AutoconhecimentoMensagem de Reflexão

Meditei por 10 dias seguidos… e o resultado não foi o que eu esperava.

vipassana meditation retreat1

Prometi que quando voltasse de meu retiro meditativo Vipassana de 10 dias em Ontario nesse último fim de semana eu iria escrever sobre todas as minhas experiências, imediatamente. Meus dez dias consistiram em meditar, comer, caminhar levemente e nenhuma forma de comunicação ou entretenimento para distrair a mente. Eu provavelmente escreveria algo interessante, certo? No final da tarde já vou ter digitado e editado tudo. Era o que eu pensava nos primeiros dias do retiro.



Estava completamente enganado.

Mesmo quando voltei para sociedade, aquele momento onde o nobre silêncio foi quebrado e nós poderíamos falar normalmente de novo, senti um terremoto caótico se formar dentro de mim. Dez dias de silêncio e meditação me abalaram. Quebrei a estabilidade emocional que acreditava que tinha com a experiência. O dia seguinte que voltei para o mundo e pisei no meu apartamento em Buffalo, escrever uma postagem de blog me deu nojo. Estava sozinho, deprimido e extremamente desconfortável.

Vipassana, uma meditação baseada nos nsinamentos do Buddha e popularizados na sociedade ocidental pelo recém-falecido S.N. Goenka, tentativas de livrar a mente de suas impurezas. A meditação dura dez dias onde a pessoa faz um juramento de ‘nobre silêncio”, nenhuma comunicação com ninguém exceto professores e assistentes. refeições eram simples e vegetarianas. A agenda diária consistia de mais de onze horas de meditação com pausas para comidas e descansos e um discurso em vídeo sobre prática apropriada por Goenka. Acordar quatro da manhã. Dormir às nove e meia da noite.


Esse tipo de meditação precisa ser levada a sério. É uma das tarefas mais desafiadoras mental, emocional e fisicamentes que já fiz. Sim, você leu certo, é desafiador fisicamente mesmo quando você só senta com as pernas cruzadas em colchões de meditação ou fazer caminhadas leves.

Então eu me forcei a pensar no que eu poderia escrever sobre o assunto agora que minha confiança está começando a voltar e eu posso realmente apreciar tudo o que eu aprendi enquanto estava lá. Eu não quero adiantar demais por que eu tinha expectativas e para as pessoas interessadas em tentar meu único conselho é para que você abandone suas expectativas. Elas diminuem bastante a qualidade da meditação e a concentração. Mas eu gostaria de dividir algumas das belas lições eu não apenas aprendi mas consegui compreender completamente por ter experimentado elas na pele.

Pare de fazer dor mental da sua dor física

A voz calma e assertiva do espírito de Goenka se projetou nos alto-falantes pela sala de meditação. Era quase como se o velho estivesse lá comigo. Sabendo exatamente o que sentia naquele momento em que mais precisava de encorajamento.


Três vezes por dia durante a segunda parte da meditação, havia um exercício chamado ‘determinação forte’, que durava uma hora e consistira apenas em ficar sentado. Você não pode se mover, abrir os olhos ou mãos nem as pernas. Você fica apenas em uma posição por uma hora inteira. Estava no meio de uma dessas horas agonizantes.

Nessa situação, dor física tende a surgir. Pessoalmente, meus joelhos, quadris, ombros e a maioria das minhas costas estavam doendo. Haviam pontos na meditação que senti como se alguém estivesse me cutucando com metal em brasa como um escultor sádico controlando os pontos onde minha dor acontecia. Mais e mais a dor surgia.

Saber que todas as sensações, incluindo as intensas sensações de nojo não vão durar pra sempre

O único problema com a compreensão intelectual da lei da impermanência, que o vipassana se concentra, é que quando realmente está acontecendo, não importa se você sabe ou não. Só importa que sua mente grita ‘CHEGA DE DOR, VOCÊ NÃO VAI DURAR UMA HORA NESSA POSIÇÃO, LEVANTA E VAI EMBORA’.


Claro, te ensinam a se manter equânime e tratar tudo com igualdade por causa da natureza impermanente de todas as cosias. Quando você sente dor você é ensinado a apenas percebê-lo, se manter objetivo “como um doutor examinando o corpo” e então se concentrar na próxima parte. Quando você sente a dor se espalhar ela é bem intensa, e é bem difícil se manter equânime. A dor se torna o seu foco.

Mas com a orientação de Goenka eu comecei a reconhecer quanta dor era real e física e quanta dor era criada pela minha mente e pela percepção da dor. Eu percebi rapidamente que não era a dor concreta que me machucava mais, mas o monstro que eu criava na minha mente da dor.

Não era apenas “Tem uma sensação intensa no meu joelho esquerdo”. Minha mente estava rodando uma história de terror. Eu imaginava a aflição e a agonia que eu precisava lidar pelo resto dos próximos dez dias com toda essa dor. Eu estava agora experimentando a dor e a ansiedade que valia dez dias de sensações intensas. “Quando essa dor acabar, eu posso me concentrar”, pensava tolamente comigo mesmo. Eu não estava sendo objetivo. Eu não estava sendo equânime.

Levei algum tempo para perceber mas lentamente eu compreendi que esse comportamento não estava limitado para a sala de meditação. Quantas vezes na vida nós temos dores ‘bobas’; situações indesejáveis que nos causam preocupações que consomem nossa vida quando nós deveríamos estar fazendo outras coisas e apreciando a vida. A vida é imperfeita toda hora, e não conseguimos relaxar. Não conseguimos apreciar a vida.


Eu tinha algumas contas para pagar e estava preocupado durante o retiro. Estava constantemente pensando e me preocupando com essas coisas enquanto meditava. A dor era que ei tinha contas para pagar – isso era real. O monstro que eu criei, porém, me disse que eu ia terminar falido e destituído para sempre, um escravo das contas e pagamentos.

Nossa, que dramático. E isso consumiu cada atividade e cada momento do meu ser. Nada bom.

Esse drama me ajudou a pagar as contas? Não. Tive uma experiência melhor de meditação por causa do meu pensamento incessante? Definitivamente não. A qualidade da meditação diminuiu seriamente por causa disso.

Mas em algum ponto, eu decidi que o retiro não serviu para fugir no mundo, mas para encontrar comigo mesmo. E isso seria alcançado se eu fugisse (mentalmente) de toras as dores que surgissem. “Talvez o que esse velho indiano está falando tanto tenha algum mérito”. Comecei a aceitar que toda a dor estava lá e mantive minha compostura. Parei de reagir. Coloquei toda minha energia para manter minha mente equilibrada e não criar nenhuma dor mental, e adivinha só, a dor física começou a ir embora sozinha. Aprendi uma lição importantíssima.


Não haverá nenhum momento em nossa vida onde algo ‘ruim’ não está acontecendo por trás dos panos. A vida não é boa pra sempre. Terão coisas ruins, ou pelo menos até onde nossa percepção permite enxergar. Nada dura pra sempre e a lei da natureza é a lei da impermanência. Os que esperam para todos os problemas serem resolvidos para serem felizes estão estão esperando passar o dia que vão morrer.

Então, mantenha um sorriso no seu rosto, saiba que o tempo ruim vai passar eventualmente, e esteja grato pelo tempo bom, pois estes também tem um prazo de validade.

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