Comportamento

Médico sofre racismo e é chamado de “porteiro” de hospital: “Se surpreendem com médico negro”

6 capa Medico sofre racismo e e confundido com porteiro de hospital Se surpreendem com um medico negro

Fred Nicácio já passou por diversas situações de racismo, foi desacreditado no exercício de sua profissão e sempre precisa ser três vezes melhor do que uma pessoa branca na mesma posição.



No segundo mês de quarentena em São Paulo, num hospital no interior, um paciente insistiu em ser internado porque apresentava sintomas que considerava serem de covid-19.

O médico que o atendeu, prescreveu-lhe medicação e recomendou que ele voltasse para casa. Dispensado, o paciente se dirigiu a um funcionário do hospital, dizendo: “Quem aquele porteiro pensa que é?”, já que acreditava precisar sim ser internado.

O dermatologista Fred Nicácio, de 34 anos, era o médico plantonista naquele dia no hospital de Lençóis Paulista. Ele explica, em entrevista ao UOL, que os racistas são, sobretudo, covardes, já que costumam proferir suas ofensas a distância. Fred é um médico negro, e essa não foi a primeira vez que passou por episódios de racismo.


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Direitos autorais: reprodução Instagram/@frednicacio.

Em outro momento, uma paciente, também branca, mostrou surpresa ao ver que seria atendida por ele, e fez sucessivas perguntas técnicas. Quando recebeu o diagnóstico de que teria de tomar uma medicação na veia, foi até o posto de medicação do hospital e perguntou se o “moço moreno” realmente era médico. Quando recebeu a confirmação, preferiu ir embora do que seguir as recomendações de um profissional.

Fred é ex-modelo e possui graduação também em fisioterapia. Desde 2019, vive em Bauru, com seu companheiro, o cirurgião-dentista Fábio Gelonese.

Além da clínica que administra com o marido, também atende voluntariamente no hospital de campanha para vítimas do novo coronavírus desde março de 2020.


O currículo é extenso, mas ainda sobra espaço para o médico atuar como influenciador digital no Instagram, com mais de 340 mil seguidores. Foi com uma postagem, em agosto de 2018, que sua página começou a atingir mais pessoas. Ele atendeu Dona Eunice, uma paciente de 74 anos, também negra, que nunca tinha visto um médico negro. Isso não é à toa, de acordo com dados do Ministério Publico do Trabalho (MPT), em levantamento do UOL, menos de 2% dos médicos no Brasil são negros.

Fred explica que sua vida e trajetória são iguais às da maioria da população negra, que nunca teve um colega negro; conheceu apenas uma professora negra na graduação (que não era médica) e nunca foi atendido por um médico negro. Ele ressalta que, se pensarmos que os negros e pardos compõem mais de 50% da população brasileira, não existir negros em posições altas da área da saúde reflete quão elitista e racista é nossa nação.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/@frednicacio.

Para o médico, a melhor forma de diminuir a desigualdade racial dentro da medicina é aumentando as possibilidades e oportunidades das pessoas negras, para que elas consigam acessar esses espaços. Quando uma pessoa negra sonha em ser médica, ela já está rompendo com a realidade da maioria, e ele completa que ainda existem as dificuldades educacionais.


Fred cresceu ouvindo do pai que, para ser considerado bom, ele precisava ser três vezes melhor que uma pessoa branca. Ele nasceu e foi criado na periferia de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, mas recebeu uma educação antirracista de seus pais.

De acordo com ele, ainda é muito comum que os pacientes estranhem quando veem um negro numa posição tão hierarquicamente consagrada na sociedade.

Ele revela que, muitas vezes, perguntam-lhe “onde está o médico?”, acreditando que ele jamais seria um profissional desse nível. Mas quando ele quebra esse estereótipo, passa a ser visto como um herói e ponto de referência, muito importante para crianças e jovens que precisam se reconhecer em outras pessoas em posições renomadas da sociedade.

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