Comportamento

“Melhor 50 anos de prisão do que uma filha lésbica”: mãe faz ameaças à filha por sua orientação sexual

A jovem levou a questão para a mídia e denunciou a família por agressão, chegando a receber doações e conseguindo emancipação financeira para morar sozinha.



Anunciar para a família que a orientação sexual não é a esperada pode acarretar desavenças, brigas, ou, na melhor das hipóteses, aceitação e libertação. Cada indivíduo vai saber a hora certa de falar sobre o assunto com seus pais e familiares, sendo que alguns preferem manter a orientação em segredo. Não existe uma fórmula ideal quando o teor do assunto ainda é considerado tabu na maioria das sociedades.

Na Itália, um caso recente tem chocado a comunidade. Uma jovem de 22 anos contou sua história de rejeição e violência familiar aos jornais locais. Malika Chalhy revelou aos pais que é lésbica e estava apaixonada por outra mulher, mas foi expulsa de casa, sem poder levar nenhum de seus pertences, além de sofrer graves ameaças.

A história não é novidade, muitas pessoas que falam sobre sua orientação sexual acabam expulsas de casa, sofrendo violência física, emocional e até patrimonial, em qualquer parte do mundo. Segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 2015 e 2019, o lesbocídio (assassinato de mulheres em razão de serem lésbicas) aumentou 237%.


Quando foi expulsa, Malika não conseguiu sair nem com roupas extras e, segundo reportagem do Clarín, seus pais chegaram a trocar a fechadura para que ela não voltasse.

Em uma tentativa desesperada, a jovem recorreu à ajuda da polícia, que a escoltou até sua casa para que conseguisse pegar algumas mudas de roupas. Assim que bateu à porta, sua mãe informou às autoridades que não a conhecia.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Malika Chalhy.

Malika sofreu graves ameaças, que chegou a gravar no celular, em uma delas, sua mãe lhe disse para nunca mais voltar, caso contrário seria morta, pois era melhor passar 50 anos presa do que ter uma filha lésbica. Em outra ocasião, a mulher disse que preferia ter uma filha viciada em drogas.


Foram vários os insultos que ouviu, o que a motivou a contar sua história a vários jornais italianos, além de relatar sua situação à promotoria de Florença, que decidiu abrir uma investigação.

Não foi apenas sua mãe quem lhe desferiu graves ameaças, a jovem também recebeu insultos do pai e do irmão, três anos mais velho. Depois que tornou pública sua história, associações de defesa dos direitos humanos e grandes nomes do entretenimento e do esporte foram solidários à jovem.

Em poucos dias, ela conseguiu arrecadar mais de 700 mil reais, dinheiro que internautas doaram para pagar os advogados que estão cuidando do seu caso e arcar com os custos iniciais de morar sozinha.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Malika Chalhy.


Malika explica que não deveria se sentir envergonhada nem anormal, já que ninguém merece sofrer violência física ou emocional por apenas ser quem é. A jovem ainda fala que não devemos enxergar como normal culpabilizar um indivíduo por sua orientação sexual, julgando e apontando-lhe o dedo.

Seu irmão Samir Chalhy disse à imprensa que ela está omitindo parte da verdade e que não mostrou os áudios em que os pais pedem que ela volte para casa, além disso, ele afirmou que poderia hospedá-la na cidade de Alessandria.

O irmão justificou os insultos como ditos em um “momento de raiva” e que ele nunca mais repetiria tal ação.

Samir acredita que a irmã está “expondo” a família porque há dinheiro envolvido e que os pais não mereciam ser denunciados nem passar por um processo.


O caso de Malika aconteceu justamente em um momento em que o projeto de lei Zan, que visa combater a violência e a discriminação por orientação sexual, gênero e identidade, está sendo debatido no país.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Malika Chalhy.

A atual lei italiana, conhecida como Lei de Mancino, de 1993, não penaliza quem comete ou incita atos de violência contra uma pessoa por sua orientação sexual. A punição é apenas por motivos raciais, étnicos, religiosos ou nacionais.

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