Comportamento

Maqueiro pede que outras profissões da linha de frente sejam reconhecidas: “Não são só médicos e enfermeiros”

Lutando bravamente contra a covid-19, Antônio Soares explica que, além de médicos e enfermeiros, existem várias outras profissões que atuam diretamente contra o vírus.



Todas as vezes que compartilhamos textos em nossas redes sociais sobre a dura realidade da pandemia, tendemos a exaltar médicos e enfermeiros. Com razão, já que há mais de um ano esses profissionais lutam contra o vírus, sem descanso e sem poder demonstrar fraqueza. Mas é importante refletir que em hospitais e postos de saúde, não são apenas essas duas profissões que enfrentam a covid-19, existem várias outras inseridas na batalha.

É o que o maqueiro Antônio Soares, de 57 anos, morador do Mossoró, no sertão do Rio Grande do Norte, explica. Seu filho, João Soares, compartilhou uma foto em suas redes sociais mostrando o pai em mais um dia de trabalho. A ideia do filho, de 30 anos, era homenagear as várias profissões que estão na luta contra o vírus, e que, muitas vezes, não recebem reconhecimento.

Vestido para mais um dia de trabalho, Antônio afirma que sempre se orgulhou de sua profissão, mas que sentiu ainda mais quando o filho contou que a publicação viralizou.


Segundo reportagem da BBC, o maqueiro explica que os hospitais não são constituídos apenas de médicos e enfermeiros, existem os copeiros, recepcionistas, equipe da limpeza e manutenção, por exemplo, que também precisam atuar na linha de frente.

Essas inúmeras profissões, muitas vezes consideradas “invisíveis”, são parte importantíssima do processo, principalmente porque garantem que uma instituição hospitalar esteja em pleno funcionamento para que médicos e enfermeiros possam fazer seu trabalho. Antônio trabalha na área há 37 anos, sendo 20 deles como maqueiro, transportando pacientes que chegam ao hospital ou já estão em internação.

Antônio não nega a importância dos médicos e dos enfermeiros, mas considera que todos se arrisquem de forma igual, por isso merecem o mesmo reconhecimento.

No Brasil, não existem dados sobre a quantidade de maqueiros contaminados ou afastados por conta do vírus, mas é possível encontrar alguns relatos nas redes sociais, alguns de órgãos públicos de saúde, como é o caso da publicação da Secretaria do Estado de Saúde do Rio de Janeiro, que compartilhou uma homenagem a um dos colegas de profissão.


Rosinaldo da Conceição, de 47 anos, também é maqueiro e foi entrevistado para essa reportagem. O homem considera que está na “frente da linha de frente”, já que é o primeiro da sua unidade a ter contato com os inúmeros pacientes que chegam.

Há 15 anos trabalhando em um hospital municipal de Itaboraí, no Rio de Janeiro, é ele quem vai até a ambulância e coloca a pessoa na maca, em alguns casos, até carrega o paciente no colo.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Mesmo fazendo parte do grupo de risco, já que é diabético, Rosinaldo afirma que não vai deixar de trabalhar, principalmente porque estamos no meio de uma pandemia. Ele explica que tem muito amor pelas pessoas e que não consegue descrever a sensação de ver um paciente indo embora curado do hospital, sendo que quase não conseguia respirar.


Reconhecer as profissões que estão na batalha contra a covid-19 é uma questão de obrigação. São maqueiros, copeiros, recepcionistas, faxineiros, equipe de manutenção, motoristas, entre inúmeros outros trabalhadores.

Agradecemos a todos os profissionais que estão lutando todos os dias contra essa pandemia, que se arriscam para garantir que outras pessoas fiquem vivas. Vocês merecem todos os aplausos!

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“De nada vale querer fugir das consequências do que vivemos. A vida pede contas” (pe. Fábio de Melo)

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