explica que, antes disso, ele tinha ido se despedir dela, com beijos, abraços e muitas palavras de carinho. Ela contou que ele disse que a amava e que faleceu na companhia de uma colega de faculdade. Para nunca esquecer esse momento, Cecilia cumpre um ritual há 22 anos: ela sai de casa com o champagne, brinda, acende uma vela, ora e retorna para casa, onde janta com a família.

Como o filho gostava muito do Natal e do Ano-Novo, considerando as celebrações de fim de ano como a melhor época, a mãe resolveu guardar esses pequenos momentos para fazer memória dele. A mãe explica que era ele quem levava todos os enfeites para deixar a casa completamente decorada, e que o dia 24 e 31 passaram a ter outro significado.

Cecilia conta que, em seu bairro, todas as pessoas já sabem muito bem o que vai fazer nesses dois dias. Os familiares respeitam sua decisão e compartilham da sua dor, muito felizes pela homenagem que ela presta ao herdeiro todos os anos. Mas quem não sabe da sua história faz piadas sem graça e tece comentários inconvenientes.

Sua foto sentada na rua foi compartilhada nas redes sociais e viralizou, mas Cecilia explica que se arrepende de ter aparecido, já que muitos comentários desnecessários surgiram. Enquanto muitos sabiam de sua história e a compartilhavam com quem quisesse ouvir, outros afirmavam que ela estava sentada ali para “fofocar” ou para “esperar o banco abrir”.

Cecília garantiu que só quem perdeu um filho vai conseguir entender a tradição, porque até agora, mesmo com seu ritual há mais de duas décadas, a dor não cessa. Ela explica que os familiares podem morrer, mas a dor da perda de um filho nunca diminui.

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