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Mãe entrega filho de 11 anos ao Conselho Tutelar para “não atear fogo nele”

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A delegada do caso informou que a mãe tem nove filhos, e que o menino em questão agora está sendo cuidado por uma tia.

O cuidado infantil vai muito além do que se imagina, envolve não apenas afetividade, disposição e paciência, mas uma série de compromisso e obrigações morais, físicos e de ordem judicial. Pais e responsáveis respondem financeiramente e juridicamente pelas crianças, e precisam fornecer os cuidados básicos, como saúde, alimentação e educação.

Matricular uma criança na escola, administrar seus cuidados, higiene e até mesmo carinho e amor são considerados itens básicos para uma criação infantil. Para que as crianças tenham um desenvolvimento saudável, capaz de impulsionar que grandes qualidades se destaquem, é preciso empenho de maneira coletiva.

Familiares, comunidade escolar e toda a sociedade de maneira geral precisam estar em união para que as crianças tenham uma boa infância. Dados do Disque 100, de janeiro a setembro de 2021, mostram que mais de 119 mil denúncias de violações contra os direitos das crianças e adolescentes foram feitas no país. O Governo Federal destaca que o contexto pandêmico pode ter colaborado para que os números fossem tão altos, com crianças passando maior tempo em casa, e isoladas da comunidade.

A quantidade de violações perpetradas pelos próprios familiares chega a espantar, e estima-se que esse seja um reflexo da ausência de rede de apoio, baixo rendimento familiar e outras questões que também podem estar relacionadas a um contexto de violência geracional, como a violência contra a mulher, por exemplo.

Segundo reportagem do G1, em Gouvelândia, no sudoeste de Goiás, uma mãe decidiu entregar o próprio filho, de 11 anos, ao Conselho Tutelar da cidade, e disse que atearia fogo na criança caso ela fosse devolvida em algum momento. A delegada do caso, Simone Casemiro, disse que a mulher entrou em contato com a instituição, alegando que não tinha mais condições de cuidar dele.

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De acordo com Casemiro, a mãe afirmou que o menino estava “muito teimoso” e, por isso, não queria mais saber dele. Como o caso envolve uma criança menor de idade, as autoridades não divulgaram os nomes dos envolvidos, dessa forma não foi possível obter uma declaração da genitora ou de qualquer outro familiar.

Entregue ao Conselho Tutelar de Gouvelândia no dia 7 de março, ele agora está sob os cuidados de uma tia. A mulher é mãe de nove filhos e apenas o menino de 11 anos morava com ela, e o conselheiro soube da intenção da genitora atear fogo na criança assim que fez uma ligação para compreender o que estava acontecendo.

Assim que conversou com a tia, ouviu a genitora ao fundo dizendo que não era para levar a criança de volta, caso contrário ela atearia fogo no menino vivo. O pai da criança também não foi localizado e nem mencionado pelas autoridades. A delegada do caso contou que a mãe estava na casa dessa tia, mas que não mora com ela, por isso o menino foi levado até lá, já que é preferível que esteja com seus familiares.

As autoridades ainda orientaram a genitora a não se aproximar do menino. Casemiro ainda explicou que a tia já cuida de outras duas crianças, por isso os policiais pretendem ouvir a mãe para compreender a fundo o que está acontecendo, já que uma criança ser teimosa não justifica as ameaças da mãe.

O Conselho Tutelar e a tia do menino também precisam ser ouvidos, e a assistência social precisa analisar se a mulher possui condições de cuidar do sobrinho, senão ele será levado a um abrigo até que possa ser encaminhado para um lar definitivo. A delegada ainda adiantou que a criança não apresenta lesões, mas vai apurar se a violência ultrapassa as ameaças.

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