Comportamento

Mãe conta que padre “expulsou” filho autista de igreja por ser uma “distração”

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A situação aconteceu em um dia muito importante para a família, e chocou os pais.



As crianças que têm autismo costumam ser vítimas de diversos tipos de preconceito nos mais diversos locais: escola, rua, entre outros. Nem todos conseguem respeitar as suas condições e sempre encontram uma maneira de fazer com que elas e seus familiares sejam humilhados.

Infelizmente, essa é uma realidade à qual a maioria dos autistas e seus familiares e amigos acabam se “acostumando” com o passar do tempo. No entanto, algumas vezes, as ofensas e preconceitos chocam ainda mais porque vêm das pessoas que menos esperam.

Julia Vicidomini, dos Estados Unidos, passou por um episódio com o seu filho autista, em agosto deste ano, que a surpreendeu. Conforme contado à NBC News, Nicholas, de 7 anos, foi “expulso” pelo padre da igreja que a família frequenta por conta de sua condição.


O episódio aconteceu no sábado, 7 de agosto, data do batismo da filha Sofia. Durante a cerimônia, a criança, que costuma levar brinquedos a locais públicos para se adaptar melhor, estava brincando em uma sala de velas, ao lado de onde acontecia o batismo, e acabou derrubando um brinquedo no chão.

Nesse momento, o reverendo Luke Duc Tran, que celebrava o batismo, falou para a criança sair. De acordo com uma gravação feita pela própria mãe da criança, o reverendo diz “fora” a Nicholas, e acrescenta: “Esta igreja não é para brincar”. Vicidomini disse que o filho “felizmente” não entendeu o que estava acontecendo e que foi para fora da igreja junto com sua sogra, mas que ainda foi “doloroso” testemunhar o tratamento do padre ao seu filho. A mulher disse ainda que o reverendo classificou a criança como uma “distração”.

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Direitos autorais: reprodução YouTube/CBS 17.

A mulher relatou que a princípio não achou necessário compartilhar com o padre que o filho tinha autismo, já que se tratava de um evento familiar privado, mas que depois do batismo ela e o marido foram se explicar, ao que ele respondeu: “Não traga seu filho à igreja para me distrair”. O marido então respondeu ao reverendo que imaginou que um padre, de todas as pessoas, seria o mais solidário com uma criança com necessidades especiais.


De forma geral, a família relatou que o episódio foi “chocante”, para dizer o mínimo, que o padre foi “pouco profissional e indelicado”, e que ainda estava magoada e chateada, esclarecendo que a forma como Nicholas foi tratado deixa claro que ainda há muito trabalho a ser feito para educar as pessoas sobre os portadores de deficiência.

O caso teve grande repercussão e chegou à cúria arquidiocesana de Newark, que fez um pedido de desculpas à família em nome da Igreja, argumentando que o padre não sabia da condição da criança, não entendeu o seu comportamento, mas apontando que ele estava “arrependido”.

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Direitos autorais: reprodução Facebook/Julia Vicidomini.

A arquidiocese também explicou que o seu Gabinete de Pastoral para Pessoas com Deficiência está realizando um trabalho junto à família Vicidomini “para que haja uma maior consciência no trabalho com pessoas com deficiência”.


Apesar disso, a mulher deixou claro que queria um pedido de desculpas vindo diretamente do padre, acrescentando que não planejava mais frequentar a igreja por causa do incidente, pontuando que a Bíblia fala sobre “acolher todos os filhos de Deus”, mas que não houve compaixão, no caso de seu filho.

No dia 12 de agosto, cinco dias após o episódio, a mulher fez uma publicação em seu perfil no Facebook dando a entender que a situação estava resolvida. Vicidomini contou que a família conversou com o padre Luke e sentiu que seu pedido de desculpas havia sido sincero, por isso estavam prontos para seguir em frente.

Ela agradeceu o apoio de todos e explicou que, durante a conversa com o padre e o vigário-geral, padre John, a família sugeriu treinamento para o padre Luke e outros clérigos aprenderem a reconhecer e responder às crianças com autismo.


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