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Medo + raiva contidos = ansiedade

O que nos ameaça, o que nos persegue, gerando em nós esse medo vago – essa ansiedade – tão presente tantas vezes na vida de quase todos?



MEDO + RAIVA (CONTIDOS) = ANSIEDADE

Essa é a fórmula do explosivo de qualquer briga de casal.

Precisamos aprofundar, e é bom para qualquer um aprofundar a compreensão do que é a ansiedade porque ela está presente em quase todos na maior parte do tempo.


Um explosivo – assim a sentimos: quando estamos ansiosos, nosso corpo parece cheio de energia, pronto para fazer “não sei o quê”.

Podemos compreender em que consiste, como se forma e o que fazer para diminuí-la ou aproveitá-la, conforme o caso. Sim, isso mesmo, aproveitá-la; existe uma ansiedade boa e depois falamos dela.

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Mas primeiro a ruim – a que nos leva a dizer e a fazer coisas extremas das quais depois nos envergonhamos.


Principalmente durante brigas de casal, mas também nas brigas entre pais e filhos – você sabe – dizemos cada uma! Depois fico horas em conversa interior, “provando” por a+b que tudo o que disse era aquilo mesmo. Mas reconheço que posso ter sido meio grosso. Homem, sabe como é …

Os modelos mais simples de ansiedade são a pressa e a impaciência. Nos dois casos estamos preparados (pré – parados!), aqui e agora, para uma atitude ou um comportamento que só poderemos realizar lá – no lugar do compromisso.

Em nível subjetivo é o que sentimos:

. quando presos a uma situação da qual gostaríamos de fugir;


. ou experimentamos uma raiva que não podemos manifestar.

Aqui, medo e ansiedade são tidos como emoções “iguais” em relação às sensações internas – iguais para quem as sente. Se existe perigo ou ameaça evidentes, diremos “estou sentindo medo”. Ocorrendo as mesmas sensações sem ameaça, perigo ou opressão identificáveis, diremos “estou ansioso”. Para nossa conversa, medo, ansiedade, angústia, impaciência, sensação de pressa – ou de opressão – e “gastura” (Nordeste) são sinônimos.

“Síndrome do Pânico” é a perturbação emocional que consiste na facilidade de sofrer de intensas crises de ansiedade. A pessoa está apavorada e não sabe nem percebe o que à leva à beira da desorganização total do comportamento. Isso é o pânico. A doença nada tem de moderna. Mestre Freud durante a vida toda estudou a ansiedade, e toda a sua teoria gira em torno dela – como surge e o que fazemos para “fazer de conta” que ela não está aí.

Tampouco pense que só os seres humanos sentem ansiedade. Todos os mamíferos com certeza podem experimentar ou sofrer de ansiedade – basta ter um sistema nervoso simpático.


O segredo da ansiedade

Qual a diferença entre uma pessoa confortavelmente sentada em uma poltrona assistindo à TV e essa mesma pessoa correndo no limite de sua resistência, fazendo seu Cooper? Enorme, não é?

E entre uma zebrinha pastando tranquilamente na savana e outra dando tudo o que tem para fugir da leoa?200447888-001

Já pensou nisso? Quando um bicho dispara para fugir de um predador, seu organismo sofre uma aceleração automática considerável do coração, da respiração, da circulação. Aumentam o tônus muscular, a glicemia, a pressão arterial, a abertura dos capilares nos músculos e mais. Todas as funções necessárias para o esforço extra se intensificam.


Sabe o que é tudo isso? Efeito da adrenalina, tão na moda!

Ela serve para isso, para preparar (pré – parar, lembra-se? ) um animal ou uma pessoa para que lute ou fuja. Tanto na luta quanto na fuga – em condições naturais – o animal precisa de um aporte muito maior de energia para a movimentação complicada, intensa, por vezes demorada, presente nas situações de ataque e/ou fuga.

Se, no meio de um salto em que um leopardo fosse alcançar um cervo, nós o imobilizássemos com uma rede bem apertada, ele sofreria uma crise de pânico: inteiramente acelerado e preparado para agir – ei-lo paralisado! Se o caso fosse automobilístico, poderíamos dizer: a pessoa vítima de ansiedade está com um pé no acelerador e outro no freio!

Claro que essa aceleração visceral com alta freagem do comportamento resulta em verdadeira tempestade orgânica. A ansiedade é a “causa” imediata de toda a patologia psicossomática – ou de todas as somatizações: transformação de um conflito de impulsos “psicológicos” em sintomas corporais. Como isso funciona no cotidiano de quase todos nós?


