Família

Mãe chora por ser obrigada a voltar ao trabalho 12 dias depois de dar à luz

capa site Mae chora por ser obrigada a voltar ao trabalho 12 dias apos dar a luz

Ao publicar o vídeo no TikTok, a mãe traz à tona mais uma vez a ausência de licença-maternidade remunerada nos Estados Unidos.

O nascimento de uma criança implica numa série de mudanças na vida da mãe, do pai ou do responsável por aquela vida. Para que ela se desenvolva da maneira mais saudável possível, é preciso demandar tempo, inclusive uma quantidade de horas que, futuramente, é capaz de construir bases sólidas nos relacionamentos parentais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser exclusivo até os 6 meses de idade do bebê, ou seja, mais nada lhe deve ser oferecido, nem mesmo água, e de preferência em livre demanda — quem regula a fome ou a necessidade de contato é a própria criança.

Para que as recomendações dos melhores pediatras e dos mais importantes órgãos de saúde sejam respeitadas, é preciso essa mãe passar a maior parte dos primeiros meses ao lado do bebê, junto com uma rede de apoio coesa, capaz de oferecer o conforto de que ele precisar.

Mas nos Estados Unidos, um dos países mais ricos, não existe sequer licença-maternidade remunerada, o que implica no fato de que mães que trabalham fora precisam voltar ao serviço muito antes do que o necessário.

No TikTok, um vídeo compartilhado em dezembro último, e que ultrapassou 2 milhões de visualizações, tem chamado a atenção do público. Rebecca Shumard aparece aos prantos porque precisou voltar ao trabalho apenas 12 dias depois de dar à luz sua filha Eden, que nasceu prematura, deixando-a na UTI neonatal.

2 Mae chora por ser obrigada a voltar ao trabalho 12 dias apos dar a luz

Direitos autorais: reprodução TikTok/ @edensmomma10_12.

Moradora da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Rebecca conta ao Today que a filha nasceu com apenas 27 semanas, e como a maioria dos estados oferece apenas seis semanas de licença-familiar não remunerada, ela se viu forçada a voltar a trabalhar apenas 12 dias depois do nascimento de Eden. Pensando no momento em que sairia do hospital, a mãe preferiu guardar parte de sua licença para passar um tempo com a menina.

Nos Estados Unidos, não existe licença-maternidade ou paternidade remunerada, mas de acordo com o Washington Post, nove estados e Washington oferecem algumas versões, mas a maioria gira em torno de, no máximo, seis semanas de afastamento, e sem direito a nenhuma remuneração nesse período.

No seu vídeo, Rebecca questiona como as mães conseguem lidar com a culpa de ter de voltar ao trabalho e não poder ficar ao lado dos filhos, principalmente aqueles que nascem prematuros ou com complicações de saúde que exigem acompanhamento médico constante. De todas as frustrações da jovem, a maior tem sido em relação à amamentação. Como está longe da filha, acaba bombeando o leite para estimular sua produção, mesmo assim tem percebido queda drástica na quantidade.

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Direitos autorais: reprodução TikTok/ @edensmomma10_12.

Rebecca explicou que a ausência de funcionários em seu trabalho a impede de extrair o leite em curtos intervalos, por isso tem percebido sua oferta de leite diminuindo. Logo depois de publicar o vídeo, muitos usuários entraram em contato com a jovem, oferecendo dinheiro e outras doações para ajudar a família.

A ajuda acabou sendo bastante útil, pois Rebecca conseguiu tirar sua folga e compartilhou vídeos ao lado da filha na UTI neonatal, aconchegando-a da forma que sempre quis. Numa de suas produções, ela afirma que, graças ao TikTok, não precisou escolher entre ficar com Eden ou pagar as contas, pois estava eternamente agradecida.

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Direitos autorais: reprodução TikTok/ @edensmomma10_12.

Ao fim de 72 dias na UTI, a bebê conseguiu ser aprovada em alguns testes médicos e pediátricos e assim receber alta, finalmente, indo para casa. Compartilhando agora muitos vídeos ao lado da filha e se sentindo muito feliz por toda a ajuda que recebeu, Rebecca ainda pauta com frequência o fato de a licença-familiar não ser remunerada, além de ser muito curta. Para ela, a responsabilidade é toda do governo, e sente que ele falhou gravemente.

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Direitos autorais: reprodução TikTok/ @edensmomma10_12.

Licença-maternidade e paternidade

Nos países onde a licença-maternidade é remunerada, com duração de quatro meses, com a possibilidade de ser estendida para seis, o debate acerca do dinheiro ou do posto no trabalho já não ganha grandes delineadores. Muitas famílias agora desejam que a licença-paternidade também aumente, já que é apenas de sete dias, o que poderia, segundo especialistas, auxiliar na manutenção da igualdade de gênero.

Porém, nos Estados Unidos, que encara a situação como “controversa”, o debate ainda está engatinhando, e as famílias precisam lutar pelo básico: o direito de ficar ao lado dos filhos logo que nascem, crianças estas que serão a futura mão de obra do país e que recebem cuidado, amor e atenção gratuitamente, sem exigir quase nada do governo.

Médicos e psicólogos afirmam que a licença remunerada é capaz de melhorar substancialmente o bem-estar dos bebês e seus pais, principalmente porque estes conseguem iniciar um vínculo com os filhos sem que precisem se preocupar com a segurança da renda e dos empregos.

A recuperação do parto também demanda tempo, e não envolve apenas a parte física das mães, mas a emocional.

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