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Menos síndrome de gabriela e mais metamorfose ambulante, por favor!

“Eu nasci assim, eu cresci assim



Eu sou mesmo assim

Vou ser sempre assim

Gabriela, sempre Gabriela


Quem me batizou, quem me iluminou

Pouco me importou, é assim que eu sou

Gabriela, sempre Gabriela


Eu sou sempre igual, não desejo mal

Amo o natural, etecetera e tal

Gabriela, sempre Gabriela”.

Não, oficialmente não existe uma síndrome com esse nome e eu simplesmente amo as músicas do baiano Dorival Caymmi, autor da canção. Mas o refrão de “Modinha para Gabriela”, tema da novela Gabriela Cravo e Canela, baseada no livro de Jorge Amado, ilustra muito bem as pessoas resistentes às mudanças.

Quem nunca ouviu alguém dizer: “eu sou assim e pronto, se quer, quer; se não quer, tem quem queira. Nasci assim e vou morrer assim”.

Bem, quando nasci ainda não se ouvia falar muito em Internet, pelo menos não nas residências. Um ou outro filme, em preto e branco, mostrava equipamentos gigantescos em alguns bancos, por exemplo. Nasci na década da discoteca, anos setenta e por aqui ainda era o Estado do Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul). Ao final dos anos oitenta, para quem morava na capital, e início dos anos noventa para quem vivia no interior, ouvíamos falar em um tal curso de computação, que chegava ameaçando as escolas de datilografia. Até então era de praxe: todo adolescente, que prezasse seu futuro profissional, aprendia a datilografar. Então, vimos os computadores entrando em cada estabelecimento comercial e em algumas casas, aprendemos a lidar com a máquina e esperávamos ansiosos pelo final de semana para plugar o cabo do telefone no gabinete do computador e ter acesso ao admirável mundo novo da Internet, e tudo de bom que ela trazia. Aprendemos a nos comunicar com quem morava longe, por e-mail, por bate papo, tivemos acesso ao conteúdo de dezenas de bibliotecas, conhecimentos que antes vinham dos livros e agora estavam ali, ao alcance dos dedos. Adaptamo-nos a tudo isso e aprendemos a lidar, aos poucos, com os prós e contras que tudo isso trouxe. Já a geração do meu filho mais velho dominava o computador na adolescência, a geração do meu caçula entendeu como funcionava o mundo virtual ainda na pré-escola, e hoje os bebês de colo já movem os dedinhos pela tela do smartphone e escolhem seus vídeos e jogos favoritos. Nem precisamos ensinar, parece algo nato, pasme! Já nasceram sabendo.

Para minha geração, que precisou estudar para aprender a lidar com a computação, uma coisa ficou clara: conhecimento muda tudo! Não dá mais para ser a mesma criatura depois do conhecimento.

Viver é um constante processo de transformação e aprendizado, evolução e adaptação, baby. Mas então, por que é que ainda tem tanta gente com a tal Síndrome de Gabriela ao nosso redor? “Ahhh…mas o Fulano é turrão, não muda nunca”.

Conheço pessoas que, em seus contínuos relacionamentos, magoam seus parceiros pela maneira agressiva de tratá-los, não se desculpam, não cedem, não voltam atrás em nada. E ainda gritam em alto e bom tom: ”não quer, tem quem queira”, e repetem o mesmo comportamento, o mesmo discurso.

Acredite, você pode interromper qualquer ciclo que não lhe agrada ou não lhe faz bem. Todos nós temos a capacidade de aprender e evoluir enquanto pessoas, seja no meio profissional, seja nos relacionamentos, ou ainda com nós mesmos.

Se olharmos com carinho para questões de nossa saúde, quantos hábitos ruins nós acumulamos ao longo dos anos?

Ano novo, qualidade de vida nova! Deixe o que o prejudica, o que lhe faz mal, e definitivamente abandone aquele hábito que você mesmo diz: “isso está me matando“.

Aprenda a viver sem o que é tóxico para você, busque ajuda. A grande maioria dos municípios conta com serviços gratuitos, grupos de apoio e de tratamento como: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), AA (Alcoólicos Anônimos), NA (Narcóticos Anônimos), CAA (Comedores Compulsivos Anônimos), DASA (Dependentes de Amor e Sexo Anônimos), Amor Exigente (grupo de apoio às famílias de jovens ou adultos dependentes químicos).

Ahhh, já chega de  tanto “eu nasci assim e vou morrer assim”! Reescreva sua história, descubra-se, seja feliz!

E o que realmente vale a pena? Para a minha pessoa, hoje, o que vale é qualidade de vida e como consequência, saúde e bem-estar geral.

Qualquer coisa, leia-se qualquer coisa mesmo, que comprometa minha paz de espírito, não vale meia hora da minha paciência. Simplesmente me afasto, seja de uma pessoa, uma situação de vida, um ambiente ou um lugar. Mais Metamorfose Ambulante!

 “Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião

Formada sobre tudo.

Eu quero dizer

Agora o oposto do que eu disse antes

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião

Formada sobre tudo.”

Não há como ser o mesmo depois do conhecimento. O antigo ensinamento grego “conhece-te a ti mesmo” nos mostra a importância do autoconhecimento. Quando você passa a entender quem você é, aprende a lidar com situações que antes eram quase impossíveis, passa a gostar mais de si e entende que certas ações prejudicam a você ou a quem está ao seu redor. Você se transforma na mudança que antes buscava lá fora.

Claro, e antes que alguém diga algo sobre o mestre Raul: com respeito, não vamos aqui adentrar na luta de vida do Raul Seixas, nem quantos leões ele matou ou quantos o venceram. Ele teve a batalha dele, nós temos a nossa.

Batalha de conhecimento, quebra de paradigmas e eterno aprendizado rumo à evolução. O ano está só começando. Feliz qualidade de vida nova!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / nachosuch

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