ComportamentoReflexão

Mais gentileza, por favor, ok?

adultomais gentileza2

Quantas vidas você já mudou hoje? Pense bem…



Ué, desconhece a capacidade de transformar que você tem? Pois saiba que, aí dentro, há um atômico poder de colorir dias e, até, existências inteiras.

Neste mundo em que a gentileza, o carinho gratuito e a educação andam raros como tatus-bola e troco para nota de cem, pequeninas – e nada onerosas – atitudes são capazes de restaurar esperanças e salvar, das garras do pessimismo corrosivo, pessoas totalmente descrentes. Por exemplo? Segure a porta do elevador para que todos saiam antes de você e, quando o último a sair lhe disser “obrigado” – e mesmo que ele não lhe diga nada -, em vez de um silêncio áspero ou um protocolar “De nada”, experimente mandar um “Tenha um dia fantástico!”. Exagerado? Coisa de gente louca? Muito amor para alguém que você nem conhece? Não é, acredite.

Nós é que nos tornamos demasiadamente individualistas e egoístas para perceber a importância de sermos gentis (no mínimo) com nossos vizinhos (bichos também contam, viu?) de planeta (não apenas de prédio). Estamos no mesmo barco e precisamos entender que afundaremos, ainda mais, se continuarmos a seguir em ritmo de “cada um por si”.


adultomais gentileza2

O ecossistema está desequilibrado, muito mesmo. E não está assim apenas no aspecto ambiental, não. Falta harmonia também nas relações humanas, em todas elas. Falta “obrigado”, “por favor” e “perdão”. Falta o proativo “Moço, está perdido? Posso lhe ajudar?”. Falta, principalmente, capacidade para entendermos que, às vezes, precisamos colocar o bem coletivo acima do nosso. E enquanto não sacarmos isso, o desequilíbrio só vai aumentar. Quer que eu seja mais claro? Estamos nos afogando em nossos umbigos!

Quando notei que meu carro estava perdendo espaço para as bicicletas, por exemplo, fiquei p*&#. Minha primeira reação foi pensar: estão tentando me ferrar? Hoje, porém, percebo que errei na análise inicial. Concluo que coloquei o meu bem-estar acima do bem-estar do todo. Apesar de acreditar que algumas ciclovias foram feitas de maneira pouco planejada, percebo a importância de ceder um pouco do meu espaço em prol de um bem maior à cidade e ao meio ambiente. Pensando de maneira micro e imediatista: o que é bom para o todo nem sempre é o melhor para mim. Mas o todo precisa de equilíbrio, lembra-se? E alguns precisam ceder para rolar uma equalização, um reequilíbrio.

A mesma lógica citada no parágrafo acima também pode ser aplicada ao espaço que preciso ceder para que as mulheres, os negros e os homossexuais, finalmente, conquistem o devido espaço na sociedade: eu – por ser homem, branco e heterossexual -, em várias (talvez em todas) áreas sociais, sempre tive mais espaço do que as mulheres, os negros e os homossexuais. E isso é tão óbvio que nem preciso de pesquisas para provar. Porém, se desejo uma sociedade equilibrada e justa, sei que devo abrir mão de parte dos meus privilégios para que gente que nunca os teve, enfim, consiga tê-los. Outro dia li uma frase bem interessante a respeito disso: “Você não está sendo oprimido quando outro grupo ganha os direitos que você sempre teve”.


Sabe o que mais falta por aí? Falta empatia. Enquanto não compreendermos a importância de nos colocarmos no lugar do outro – especialmente daquele que está em posição desprivilegiada -, a coisa não vai dar certo. Falta “E se eu fosse ele (a), gostaria que fizessem isso comigo?” antes de agirmos ou de declararmos “Isso é mimimi!”. Falta entender que, aquilo que mata a nossa fome e desejos, nem sempre faz bem ao resto.

O desconhecido está trocando um pneu sozinho, e você, por pressa para não perder o novo capítulo da novela, passa voando. Os próximos mil motoristas fazem o mesmo. Agora pense no quão bem você faria se parasse e sujasse as mãos com ele. Uma moça está chorando no meio da rua, e você, porque está com fome, passa como se ela fosse invisível. E se você parasse e perguntasse se pode ajudar, hein? Já pensou no bem que pode fazer a alguém que, muitas vezes, só precisa ouvir um “Eu já passei por isso e superei, acredite!”? E é assim que se aumenta a fé das pessoas na humanidade. E é dessa forma que vamos reverter um ciclo de descrédito no ser humano, uma porção de “Já que ninguém faz nada por mim, quero que todos se f*****!”. Revidar falta de carinho com falta de carinho não é o caminho, acredite. Alguém (você/eu) precisa quebrar o ciclo vicioso! E precisamos começar a partir de… Agora!

Você pode mudar mais coisas do que imagina. E diferente do que pensa, não precisa de capa ou superpoderes: precisa, principalmente, de empatia e de capacidade para compreender que colocar seu prazer acima da saúde do todo, em muitos casos, é contribuir para a implosão do planeta – e burrice extrema. Afinal, sem o todo não há nada para você!

adultomais gentileza3


Como começar? Aqueça metralhando sorrisos para o máximo de pessoas que puder. Sorria para a caixa do supermercado,  para o frentista,  para o mendigo… Depois,  ofereça uma mão para gente que nunca viu; ofereça-se para levar as sacolas de uma senhora no shopping, ajudar o filho do vizinho a fazer um trabalho de escola, fazer com que o gringo entenda o funcionamento do metrô… Você entendeu! Então, notará que se transformará em um agente transformador, que vai contagiar as pessoas com esperança e, consequentemente, transformá-las em novos agentes transformadores. Que tal? Temos a mania de achar que só grandes mudanças são efetivas, mas a soma de várias pequenas mudanças é realmente capaz de criar efeitos imensamente positivos no todo, pode apostar.

E mesmo que sua fome/pressa/umbigo lhe disser: “Finja que não a viu chorando!”/ “Vá pelo acostamento!”/ “Apesar de ser bom para a sociedade, é ruim para você!”/, não dê ouvidos. Seja o exemplo daquilo que anseia e admira. Seja a atitude que o mundo precisa para ser menos inóspito. Seja aquele que, com atitudes diárias, provará a veracidade da seguinte afirmação: “Gentileza gera gentileza”.

_________

Por: Ricardo Coiro – Publicado Originalmente em: Superela


Tempos de silêncio e de paz…

Artigo Anterior

Caixinha de lembranças…

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.