Comportamento

“Se sente protegida e não está”, diz médica sobre pacientes que fazem “tratamento precoce” contra covid

se sente protegida e nao esta diz medica sobre pacientes que fazem tratamento precoce contra Covid

Entenda o que a infectologista Naihma Salum Fontana, que trabalha na linha de frente, tem a dizer sobre esse tipo de “tratamento”.



Com a necessidade de prevenção contra a covid-19, cujas medidas todos nós já conhecemos, surgiu uma nova forma de tentar manter o coronavírus longe do corpo, que tem se tornado bastante comum: o “tratamento precoce”.

Segundo uma matéria da Folha UOL, após dezenas de estudos, os pesquisadores não encontraram efeitos realmente benéficos da hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina e ivermectina, remédios usados nesse “tratamento” para melhorar a doença. No entanto, muitas pessoas têm adotado essas medidas, o que traz preocupação a muitos profissionais da saúde.

Um deles é a infectologista Naihma Salum Fontana, que trabalha na linha de frente contra a doença, em Sorocaba (SP). Ela conversou com o G1 sobre situações que vivenciou com pacientes contaminados pelo vírus que procuraram ajuda depois de utilizar esses medicamentos “preventivos”.


Naihma é médica há doze anos e infectologista há sete. Ela relatou sobre três casos específicos que vivenciou nos últimos meses, e em um deles, o paciente não resistiu e veio a óbito por complicações.

Um dos casos foi de uma mulher de 40 anos, que estava na 28ª semana de gravidez. Ela não queria buscar ajuda em um hospital, por isso começou a se medicar com hidroxicloroquina, por conta própria, sem nenhum tipo de orientação médica. No entanto, precisou ser internada, porque já tinha uma arritmia e precisava de medicação.

Os médicos foram capazes de manter sua gestação por mais duas semanas, mas a paciente chegou a ter insuficiência respiratória e quase foi a óbito. Felizmente, nesse caso, tanto ela quanto o bebê sobreviveram.

O segundo paciente era um homem de 50 anos, que se medicava com altas doses de ivermectina, por isso apresentou um quadro de hepatite fulminante. Após uma alta dose, ele foi internado e retirado da medicação pelos médicos. Ele nem mesmo chegou a ter covid-19.


O terceiro caso, dessa vez fatal, foi de um homem de 36 anos, que era obeso e do grupo de risco. Ele tomava cloroquina e ivermectina, e sentia falta de ar. O homem procurou o hospital com o quadro de cianose labial, que é quando a pele fica roxa, e foi entubado e levado para o hospital em que Naihma trabalha, em Sorocaba.

Depois de 72 horas internado, veio a óbito. Segundo a médica, ele apresentava um quadro muito grave da doença.

Naihma explicou que o uso desses medicamentos pode resultar em demora na busca do serviço de saúde para avaliação dos efeitos silenciosos da doença, e que a pessoa se sente protegida, mas não está.

Ela ainda afirmou que o “tratamento precoce” não funciona, e que diversos estudos já provaram que as medicações não são eficazes na redução da probabilidade de necessidade de intubação e ventilação mecânica, ou mesmo na redução das chances de morte.


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