publicidade

Medo de “julgar” o outro é desculpa de quem não assume que também erra!

Deixemos de hipocrisia, vai! Todo mundo aqui já julgou, acusou e condenou o outro a torto e a direito. Não é certo, mas é humano. E negá-lo é o jeito mais fácil de perpetuar o erro. Melhor é assumir e corrigir.



Mas não. Enfiamos em nossa própria cabeça a minhoca de que somos “os mocinhos” e nos dispensamos de qualquer autocrítica. Seguimos errando na prática e tagarelando a teoria de que somos perfeitos e bem resolvidos, discursando o quanto não julgamos ninguém, convencidos de que somos tolerantes e bacanas. Balela! Cegos feito morcegos, penduramos de ponta-cabeça no galho do autoengano e dormimos acreditando na própria mentira.

Não, eu não estou defendendo o “julgamento” geral do outro. Eu só acho patético que toda tentativa de reflexão a respeito de qualquer comportamento duvidoso seja generalizada como “julgamento”.

Você diz “aquele canalha espancou a esposa” e alguém responde “cuidado! Você está julgando o outro”.


Você pondera “o sujeito passa o réveillon no retiro espiritual e volta no Ano Novo pior do que antes, enganando, insultando, maltratando seus funcionários” e um santo contrapõe: “pelo menos ele está tentando, cuidado, seja tolerante, você está julgando o outro…”.

Olha aqui, prezado humano perfeito e irrepreensível: ser paciente e compreensivo com o outro não quer dizer passar a mão na cabeça dele enquanto assistimos a seu comportamento tacanho, não. E discutir o que acreditamos ser uma má ação não é necessariamente um “julgamento”. Antes, é uma tentativa de aceitar e compreender o outro no que pensamos ser a sua imperfeição. E isso não se faz sem discussão, sem reflexão, sem pensamento, isso tudo que os perfeitos adoram interromper repetindo que não se pode “julgar o outro”.

É só tocar em determinado assunto, a grosseria, a hipocrisia, o mau caratismo e vem uma entidade perfeita, a materialização das virtudes do mundo, acusá-lo da prática maldita de “julgar o outro”, numa espécie bizarra de “julgamento do julgamento”.


Se seguirmos assim, nos autoincapacitando de pensar e de tocar certas feridas, em breve seremos nada além de mulas estrábicas, antas estúpidas, papagaios adestrados repetindo asneiras e se achando “autênticos”, mas incapazes de formular um raciocínio, de resolver nossas questões e de seguir em frente. Isso se chama paralisia!

Aí vem outro bastião da moral e dos bons costumes e repete em tom professoral: “ahh… se cada um cuidasse da própria vida e deixasse a do outro isso não aconteceria…”.

Não mesmo? Será tão simples assim? Será que ninguém percebe o quanto esse tipo de receita pronta é superficial, simplista, insuficiente e cínica?

Já que não estamos sós, que vivemos em sociedade e que há convenções coletivas regulando o comportamento e as ações de cada um, em certas instâncias é preciso, sim, olhar “o outro” como a nós mesmos. Em seus acertos e em suas mancadas. O que não me interessa é a sua vida pessoal, o que você faz no recanto de sua individualidade. Já o seu comportamento em sociedade, aquilo que me afeta direta ou indiretamente, me interessa muito!

Esse medinho de “julgar” o outro é a desculpa perfeita de quem tem preguiça de pensar. Preguiça de questionar os próprios erros. Quem sabe um dia os perfeitos desconfiem. Mas eu acho difícil. Gente perfeita é tão perfeita e evoluída que dispensa trabalho pesado. E pensar, cá entre nós, é esforço braçal.

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.