Comportamento

Mãe processa chefe que não a deixou sair mais cedo para buscar filha na creche e recebe R$ 1,3 milhão

A funcionária trabalhava na empresa havia dois anos quando engravidou e, assim que voltou da licença-maternidade, pediu ao chefe para passar a sair uma hora mais cedo, mas ele negou.



Muitas mulheres relatam sentir profunda insegurança em relação ao mercado de trabalho assim que engravidam. Mesmo com inúmeras proteções trabalhistas, ainda existem empregadores que se aproveitam de brechas na lei para fazer com que as funcionárias que se tornaram mães se sintam deslocadas ou forçadas a pedir demissão.

A incompatibilidade de horários das creches e escolas com o trabalho comercial faz com que muitas mulheres acabem trabalhando meio período, ou até mesmo ficando desempregadas, vendo os rendimentos familiares caírem drasticamente.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 45% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, dos quais 63% são compostos por mulheres negras abaixo da linha da pobreza. Além disso, as mulheres também são as que mais se responsabilizam pela criação dos filhos.


Mais de 11 milhões de mulheres, só no Brasil, são mães solo, ou seja, criam as crianças sem a ajuda do pai ou de uma rede de apoio sólida. Como, então, conciliar a administração e o sustento de uma casa com a criação dos filhos e o trabalho remunerado?

Essa situação de “tentar equilibrar os pratos” foi o que a corretora imobiliária Alice Thompson passou em 2018 e 2019. Trabalhando como gerente de vendas da empresa Scancrown Ltd, em Londres (Inglaterra), ao retornar da licença-maternidade, pediu ao chefe para começar a sair uma hora mais cedo todos os dias, assim poderia buscar a filha no berçário, mas ele negou.

Alice começou a trabalhar na imobiliária em 2016, e dois anos depois comunicou à empresa que estava grávida. De acordo com o processo que ela moveu, desde o momento em que comunicou que estava esperando uma criança, passou a se sentir hostilizada e excluída dos demais grupos.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Alice Thompson.


Assim que entrou de licença-maternidade, o diretor da empresa, Paul Sellar, também a fez devolver o celular e as chaves do escritório, reforçando ainda mais a sensação de exclusão. Quando retornou ao trabalho, em novembro de 2018, Alice comunicou que os horários das creches eram incompatíveis com a saída da empresa, e pediu para começar a ser liberada uma hora antes, assim conseguiria buscar a filha na escola.

Paul negou o pedido da funcionária e alegou que essa uma hora iria prejudicar a capacidade de atender às demandas dos clientes, além de trazer custos adicionais à empresa, tornando impossível organizar a demanda de trabalho entre os funcionários existentes.

Alice pediu demissão em dezembro de 2019, e entrou com um processo contra a Scancrown Ltd, alegando que foi discriminada enquanto estava grávida, sofreu assédio, sentiu-se forçada a pedir demissão e foi discriminada por ser mulher de maneira indireta.

A juíza do trabalho, Sarah Jane Goodman, informou que Alice foi discriminada assim que o chefe negou horários mais flexíveis, e explicou que, em momento algum, foi citado que seu desempenho era insatisfatório, pelo contrário, ela era uma ótima funcionária. Para a juíza, a maioria das mães encontram dificuldades em retornar ao mercado de trabalho depois que têm filhos, o que causa sensação de fracasso, segundo reportagem do Yahoo News.


A empresa foi condenada a pagar mais de R$ 1,3 milhão por fazer Alice perder os rendimentos, as contribuições para aposentadoria, além dos juros e do sofrimento que passou durante todo o período em que esteve grávida e depois, quando retornou da licença-maternidade.

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