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Menino de São Paulo se torna bilíngue com apenas 3 anos: “Aprendeu sozinho”, diz mãe

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Roberta conta que sente dificuldades em acompanhar o desenvolvimento do filho, principalmente porque precisa se desdobrar entre o trabalho e a educação infantil.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, no Brasil, de 3,5% a 5% da população seja superdotada ou tenha altas habilidades, dessa forma, o número ficaria em torno de 2 milhões de pessoas em idade escolar, mas isso não se reflete na realidade, apontando que apenas 16 mil crianças receberam o diagnóstico de superdotação no país, segundo o último censo (INEP/MEC), destas, apenas 12 mil são atendidas em suas necessidades.

A Política Nacional de Educação Especial (1994) define altas habilidades ou superdotação como a capacidade de os indivíduos apresentarem “notável desempenho e elevada potencialidade” em qualquer um dos seguintes aspectos: capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para artes e capacidade psicomotora.

Existem testes específicos para fazer desde o primeiro ano de vida de uma criança, capazes de identificar se ela possui ou não altas habilidades ou superdotação. Se você está se perguntando qual a diferença entre os termos, saiba que ambos andam acompanhados e se referem às pessoas com rendimento acima do normal para áreas específicas. Quem apresenta um QI entre 121 e 130 possui inteligência superior ou altas habilidades; e quem tem o QI acima de 130 pode ser chamado de superdotado. Mesmo assim, é preciso haver constância dessas aptidões ao longo dos anos.

Os especialistas ainda destacam que, na maioria das vezes, a “precocidade do aparecimento das habilidades e a resistência dos indivíduos aos obstáculos e frustrações” podem ser importantes marcadores de desenvolvimento de alto rendimento.

Imagine ter em casa um filho com alto rendimento ou superdotação: como confirmar que sua inteligência é acima da média das crianças de sua faixa etária? Onde encontrar acompanhamento adequado para ele se desenvolver e aprimorar seu aprendizado? Com certeza são perguntas pertinentes, e a jornalista Roberta Castro as alimentou por algum tempo, principalmente quando percebeu que o filho Filippo de Castro Morgado, hoje com 4 anos, tinha uma inteligência acima da esperada.

Descobrindo as altas habilidades

Roberta conta que o filho teve um desenvolvimento normal, acompanhando todos os marcadores indicados por pediatras, mas assim que completou 1,6 ano, segundo reportagem do Terra, a mãe percebeu que ele passava um tempo acima do normal se concentrando nas brincadeiras, buscando compreender como funcionavam, só parando depois de finalizá-las.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @filippocastromorgado.

Por ser separada do pai de Filippo, a jornalista conta que, com a pandemia, precisou trabalhar de casa ao mesmo tempo que cuidava do filho. Sem tempo para acompanhar suas evoluções mais de perto, ela começou a perceber que ele se desenvolvia praticamente sozinho: aos 2 anos, já sabia falar perfeitamente, e antes mesmo de completar 3 anos, já estava escrevendo palavras simples, além de conhecer os números até 100.

Mas Roberta não compreendia que as aptidões de Filippo estavam acima da média pois, como não tinha outros filhos, explica que acreditava que aquele desenvolvimento era comum para sua idade. Foi preciso pessoas de seu círculo pessoal alertarem-na, reforçando que ele precisava de acompanhamento educacional adequado, além de identificar propriamente seu nível de seu QI.

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As taxas eram extremamente caras, mas depois que algumas matérias sobre as aptidões de Filippo foram ao ar, no ano passado, algumas pessoas se ofereceram para ajudar. Por meio de uma vaquinha online, eles conseguiram arrecadar R$ 5.730 para custear os testes, que duraram cerca de três meses.

Com QI de 138, extremamente alto para sua idade  — o normal é 80  —, ele tem afinidade com o raciocínio lógico e sua memória está muito acima do nível esperado. Foi justamente essa memória que o ajudou a aprender inglês, língua que a mãe nem sequer dominava. De acordo com ela, muito do que o filho aprendeu foi em desenhos educativos, tanto que ele vai estudar em uma escola bilíngue, assim pode ter seu desenvolvimento atendido da maneira correta.

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A mãe reforça que precisou de auxílio, principalmente porque o esforço que precisa fazer para educar e conduzir uma criança com altas habilidades é muito grande. Agora, frequentando a instituição escolar correta, capaz de ensiná-lo, além de um acompanhamento domiciliar duas vezes na semana, Roberta se sente mais segura com os progressos do filho.

Lei de Diretrizes e Bases (LDB)

Em 2013, o conceito de altas habilidades/superdotação passou a fazer parte da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), legislação que regulamenta o ensino público e privado à luz da Constituição Federal de 1988. A Lei nº 12.796 estabelece que as crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação têm o direito de receber atendimento educacional especializado e gratuito, de preferência na rede regular de ensino.

Dois anos depois, foi promulgada a Lei nº 13.234, tornando obrigação do estado identificar, cadastrar e atender estudantes que se encaixem em alguns dos requisitos acima. Além disso, a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é de, até 2024, matricular todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos com deficiências, transtornos comportamentais ou altas habilidades/superdotação.

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