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A máquina do tempo chamada amor…

De repente, tudo que um dia se tentou fazer por curiosidade ou desejo de aprender, e que por razão do tempo se esvaiu da memória ou do coração, vem à tona como se fosse a primeira vez, parecendo que a vida está dando outra chance de se divertir, de aprender a cantar, dançar, tocar, ver as oportunidades que estavam escondidas ou guardadas no fundo da alma.


Acorda-se empolgado, com o entusiasmo adolescente de que se pode ser o dono do mundo novamente. Mas, com uma diferença, ontem era uma autopromoção.

Hoje, essa vontade de resgatar as habilidades do passado tem fonte mais inspiradora, o amor. Não apenas entre pessoas, namoros ou amizades, mas pela vida em si.

Amor pode tudo, é uma verdadeira máquina do tempo, fazendo-nos voltar em nossos sonhos e aspirações que pensávamos terem já sucumbido.

Ledo engano, quando se mexe com  sentimentos sublimes do ser humano, tudo acontece de forma suave e fácil.


A vontade de agradar, de se doar, de andar junto em todos os momentos, de fazer sorrir, se acabar de rir até se engasgar, isso é gostar, é mais, é amar, sem medo de errar, sem medo de ser feliz, é se entregar de olhos vendados, sem medo de cair ou tropeçar, mesmo sabendo que faz parte da caminhada  alguns desníveis que podem desequilibrar, às vezes até machucar, e mesmo se cair, confiar que o outro está ali pra ajudar a levantar, isso é maturidade.

Amar é saber os limites do querer bem, é saber que ninguém é de ninguém, pois todos somos felizes sendo donos de nós mesmos. Mais felizes ainda quando dividimos nossas vidas com pessoas especiais. Especial, não perfeito.

Perfeição é algo chato, não dá espaços pra tirar onda, pra zoar, é robótico sem alma. Especial é diferente, é aquilo só nosso que consegue atrair por sua peculiaridade, é quando enxergamos o belo no feio, o engraçado no sem graça, as virtudes mais escondidas que só afloram na intimidade de um olhar sincero. Olhar que fala todas as línguas e dialetos, capaz de adentrar em espaços obscuros da psique humana, na busca pelo sim e pelo não que nos direciona diariamente ao próximo passo de um relacionamento. Especial como a beleza da própria vida, principalmente, quando sabemos conduzi-la de maneira simples, com sabedoria, respeito e gratidão.

E, assim, como a asa esquerda de um pássaro está para quem ama, a asa direita está para quem é amado, pois qual seria a importância de um sem a existência do outro, como voar faltando uma asa.


Amor real é via de mão dupla, é reciprocidade, é a troca de verdades, confiança e lealdade, é sentir-se protegido na palavra do outro, sem se importar tanto com opiniões alheias ou olhares tortos, é um misto de impulso com intuição, que vai além da razão, que por vezes, nos boicota tentando decifrar o ser humano em códigos matemáticos, complexos por natureza, mas, não sendo ciência, muito menos exata, não há regras definidas para tal sentimento, apenas a sensibilidade para se deixar apanhar de mãos atadas.

Conclusão?!… Bem, é melhor deixar as páginas em branco, para que sejam escritas com carinho,  esmero, sabedoria e tolerância que se espera de pessoas que amam de verdade.

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Direitos autorais da imagem de capa: pressmaster / 123RF Imagens





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