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Médico atende criança em canoa, no meio da maior enchente da história do Acre

Rodrigo Damasceno vai à casa dos pacientes para fazer os atendimentos. Eles têm sofrido com a covid-19, as enchentes e a dengue.



Em Tarauacá, interior do Acre, o médico Rodrigo Damasceno dá um incrível exemplo de compaixão e atenção, honrando sua profissão.

A região tem sofrido com fortes enchentes, classificadas como as mais graves da história, com a dengue e a covid-19, conforme reportagem do G1.

A fotografia do médico dentro d’água, atendendo uma criança, é comovente e mostra o melhor lado daqueles que trabalham para ajudar o próximo.

Com apenas 2 anos, a criança atendida por Rodrigo apresentava pneumonia e, dadas as condições, a família estava isolada na residência, sem poder sair para conseguir atendimento médico.

Na foto, é possível ver que a água ultrapassa a cintura do médico e de sua auxiliar, enquanto a mãe e seu bebê estão em uma canoa.


Quem registrou o momento foi o fotógrafo Lucas Melo, que acompanhava a equipe médica nos atendimentos. Rodrigo explica que eles têm muita dificuldade de deixar os barcos próximos, lado a lado, por isso a melhor alternativa é descer e atender os pacientes de dentro da água, onde tem melhor mobilidade.

O médico conta que não adianta apenas atender, a maioria das famílias que se encontram nessa situação são vulneráveis e, sem o auxílio emergencial, têm passado fome, não tendo dinheiro também para comprar os remédios prescritos.


Direitos autorais: Gleydison Meireles/arquivo pessoal.

Por isso Rodrigo distribui os remédios que consegue nas farmácias locais, já que sabe que apenas fornecer as receitas não vai resolver o problema.

O município de Tarauacá enfrenta uma das maiores enchentes da sua história, com mais de 90% de seu território inundado e 400 famílias desabrigadas. O rio Tarauacá está 1,55 m acima do limite máximo, e a defesa civil da região estipula que pelo menos 7 mil famílias tenham sido atingidas pelas suas águas.

Rodrigo Damasceno relatou que esse é o momento de ir atrás dos pacientes, prestar-lhes atendimento, pois muitas famílias estão isoladas nos bairros, sem conseguir sair para buscar ajuda. Como se não bastasse, muitas unidades de saúde estão inundadas, o que deixa os atendimentos ainda mais escassos e a população ainda mais vulnerável.

Direitos autorais: Gleydison Meireles/arquivo pessoal.

A família da criança atendida na canoa não saiu de casa, mesmo com a água invadindo o local. A mãe explicou que tem medo que vizinhos ou outras pessoas entrem na residência e furtem seus bens.

Muitas famílias estão passando fome, conforme relata o médico, e em uma ocasião em que foi a uma casa entregar sopa, percebeu que as pessoas não haviam tomado café da manhã nem almoçado, a única refeição que fariam seria a sopa doada.

Direitos autorais: Gleydison Meireles/arquivo pessoal.

Gladson Cameli, governador do Acre, decretou, dia 16 de fevereiro, estado de emergência e citou os municípios de Rio Branco, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Feijó, Tarauacá, Jordão, Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima e Rodrigues Alves como os mais afetados por essas condições.

O governo federal reconheceu, dia 18, a situação de emergência na capital e em Tarauacá, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União.

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