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Mariana tem, 6 anos após crime ambiental, 66% da população atingida por doenças psicológicas

Mariana tem 6 anos apos
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Em 2021 completou-se 6 anos de um dos maiores desastres ambientais já ocorridos no brasil. No dia 5 de novembro de 2015 a barragem de Fundão, localizada distrito de Bento Rodrigues se rompeu, transformando a vida dos moradores do município de Mariana em um verdadeiro pesadelo.

A barragem de rejeitos de mineração controlada pela Samarco cedeu, causando um cenário de filme de terror na cidade mineira.

Ambientalistas dizem que o evento pode ter sido responsável pelo maior impacto ambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos, com um volume total despejado de 62 milhões de metros cúbicos.

A lama chegou ao rio Doce, cuja bacia hidrográfica abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, muitos dos quais abastecem sua população com a água do rio.

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Direitos autorais: Reprodução.

Hoje, despois de tanto tempo, ainda há impasses com relação ao pagamento de indenizações aos atingidos, além do atraso na reconstrução dos distritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira. O chefe da Força Tarefa do Ministério Público Federal (MPF), o procurador Carlos Bruno Ferreira da Silva, conversou com a rádio mineira Itatiaia FM e deu um panorama.

“Há um cenário de muita desesperança nesse momento. A população reclama da qualidade da água, e a qualidade da água afeta tanto a atividade que depende da água como a agricultura e a pesca, como o próprio consumo humano das pessoas na região”, enfatizou.

Ele ainda disse que existem queixas relacionadas a problemas de saúde devido ao trágico acontecimento, reclamações sobre a falta da recuperação ambiental e referentes às assessorias técnicas independentes. “Então me parece que a avaliação da população, infelizmente, é muito negativa porque não houve reparação ao longo desses últimos seis anos”, destacou.

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Direitos autorais: Reprodução.

Na justiça

Jarbas Soares, promotor e chefe do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), criticou a atuação da Fundação Renova, criada em 2016 e financiada pelas mineradoras Vale, Samarco e BHP – responsáveis pelo desastre – para cuidar das ações de reparação.

“A Fundação Renova, ao nosso ver, ficou maior do que deveria. O problema é de gestão e de resultados. Nós apontamos isso na ação civil proposta pelo Ministério Público, perante a 5ª Vara Civil de Belo Horizonte, e acabou que a Fundação Renova não conseguiu responder e solucionar as questões. A responsabilidade final é da empresa Samarco e das suas controladoras. Nós esperamos que haja a extinção da Fundação Renova com o tempo, a assunção das responsabilidades pelas empresas e as soluções”, disse.

Já o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Luiz Fux, é responsável por mediar as tratativas para um novo acordo de reparação. Inicialmente é realizado o pedido de indenização impetrado pelo MPF e pelo rompimento da barragem de Mariana, que estipulou o valor de R$ 155 bilhões.

“Apesar de ainda não estarmos, infelizmente, próximos do fim da repactuação, entendo que avançamos em passos muito sólidos, muito seguros. O Ministério Público Federal espera que no primeiro semestre do ano que vem consigamos finalmente dar uma resposta total e definitiva para os vários problemas causados a população do Vale do Rio Doce e a Costa do Espírito Santo por essa terrível tragédia de Mariana”, ponderou Carlos Bruno Ferreira da Silva, procurador do MPF.

Jarbas Soares também defende um novo acordo. “Esse novo acordo, se acontecer, quero a redenção de grande parte desses problemas. O acordo é bom para as empresas, é bom para os atingidos, é bom para os municípios, é bom para os Estados e para a União. Hoje, ninguém está satisfeito, porque os resultados não foram atingidos. Com a nova repactuação, com novas obrigações, com ressarcimento, mesmo que seja a médio e curto prazo, tenho esperanças que nós vamos ter melhores soluções”, disse.

O lado atingido

Mauro Marcos da Silva, que teve sua vida totalmente revirada pela tragédia, hoje é o representante das vítimas e fala sobre a sensação de abandono, seis anos depois. “Após seis anos do maior crime socioambiental do Brasil, pra nós vítimas, o sentimento é de total abandono por parte das empresas e quiçá por parte da Justiça. Infelizmente, as coisas vão numa morosidade muito grande e as pessoas estão desesperançosas à beira do desespero visto que, após esses seis anos, já perdemos 39 pessoas da nossa comunidade”, relatou.

“Não sabemos ao certo quando iremos ter a nossa vida retomada. São seis anos que estamos num vazio e isso vai consumindo as pessoas. O nível de depressão e doenças psicológicas atinge 66% da população atingida. Então hoje, o que nós queremos e precisamos é de uma resposta mais efetiva”, finalizou.

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