Reflexão

Mãe, nunca diga estas 5 frases para sua filha, elas podem destruir sua autoestima

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Na tentativa de educar os filhos, podemos nos exceder, usando frases e sentenças que nem sempre colaboram com o crescimento saudável das meninas.

Prezar pela saúde e pelo bem-estar das crianças é uma tarefa coletiva. As etapas da socialização infantil são importantes para que todos aprendam como viver em sociedade, respeitando o próximo ao mesmo tempo que se respeita a própria natureza e essência. Saber o momento certo de dizer “não”, saber se impor e falar com clareza são pontos importantes para qualquer indivíduo, e aprender isso nos primeiros anos é imprescindível.

Ao mesmo tempo que os pais e mães têm o desafio — junto com a escola e outros agentes sociais — de ensinar para as crianças tudo aquilo que elas vão aplicar na adolescência e na vida adulta, alguns estigmas sociais e estereótipos acabam também perpassando vários momentos da criação, o que nem sempre colabora para a autoestima e o pleno desenvolvimento infantil.

Quando lidamos com meninas, a situação é ainda mais complexa. É muito comum errarmos nas iniciativas visando à aceitação da filha pela sociedade, além disso, muitos pais e mães usam o próprio contexto para passar o aprendizado adiante. Nem sempre o que aprendemos na nossa infância pode ser considerado certo, ainda mais quando percebemos a quantidade de estudos e pesquisas acerca da criação infantil e dos impactos negativos de certos comportamentos na vida das meninas.

Pode parecer inocente, mas muitas vezes empregamos algumas frases com as meninas que podem reforçar certos estereótipos de gênero, sendo que várias impactam cruelmente na fase adulta delas. Em inúmeras ocasiões, mesmo sem perceber, nós as tratamos como se fossem mais fracas, mais delicadas e incapazes de se desenvolver em esportes e atividades consideradas masculinas ou “de meninos”. Confira abaixo algumas frases que podem mexer com a autoestima delas:

1.”Você é uma princesa”

A frase parece tão simples e muitas famílias empregam de maneira constante na criação das meninas. Vale lembrar que não existe problema algum em demonstrar afeto pela criança, pelo contrário, toda e qualquer criação baseada no amor e no acolhimento tem grandes chances de impactar de maneira positiva na vida dos filhos. Mas a frase é problemática a partir do momento em que é a única forma de elogio proferido à menina.

Reduzir a menina à aparência é o mesmo que, implicitamente, dizer que ela não precisa se importar tanto com a inteligência ou com o esforço. Por isso, é importante sempre utilizar outros adjetivos ao incentivar ou elogiar as meninas. Corajosa, esforçada, atenta, empática, desafiadora, existem inúmeras palavras que podem ser ainda mais fortes do que “princesa”.

2.”Não foi nada” ou “não precisa chorar”

Invalidar os sentimentos de uma criança nunca tende a render bons frutos. Basta apenas, por um curto momento, fazer o exercício de tentar se lembrar da própria infância ou adolescência. Quantas vezes você não lidou com algumas situações quando era criança ou adolescente acreditando que seria o fim do mundo? Claro, com o passar dos anos e a experiência, vamos descobrindo que lidar com alguns acontecimentos é simples e alguns problemas muito fáceis de solucionar.

Mesmo assim, sua filha não merece ter os sentimentos anulados, caso contrário, ela pode crescer acreditando que deve se invalidar, que suas emoções são menos importantes que as dos outros. Isso pode ser uma grande armadilha para que entre em relacionamentos tóxicos, acreditando que merece muito pouco.

3.”Isso é coisa de menino”

Os brinquedos são feitos para crianças brincarem, e normalmente elas usam as mãos, os pés e um pouco do raciocínio e da agilidade, a depender da brincadeira. Então, por qual motivo a sociedade insiste em dividir os brinquedos e as brincadeiras por gênero? As meninas são tão livres para entrar em qualquer atividade quanto os meninos, e isso inclui bola, pega-pega, bicicleta, skate, patinete e outros inúmeros objetos.

As meninas precisam se sentir fortes, capazes, criativas e inteligentes. Estimulá-las a participar de projetos, de ações sociais, de brincadeiras e de grupos de estudos pode ser um ótimo caminho para que aprendam a colocar o bem-estar, a carreira profissional e a autoestima em primeiro lugar. É muito importante que elas aprendam os próprios limites e a transpor cada um deles.

4.”Você está gorda”

Em primeiro lugar, criticar o corpo de qualquer pessoa é errado, e estimular a magreza para se encaixar em um padrão estético é perigoso. A gordofobia impacta negativamente na vida de muitas pessoas, e a maioria reforça que o preconceito começou a ser sentido ainda na infância. É importante reforçar que ter um estilo de vida saudável, uma vida ativa e uma alimentação equilibrada não tem nada a ver com estética — ou não deveria — e todas as pessoas precisam praticar, magras ou gordas.

Pense que você é a referência de vida da sua filha, não a deixe desenvolver transtornos, traumas e/ou compulsões porque simplesmente não escolheu ser mais agradável. Mesmo que existam “boas intenções”, ainda assim elas podem destruir a autoestima das meninas, e isso pode ser irreversível. Sejam uma mãe e um pai mais presentes, elogiem a menina por suas ações e qualidades sem se prender à aparência. E caso a saúde realmente seja um problema, lembre-se que você é o principal responsável pelos hábitos que seus filhos adquirem, portanto, mude o estilo de vida junto com eles.

5.”E os namoradinhos?” ou “essa menina vai dar trabalho quando crescer”

Associar a mulher à expectativa do relacionamento já é algo cruel, submeter crianças e adolescentes ao mesmo padrão é uma completa falta de noção. Mais importante do que estimular relacionamentos é falar abertamente com as meninas sobre a importância de saber se cuidar, de conhecer o próprio corpo e de impor limites para que as pessoas não tirem proveito delas.

As meninas são indivíduos, não devem ser sexualizadas nem na infância nem na fase adulta, e precisam aprender que a dependência emocional não é legal. Muitas mulheres cresceram ouvindo isso, e hoje desejam príncipes encantados ou um salvador da pátria para se sentirem completas. Isso faz com que entrem em relacionamentos ruins, com que não se valorizem e que esqueçam completamente de si mesmas. Não fale isso nem permita que parentes reduzam sua filha a outra pessoa.

Esse tipo de criação pode não ser interessante, principalmente para as famílias que buscam o pleno desenvolvimento de suas meninas sem afetar sua autoestima de maneira negativa. Garantir que elas têm o direito de escolher dentro do universo infantil pode resultar num futuro plural, ou seja, elas serão livres para escolher tudo aquilo que quiserem, sabendo não apenas lidar com as consequências de seus atos, mas também conscientes de que são capazes de tudo se tiverem esforço e dedicação.

Quando limitamos o raio de criação das meninas — e dos meninos —, fechamos inúmeras portas para elas no futuro. Poderiam ser cientistas, atletas, engenheiras ou qualquer outra coisa que ainda seja considerada do universo masculino. A liberdade de escolha pode ser alimentada e incentivada desde os primeiros anos de vida das pequenas, basta apenas que os pais e mães o queiram.

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