Comportamento

Menino de 10 anos, que vendia salgados para reformar a própria casa, recebeu R$ 68 mil em doações

Acordando às 3h da manhã, o pequeno menino saía pelas ruas do bairro vendendo salgados na esperança de que o dinheiro contribuísse para arrumar a casa da família.



Existem algumas coisas que fazem parte dos nossos direitos mais básicos. Todos os cidadãos, sem exceção, têm direito à alimentação de qualidade, moradia, saúde, educação e segurança.

Mas infelizmente, as desigualdades sociais impossibilitam a todos seus plenos direitos, e acabam encontrando mais dificuldades ainda em conseguir viver com dignidade.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), qualquer forma de trabalho é proibida para pessoas menores de 13 anos, pois só é permitido a partir dos 14 anos, como aprendiz, e com carteira assinada, a partir dos 16 anos, mas sempre protegendo o jovem de qualquer trabalho insalubre ou no período noturno.


O ECA foi criado em 1990, e foi apenas com ele que o Brasil passou a considerar as crianças e os adolescentes como sujeitos de direitos e garantias fundamentais. Mas sabemos que essa não é a realidade de milhões de crianças e adolescentes, se sentem impelidos a trabalhar antes mesmo da idade mínima.

Esse é o caso de Nicolas, que aos 10 anos viu sua vida mudar completamente quando compartilhou com o Brasil sua realidade. Morador de Paço do Lumiar, no Maranhão, o pequeno acordava às 3 horas da manhã para vender salgados no bairro, montando uma bicicleta.

Ele mesmo assava os salgados que vendia, tudo isso para ajudar a mãe Patrícia da Silva a complementar a renda da família, além de tentar juntar um pouco de dinheiro para conseguir comprar o material de construção para arrumar a casa onde moravam. O policial Max Muller foi quem tomou ciência da situação da criança e soube que ela planejava comprar alguns sacos de cimento com o dinheiro da venda dos salgados.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@nicolaspereira_ma.


O oficial e alguns colegas se organizaram para comprar tudo o que faltava para ajudar Nicolas, sua mãe e duas irmãs, mas sem o pai. A mãe trabalhava como empregada doméstica antes daquela ocasião, mas desenvolveu um grave problema nos pulmões por conta de uma tuberculose gravíssima, e perdeu a capacidade de realizar atividades do cotidiano, o que fez com que o menino e suas irmãs precisassem ajudar no sustento da casa.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@nicolaspereira_ma.

A rotina era pesada, e o menino precisava acordar às 3h para assar os salgados que fazia, com a ajuda da mãe e da irmã Sarah, de 15 anos. Depois ele saía pelas ruas do bairro vendendo para os moradores e transeuntes. Ao retornar, ainda precisava se arrumar para a escola, já que estava no ensino fundamental.

O maior sonho de todos era construir uma casa, já que moravam num imóvel de barro, tão precário, que os buracos no teto deixavam a água passar em dias de chuva, molhando os poucos pertences da família.


O policial decidiu ajudar a finalizar a casa que eles haviam começado a construir ali, naquele mesmo terreno, há três anos, e queria fazer isso o mais rapidamente possível, para que os alimentos e as roupas não fossem se danificados com o calor excessivo e a chuva.

A história do pequeno se tornou tão conhecida, que ele foi convidado para participar do programa Hora do Faro, que ofereceu uma boa quantia em dinheiro para que a família terminasse as obras. Além de toda ajuda e do dinheiro arrecadado, a mãe de Nicolas passou a trabalhar com encomendas de doces e salgados, para que a renda da família não ficasse prejudicada no futuro.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@nicolaspereira_ma.

A casa foi finalizada, Nicolas ganhou a oportunidade de estudar em uma escola particular, e o principal objetivo, tirar o menino das ruas, foi atingido. As crianças, nessa idade, precisam apenas de um ambiente seguro, de lazer, esporte e muito amor, o trabalho, ainda mais em uma rotina tão cansativa, precisa ser deixado o mais distante possível da infância.


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