O que nos ameaça, o que nos persegue, gerando em nós esse medo vago – essa ansiedade – tão presente tantas vezes na vida de quase todos? O que a adrenalina e as lutas da natureza têm a ver com briga de casal? O maior problema da ansiedade – e a única maneira de lidar com ela – é saber qual o perigo – sempre real – que ameaça a pessoa sem que ela consiga localizá-lo.

Exemplos tornarão a questão transparente. Para uma criança de 3 ou 4 anos, mãe irada e ameaçadora pode ser pior que uma onça para um veadinho. Mas, se o garoto disser estar morrendo de medo de sua mãe, ninguém acreditará, pois mãe é sempre boa e o lar é o lugar da paz…

Imaginemos a casa de um pai autoritário, daqueles bem chatos. Na hora em que ele chega em casa, todos mudam de jeito – e de respiração! Ficam contidos, em alerta! Chegou o perigo e todos se aprontam para não despertar a fera. Todos ansiosos, com muita vontade de ir embora, sair da mesa – e de casa! Mas não pode. Filho não sai de casa assim, à toa, não é?

E quando marido e mulher brigam e depois se veem deitados lado a lado na mesma cama? Ambos com vontade de agredir o outro – ou vontade de estar longe – sem fazer uma coisa nem outra?


E se você trabalha com um patrão do velho estilo? Você não vive o tempo todo desejando ir embora, achar outro lugar? Ou com vontade de dizer para o velho algumas coisas que ele precisaria ouvir? Mas você não diz nada e continua aí, não é? Pois é: medo ou raiva – corpo pronto para agir e ao mesmo tempo freado, contido. Pé no acelerador e pé no freio, não é?

E quando você está ao lado dela mas as coisas estão sem graça?

Acontece que é quarta-feira – dia de namorar… Então fica, e daí a cinco minutos começa uma briga porque a sua vontade, naquele momento, era estar em outro lugar. Pode dar-se de ela também estar com a cabeça em outro assunto, como não? Mas como é quarta-feira, dia de namorar, continuam aí, ambos com vontade de estar em outro lugar ou até com outra pessoa! Seu animal – que jamais será civilizado – o empurra para longe e seu compromisso social o mantém aí, perto.

Depois de um tempo pode até acontecer de seu animal começar a ficar com raiva por estar preso! Aí as coisas pioram e, levado por essa sequência de sentimentos e reações, você começa a lembrar o domingo passado, no baile, quando ela dançou com seu amigo e – conforme parecia – estava gostando bastante! O resto você já sabe – até bem demais!


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O que mata – os sentimentos e o aqui/agora – é a obrigatoriedade de estar junto. Em certos casamentos, então, parecem colados – e há quem goste disso e diga, até, que o certo é assim, “família que permanece unida… “

A questão é essa: quantas vezes e durante quanto tempo duas pessoas têm prazer em estar juntas e em fazer companhia uma para a outra? Perceber a hora da despedida – e despedir-se! – é um dos maiores e melhores segredos dos bons relacionamentos.

A essa descrição primária, é preciso acrescentar algumas variáveis capazes de despertar ou alimentar ansiedade. Falo do condicionamento. Se alguém foi atropelado por um Escort azul-pavão, poderá depois sofrer crises de ansiedade ao ver carro igual e até ao ver a cor azul.

Não estranhe. Se um animal for atacado perto de certa árvore e conseguir escapar, nunca mais passará perto dessa árvore. Em matéria de luta presa/predador, não se tem muitas oportunidades de aprender – não se pode “treinar” muitas vezes! E a natureza ensina isso aos bichos.

Mas casos esquemáticos assim são mais de cinema.

Bem mais comum é a não identificação do perigo – ou da tentação!

A pessoa está se negando a sentir e a ver aquilo que seu bicho está vendo e sentindo. Ou, se estiver vendo, não pode falar a respeito e, se falar, duvidarão dela! É a criança de 3 anos dizendo que mamãe é uma bruxa ou o garotão de 15 dizendo que seu pai é um carrasco. A ansiedade é um aviso do bicho: para ele as coisas não estão bem e é preciso fazer algo – fugir (afastar-se) ou brigar.

Nós negamos demais nossas reações instintivas e, depois de um tempo, não compreendemos nada do que o animal “diz” – só morremos de medo (de ansiedade) dele! (De nossos impulsos ou pulsões animalescas; humanescas diria melhor).

J.A. Gaiarsa

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