Comportamento

Mãe é acusada de abuso infantil por fingir que filhos adotivos são doentes para receber dinheiro

Sophie, de 31 anos, é acusada de inventar sintomas médicos nos dois filhos adotivos, irmãos que trouxe de Zâmbia.



As redes sociais nos aproximaram das pessoas e são capazes de nos conectar com histórias do mundo todo. Aproveitando o tamanho do alcance, muitas pessoas pedem ajuda na internet, expõem seus problemas pessoais, postam vídeos, fotos e abrem suas vidas, tentando arrecadar fundos, conhecer familiares perdidos e realizar sonhos.

São muitos casos em que os próprios internautas se sensibilizam com histórias que conhecem na televisão ou nos noticiários, e começam, por conta própria, uma vaquinha online. Este ano, por exemplo, tivemos o caso do Lucas Penteado, do Big Brother Brasil 21, que conseguiu arrecadar R$ 1,5 milhão para ajudar a construir a casa de sua mãe, depois que muitos telespectadores se sentiram tocados com sua participação no programa.

Algo parecido aconteceu com Sophie Hartman, de 31 anos, de Renton, nos Estados Unidos, quando recebeu mais de R$ 240 mil para ajudar seus filhos adotivos com doenças raras. O problema é que a mãe solo agora está sendo acusada de abuso infantil por obrigar seus filhos a passar por procedimentos médicos desnecessários apenas para conseguir dinheiro de doações.


Direitos autorais: reprodução YouTube/Sophie Hartman.

Mãe de dois irmãos que adotou em Zâmbia, a menina passou por uma cirurgia de implantação de tubos alimentares e, pelo menos, 474 outras consultas médicas desde 2016, algo que a promotoria acredita que foram “intervenções cirúrgicas e restrições médicas desnecessárias”, já que alguns médicos relataram que as crianças não possuem nenhuma doença rara ou que necessite de intervenção séria.

Segundo reportagem da People, o porta-voz do Ministério Público do Condado de King, Casey McNerthey, disse que as acusações não foram baseadas numa rápida investigação de um investigador, mas em meses em que vários policiais e especialistas opinaram no caso.

Os documentos analisados pelo jornal mostram que foi a própria Sophie quem relatou os sintomas que orientaram os médicos no tratamento, que acreditaram que ela possuía uma doença neurológica rara, chamada hemiplegia alternada da infância.


As acusações foram feitas quando a menina passou cerca de 16 dias no Hospital Infantil de Seattle, retirada dos cuidados maternos. Os médicos submeteram a criança a uma bateria de exames que incluíam testes genéticos, que não identificaram uma variante do gene associada ao distúrbio.

Direitos autorais: reprodução/Make a Wish.

A defesa alega que o diagnóstico foi feito por um dos “poucos neurologistas pediátricos especialistas do mundo”, da Universidade Duke, e por um outro neurologista do Hospital Mary Bridge, sendo que a criança passou por avaliação e tratamento durante três anos. Eles explicam que o diagnóstico foi feito por mais de um médico e de maneira legítima.

Assim que adotou os irmãos de Zâmbia, Sophie escreveu um livro sobre o seu trabalho missionário, que a levou à maternidade. Numa entrevista, ela explica que queria uma criança que ninguém estava esperando para adotar, e conta que chegou a pedir uma “cega ou com paralisia cerebral”.


Conforme o tempo foi passando, Sophie aparecia em inúmeras entrevistas, contando da doença rara da filha mais nova. Uma campanha no GoFundMe chegou a arrecadar R$ 81.593,81 para ajudar com a aquisição de uma cadeira de rodas.

Em 2018, a ONG “Make a Wish” concedeu o desejo da menina de que sua família passasse cinco dias num rancho no Oregon. Na época, foram citados vários problemas que acometiam a criança, como paralisia cerebral, epilepsia e a grave doença.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Em outra arrecadação de fundos, a mãe conseguiu mais de R$ 159 mil, e ainda disse que sua filha era uma “bomba-relógio, que não tinha possibilidade de cura”. Porém os documentos no tribunal mostram o oposto, ou seja, que a menina não precisava de cadeira de rodas nem de nenhum suporte para pernas.


Foram quatro médicos que escreveram o relatório, descrevendo o risco para a menina como “profundo”, e ainda explicando que ele foi feito com base em “uma preocupação com relação a um padrão de solicitações dos pais para procedimentos cada vez mais invasivos, apenas usando sinais e sintomas não documentados relatados pelos pais”.

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