Comportamento

Mãe sofre racismo na web e é confundida com babá: “Vão te demitir por expor filha dos outros”

Foto: Reprodução
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Tiane também já ouviu que seu marido não deveria ficar com ela, chegando a quase ser agredido na rua por um estranho.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), assim como a própria legislação brasileira, aponta que o racismo é um crime inafiançável e imprescritível, como garante o artigo 5º da Constituição Federal brasileira:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Mesmo com respaldo judicial, previsto na Lei nº 7.716/1989, poucas pessoas ficam presas por conta do crime, isso quando há condenação.

Segundo reportagem do UOL, Tiane Gleason, de 34 anos, que mora nos Estados Unidos há seis anos, passou por ataques de cunho racista nas redes sociais recentemente ao compartilhar fotos e vídeos da filha.

Vivendo há cinco anos em Los Angeles, a assessora jurídica é casada com Bryan, que nunca tinha visto o racismo de perto até compartilhar momentos com a amada. Por ser branco e judeu, até ele sofreu ameaças nas ruas, inclusive um desconhecido queria agredi-lo por defender que não deveria existir relacionamento interracial.

O casal recentemente viu a primogênita chegar ao mundo, e por ser parecida com o pai, muitos usuários passaram a fazer comentários racistas no TikTok da mãe, alegando até que ela seria demitida por “expor a filha dos outros”. Frequentemente confundida com a babá da própria filha, ela explica que aprendeu com sua mãe a lidar com o racismo, principalmente porque sabe que essas situações “sempre ocorrerão em qualquer parte do mundo”.

2 Mae sofre racismo na web e e confundida com baba Vao te demitir por expor filha dos outros

Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @hey_tianeh

Tiane chegou a fazer um vídeo-resposta no TikTok, mostrando não apenas a filha em seu colo, mas também o marido, “provando” que ela era de fato a mãe da bebê. Por mais que não existisse necessidade de comprovar nada, principalmente quando analisamos que as injúrias foram cometidas por pessoas desconhecidas, a sensação de injustiça é mais forte, motivando um posicionamento. Confira abaixo a filmagem:

No vídeo, ela faz questão de se posicionar: “Só porque eu sou preta e ela é branca não significa que ela não saiu de mim. Ela é minha filhota. É que meu marido é muito branco. Muita gente pergunta se eu sou babá. Eu já fui babá. Agora eu não sou mais. Agora só cuido da minha filhota, que é a minha princesa”, reforçou.

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Racismo também fora das redes sociais

Tiane explica que sempre que sai com a filha para passear ou resolver qualquer tipo de problema, e está acompanhada da cunhada ou outra pessoa branca, nunca se dirigem a ela para perguntar qualquer coisa sobre a bebê. Sempre fica implícito nas relações que ela é apenas a cuidadora ou uma conhecida da mãe, que seria a pessoa branca ao seu lado.

Ela e o marido frequentemente conversam sobre como orientar os filhos sobre racismo, mas sempre pensaram que eles nasceriam negros. Se fosse uma menina, fariam questão de abordar coisas como o cabelo crespo e a identidade, se fosse menino, ensinariam como se comportar em uma abordagem policial, para que não corresse o risco de ser ferido ou “confundido” com um criminoso.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @hey_tianeh

Porém, como a filha nasceu “muito branca”, a forma como pretendem falar sobre racismo será, principalmente, pelas experiências de Tiane no dia a dia. Infelizmente, essa não foi sua primeira experiência com o racismo, e provavelmente não será a última. Esse comportamento insiste em se manifestar na sociedade de maneiras variadas, mas sempre fere as vítimas.

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