Comportamento

Médica intuba dois pacientes em plantão e ‘debocha’: “kakakakka mais um e eu peço música”

Publicação da médica teve bastante repercussão e gerou duras críticas. Veja!



A médica Leanara Amaro Rocha, de Guajará-Mirim (RO), se envolveu em uma grande polêmica após realizar uma publicação nas redes sociais.

Segundo o Jornal Extra, a médica, formada por antecipação, em maio de 2020, por conta da pandemia, postou um stories em seu perfil no Instagram, em que fazia “piada” pelo fato de intubar dois pacientes em seu plantão.

Ela escreveu “kakakakka. Mais um e eu peço música no Fantástico”, e usou um emoji de risada. A publicação repercutiu rápida e negativamente. Desde internautas até políticos se revoltaram com a publicação.


O vereador Rivan Eguez (PV) informou em uma publicação em seu perfil no Facebook, ter levado o caso às autoridades. Ele ainda teria dito que sentiu revolta e indignação, e que entrou em contato com o plantão do Ministério Público, tendo recebido orientações para “cobrar providências” da direção do Hospital Regional, da Secretaria Municipal de Saúde e da prefeitura.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Rivan Eguez.

A prefeitura de Guajará-Mirim afirmou, em nota, no último dia 20, que “não concorda, não compactua e repudia de todas as formas a atitude da médica”.

Na nota, também afirmava que a médica havia pedido exoneração no começo do ano, e que em seguida ficou afastada por problemas de saúde. Sobre o plantão em que Leanara atuou, a prefeitura explicou que a médica se prontificou a ajudar, apesar de estar assegurada por atestado médico.


A prefeitura ainda afirmou ter tomado as medidas cabíveis sobre o acontecido e que continuará agindo para evitar situações semelhantes.

Após todas as críticas e a exposição de seu caso, Leanara Rocha escreveu uma carta em que se desculpa com a população do município por sua atitude. Ela afirmou que foi uma publicação não pensada, que não teve intenção maldosa e que jamais se posicionaria de forma cruel sobre a covid-19.

A médica ainda relata que trabalha na cidade desde que se formou, sem colegas com quem dividir plantões, e que foi afastada por “exaustão profissional” e “síndrome de Burnout”, mas ainda assim voltou para ajudar.

Ela finalizou dizendo que tratará todos os pacientes que chegarem a ela com respeito, carinho e dedicação.


Confira abaixo a carta da médica divulgada na íntegra pelo Jornal Extra:

“Carta aberta à população de Guajará-Mirim

Diante dos acontecimentos envolvendo meu perfil pessoal, o Instagram, e das inúmeras repercussões negativas a respeito de um post realizado em modo de stories, achei justo me posicionar a respeito do assunto:

Eu sou Leanara Amaro Rocha, pros meus amigos mais próximos a Léa, a Dra. Léa. Nascida e criada em Guajará-Mirim até os meus 14 anos, quando tive o sonho de ser Médica, desde então, fui morar fora junto com meu irmão em Cuiabá/MT e lá permanecemos por 3 anos sozinhos, um sob responsabilidade do outro, estudando em escola em período integral; após todos esses anos e não suficiente para ingressar em uma faculdade de Medicina, cursei mais um ano de cursinho em Porto Velho/RO sendo aprovada em uma instituição particular para Medicina em que permaneci por um ano.


Devido às inúmeras intempéries financeiras de só quem tem um filho em período de Graduação em instituição particular pode entender, foi necessário buscar novas oportunidades, sendo aprovada um ano depois na Universidade pública do Estado.

Tive formatura adiantada no período de pandemia pela COVID-19 em 2020 tendo em vista o status de calamidade pública do nosso Estado, sendo Guajará-Mirim/RO uma das cidades com maior taxa de mortalidade do Estado na época com falta de profissionais médicos para linha de frente.

Não posso dizer que essa era minha primeira opção de emprego, nem a segunda e por muitos e muitos dias sofri pessoalmente com a realidade do município em que nasci, tive pesadelos, pensei na minha família que ficou aqui, nos meus amigos que ficaram, nos amigos dos meus pais, no meu pai. E se fosse algum deles? E se algum deles precisar de assistência e essa não estiver disponível? E se?

Com tantas dúvidas e contrariando todos aqueles que são mais próximos de mim, decidi voltar a Guajará-Mirim, na intenção de tocar uma vida, de melhorar a realidade de pelo menos uma pessoa, isso para mim já teria pago todos os meus anos de estudo, de morar fora sozinha, de perder dias com as pessoas que amo por um bem maior.


Peço publicamente desculpas a todos os conterrâneos, familiares, amigos de familiares, conhecidos, aos gestores desse Município, meus colegas de trabalho e aos principais, os meus pacientes por uma publicação não pensada, sem teor nenhum de maldade ou sentimentos ruins que foi reproduzida inúmeras e inúmeras vezes com teor totalmente diferente e discrepante do sentimento expressado naquele momento: “Rir pra não chorar”. Jamais e por hipótese nenhuma comemoraria de maneira cruel sobre os péssimos desfechos da Covid-19.

Trabalho nesta cidade desde o dia em que me formei Médica, em maio de 2020, às vezes com uma carga horária longa de hora de trabalho sem descanso e sem colegas para revezar o plantão: 36h, 48h, 72h… E neste último mês fui afastada pelos meus colegas por exaustão profissional. Síndrome de Burnout, e mesmo estando de atestado para descansar, voltei, tive um plantão tumultuado e acabei removendo paciente grave em 8h de viagem para o Hospital Referência.

Todos os meus pacientes e as pessoas que chegarem até mim serão tratadas com respeito, carinho e dedicação até que se recuperem.

A essas pessoas todo meu respeito e pedido de desculpas.


Abraços

Leanara Amaro Rocha”

O que você acha sobre esse caso?

Comente abaixo sua opinião e compartilhe o texto nas redes sociais!


Patinho louco: as etapas do bullying

Artigo Anterior

Senhor de 92 anos, com covid-19, recebe visita de cadelinha em hospital e falece dois dias depois

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.