Família

“Mães de hoje estão estressadas em níveis nunca vistos antes”, diz jornalista em livro de 1986

Maes de hoje estao estressadas em niveis nunca vistos antes

A jornalista britânica Libby Purves escreveu um livro na década de 1980 que ainda condiz com a realidade materna.

Nascida em 1950, Elizabeth Mary Purves, também chamada de Libby, se tornou jornalista de rádio ainda na década de 1970. Se tornou colunista de grandes veículos e seguiu uma trajetória tranquila, se casou, teve filhos e acabou descobrindo da pior maneira o peso da maternidade.

Em meados de 1980, passou a escrever com frequência obras que abordavam questões da maternidade e de criação infantil, tecendo um escopo complexo sobre a necessidade de mulheres tentarem atingir a perfeição ao se tornarem mães. Lançado em 1986, o livro Como Não Ser Uma Mãe Perfeita, Libby usa a própria história para contar momentos hilários sobre a maternidade, em busca de um pouco de humor e menos seriedade.

A jornalista escreve que compreende a beleza de ser comparada ao Superman, voando pela cidade, resolvendo os problemas de todos, enquanto mantém um emprego diário, também como jornalista. Mas quando se é uma mãe de verdade, e precisa encarar a rotina de checar lanches, preparar refeições, cuidar da saúde, administrar a casa, acompanhar o desenvolvimento escolar e ainda trabalhar com a mesma perfeição, torna-se exaustivo.

De maneira descontraída, ela explica que aquela coisa esvoaçando nas costas das mães, infelizmente não é uma capa vermelha do Super-Homem, mas seus filhos que abriram um rolo de papel higiênico e acham isso muito mais divertido do que colocar os sapatos para ir para a escola. Uma pesquisa da Bupa UK, analisando o nível de cansaço materno, saiu recentemente, e o resultado surpreendeu as famílias, que não esperavam que elas estivessem realmente exaustas.

Cerca de 63% das mães declaravam estar completamente exauridas, e mesmo que o número fosse alto, Libby acreditou que ele poderia ser ainda maior. Sentindo que a saúde mental estava por um fio antes mesmo do assunto se tornar corrente, muitas mães afirmaram que estavam mais estressadas do que dando conta de tudo. Mas isso tem sido assim desde aquela época, conforme declara a autora.

Libby defende que a felicidade se tornou algo muito distante em uma longa lista de afazeres de uma mãe, que nunca consegue chegar até esse item. A jornalista defende que todas as mães dariam a vida pelos filhos, mas que não enxerga a necessidade de elas fazerem isso todos os dias.

Com pequenas dicas de como lidar com a exaustão, Libby escreve que as mães deveriam começar a deixar as coisas fluírem um pouco mais, ao invés de sempre estarem tentando suprir a necessidade de atenção dos filhos. Em casos extremos, por exemplo, poderia simplesmente se deitar no chão, de bruços, acompanhada de um livro de bolso, e permitir que o bebê apenas engatinhe em volta.

Em busca de mais humor e menos compromisso, a jornalista espera que os pais e outras pessoas das redes de apoio também passem a se comprometer mais com a criação infantil, principalmente porque sem ajuda, essas mulheres podem ser levadas ao limite – algo que já tem acontecido com frequência.

As mulheres também precisam se sentir livres para sair com os amigos, para descontrair em outros ambientes e relaxar, se sentindo que também são queridas, amadas e cuidadas. Confiar em um parceiro para que ele assuma as rédeas do acompanhamento infantil não cabe apenas às mulheres, mas também aos homens, ou a quem quer que esteja em volta. A confiança é passada pelo outro, em um ambiente de diálogo e livre expressão.

Libby finaliza sua análise defendendo que não podemos deixar que as próximas gerações de meninas cresçam acreditando que devam ser perfeitas, que devam lidar com as pressões do mundo com tranquilidade. Elas não precisam se perguntar constantemente se estão à altura da maternidade, porque terão fortes elos para construir o melhor para as crianças.

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