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Mais três mulheres denunciam o cabeleireiro Bruno Dantte após repercussão dos casos de assédio sexual

bruno dannte

Mais três mulheres apresentaram denúncias de possíveis crimes sexuais contra o cabeleireiro Bruno Dantte, segundo uma das duas advogadas que entraram com uma notícia-crime contra o acusado.



Ele é conhecido por atender famosos. Agora, já são 15 mulheres, dentre clientes, alunas e funcionárias, que acusam o profissional de crimes como assédio sexual, importunação sexual e estupro.

Os casos foram revelados ontem pelo Fantástico, da TV Globo. A denúncia foi protocolada na última quinta-feira na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) do Centro do Rio.

De acordo com a advogada Débora Nachmanowicz, dentre as 12 acusações que já constam no documento entregue a Deam, seis são sobre condutas que podem se configurar como crime e outras seis referentes a mulheres que podem ser testemunhas, uma vez que sofreram com condutas antiéticas do denunciado, mas que não chegam a se configurar como crime.


“Recebemos hoje, pela manhã, outros três relatos contra ele, mas ainda precisamos ouvir essas mulheres para saber se as condutas se enquadram como crime e ver como prosseguiremos com esses novos casos. A notícia-crime que apresentamos é uma síntese do relato dessas 12 mulheres. A Deam ainda vai definir quantas e quais das 12 mulheres serão ouvidas e qual crime se configura em cada caso. Dependendo da interpretação da delegada, pode ser instaurado mais de um inquérito policial. Os fatos serão investigados pela polícia para posterior acusação via Ministério Público” — explica Nachmanowicz.

Apesar da investigação ter sido iniciada no Centro, ela pode se expandir para outras delegacias, diz a advogada: “Os casos ocorridos no salão de beleza de Laranjeiras, provavelmente, continuarão na Deam do Centro. Mas também há relatos de casos no salão dele na Barra da Tijuca, que podem ser levados para a Deam de Jacarepaguá.”

A Polícia Civil informa que as investigações estão em andamento na Deam do Centro, que recebeu os vídeos entregues pelas advogadas e está analisando o material. “Como nem todas as ocorrências foram na circunscrição da unidade, alguns casos serão encaminhados para outras delegacias. As vítimas serão ouvidas e o acusado será intimado a prestar esclarecimentos”, disse a Polícia, por nota.

As denúncias


Reportagem exibida neste domingo Fantástico aponta que o cabeleireiro Bruno Dantte, que durante anos foi uma referência em cabelos cacheados, ondulados e crespos, está sendo acusado de assédio por 12 mulheres, dentre clientes, alunas e funcionárias.

Uma das denunciantes contou que, após um corte com o acusado, ele insistiu em levá-la até a porta do prédio onde ficava o salão, um local completamente deserto. Ela tentou ir embora, mas o elevador não estava funcionando. Dantte, então, teria se colocado na frente da vítima e impedido a sua passagem pela escada. E foi nesse momento que começou o abuso:

“Ele disse que queria me agarrar, queria me dar um beijo, e eu falei que eu não queria, que eu não tinha interesse. Ele me agarrou de qualquer jeito, segurou os meus braços à força, e chegou a machucar. Realmente segurou com muita força e ele me deu um beijo à força. Ele me agarrou, segurou minha cabeça, segurou meu braço, e me forçou a beijar ele”, disse uma das vítimas.

As acusações contra o até então badalado profissional começaram a aparecer em agosto, quando uma ex-funcionária de Dantte postou na internet um desabafo em que contava que pediu demissão porque ele a sabotava profissionalmente. A partir de então, dezenas de mulheres comentaram na publicação, relatando casos de assédio moral e sexual.


Outra cliente relatou ao Fantástico que ele colocou as mãos dela nas partes íntimas dele após ele pedir para ela tirar uma foto de seu novo corte: “Tirando a foto, ele falou pra eu pegar nas partes íntimas dele. Eu falei: ‘Claro que não!’ E aí ele falou que eu tinha que ser mais corajosa. Ele pegou minha mão e colocou nas partes íntimas dele. Eu tirei minha mão e falei: ‘Não, não, não’…”, contou a moça, que disse ter corrido e entrado no banheiro para fugir do agressor.

Uma outra mulher assediada também contou ao Fantástico que buscava uma vaga para trabalhar num dos salões do denunciado, mas desistiu da vaga após também ser alvo de assédio. Ela foi fazer uma entrevista de emprego e, depois da conversa, o cabeleireiro insistiu que era melhor ela ir até a porta da casa dele e, de lá, pedir um carro por aplicativo:

“Quando a gente chegou na porta da casa dele ele ficou tentando ficar comigo. Eu não tinha interesse nenhum nele, nem físico nem nada, e também estava num relacionamento e eu sabia que futuramente eu poderia trabalhar no espaço dele. Mesmo eu falando que não, ele falou coisas muito, muito pesadas mesmo, muito obscenas, e foi uma situação extremamente constrangedora porque eu sabia que no outro dia eu ia ter que estar ali. Ele pegava minha mão e ficava falando que ele era muito bom, que ele era muito gostoso, que ele era ‘n’ coisas assim, e eu repetia que não queria”, detalhou.

A defesa de Bruno Dantte enviou nota informando que somente tomou “conhecimento dos fatos por meio da imprensa no dia 29 de outubro” e que “de toda forma, Bruno desconhece e nega a prática de qualquer crime e ato de assédio moral”.


“Desde já, coloca-se à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e contribuir para elucidação dos fatos. Por fim, em momento oportuno, dará explicação às suas clientes, funcionárias, alunas e ao público”, diz a nota assinada pelos advogados Matheus Silveira Pupo e João Paulo Garcia Mazzieiro.

Repercussão

Assim que a história começou a repercutir nas redes sociais, em agosto, os três salões que levavam o nome de Bruno Dantte, onde ele era sócio, mudaram de nome.

Poucos dias depois, Dantte postou um vídeo pedindo desculpas “a todas as mulheres que eu coloquei numa situação de constrangimento durante o atendimento meu, onde eu tive atitudes inconvenientes, onde eu trouxe constrangimento para essas mulheres”. Logo depois, o vídeo foi apagado das redes por ele mesmo. Recentemente, Dantte — que atendia no Rio de Janeiro e São Paulo — apagou sua conta no Instagram, que tinha mais de 300 mil seguidores.


Ainda segundo a advogada das vítimas, foi notado que o acusado tinha um modus operandi “bastante predatório, que era baseado muito numa relação de poder dele sobre as mulheres, numa relação de subordinação dessas mulheres”, onde elas eram atraídos por dicas de cortes, tratamentos, cursos e um discurso sobre empoderamento feminino que chamava a atenção de muitas seguidoras.


Se você presenciar um episódio de violência contra a mulher ou for vítima de um deles, denuncie o quanto antes através do número 180, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.


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