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Melodrama ou liberdade – a escolha é sua!

melodrama

Outro dia caminhando com uma colega, ela me contava o quanto seu relacionamento amoroso estava desgastado e que, por conta disso, estava sofrendo muito. Só que para contar o que se passava, usou de toda uma representação novelística, que se eu não a conhecesse poderia jurar que me contava uma sinopse de novela mexicana. Não somente pelo conteúdo, mas principalmente, pela encenação dramática.



Costumo brincar que quem age ou se comporta com este fervor teatral é uma verdadeira ‘Drama Queen’, concorrente ao Oscar ou outro prêmio reconhecido de dramaturgia mundial.

Diferentemente do portador da Síndrome de Hardy (oh dia, oh céus), a ‘drama queen’ é gente como a gente.  Otimista e agradável, com alguns dias de inferno astral. A diferença é a propensão a fazer um charme sem igual no que tange aos acontecimentos de sua própria vida.

Tudo em suas histórias é exacerbado – da dor à alegria. Só falta para completar o quadro teatral  o acompanhamento de uma trilha sonora forte, inesquecível. Ah, se a canção My heart will go on não fosse referência do filme Titanic, poderia, sim, ser da sua vida.


Agora, reconhecer que os outros fazem drama por muito pouco é fácil. Nosso julgamento é instantâneo e inflexível. Vem como  flechada certeira do Robin Hood. Difícil, praticamente impossível, é nos reconhecermos como tanto – nós no papel da ‘drama queen’.

Tenho certeza que quando alguém nos diz algo parecido com isso – de estarmos dramatizando alguma situação, nossa primeira reação  é afirmar:  Jamais! Nunca! Estou sofrendo, você não vê? Isso se não começarmos a chorar ofendidas (cena dois do melodrama).

Tão difícil quanto o reconhecimento pessoal interno é aceitarmos que este é um comportamento desnecessário, para não mencionar destruidor de autoestima, já que representa a urgência em chamar atenção para o nosso sofrer.

O que leva alguém (e a nós mesmas) à necessidade de dramatizar e exagerar o roteiro ao expressar  sentimentos e situações? A tornar viscerais as experiências de vida?


Um sofrimento amoroso será sempre doloroso (o termo já bem o descreve: So-fri-men-to). Por qual razão tornar este relato um teatro choroso e angustiante? Tentar convencer o ouvinte do  desespero ou tentar se convencer internamente? Valorizar o sentimento ou, simplesmente, desqualificar  o sentimento alheio como se a própria dor superasse a das outras pessoas?

Além do que, não somente a vida amorosa pode induzir a dramas. Da receita culinária que não deu certo no dia em que se tenta impressionar quem quer que seja, ao resultado de um jogo de futebol, tudo pode ser motivo. O abrir a porta do guarda-roupa e o infalível “não tenho o que vestir” ao “minha supervisora me olhou enviesado hoje”.

É saudável quando se tem alguém para nos alertar quanto aos dramas desmotivados; as cenas desmedidas; o floreio insano de situações que merecem ser vistas objetivamente. O aviso, todavia, não precisa ser mal-educado ou constrangedor, principalmente se houver mais pessoas ao redor assistindo ao teatro.  Pode-se simplesmente fazer perceber que se respeita a dor e, mais ainda, a pessoa angustiada. Que apesar do sofrimento se sobreviverá, mas – sempre há o mas – que enquanto Drama Queen se está supervalorizando o aspecto negativo da situação, do sofrimento, em detrimento aos positivos: liberdade; saúde; independência; possibilidades;  viagens.

Trabalhar para que os holofotes não mais se direcionem ao drama/sofrimento e sim à pessoa, na protagonista, para que ao final do segundo ato, no momento em que as cortinas se abrirem, haja a certeza de que ela,a protagonista, estará fortalecida para uma próxima apresentação.


Neste instante a música de fundo, será Livre estou! Livre estou!  E ela pronta para os aplausos!

Namastê!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: studiograndouest / 123RF Imagens


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