7min. de leitura

A mente está cheia de medos infundados, arrastando o passado e projetando-se no futuro.

Mente cheia ou mente vazia? 

“A plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, acumulam-se, exaltam e mesclam-se o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo.” – Domenico de Marsi


Fomos ensinados que é importante estarmos preocupados, cheios de coisas para fazer. Senão, somos cobrados: “Você não se preocupa! Não tira o pé do chão! Você não toma atitudes! Você não toma jeito! Você tem que fazer isso! Tem que aprender aquilo!…” e tantos outros “tem quê”.

Em estado de pré-ocupação, ocupamos a mente com pensamentos irreais ou possíveis acontecimentos que, em 90% dos casos, não se concretizam. E se vierem a acontecer, já teremos desperdiçado nosso discernimento mental.

A mente está cheia de medos infundados, ameaças (ideologia do terror), condicionamentos, possibilidades, arrastando o passado e projetando-se no futuro.

E assim ficamos pré-parados. Antecipadamente parados, aguardando o tempo da ação e da reação a uma série de acontecimentos – se eles acontecerem. E já não temos foco e energia para fazermos o que realmente está ali, iminente, solicitando nossa atenção e atitude.


E por falar em atenção, esta é a principal direção para a qual a filosofia oriental nos aponta. Ela me fez compreender que a atenção é, na verdade, a negação da tensão. Se a pessoa não tem atenção, ela não tem a “negação das tensões”, e assim, envolvida em muitas inquietações, não lhe é possível estabelecer foco, cuidado e interesse. Está absorta em várias preocupações, ruminações mentais, sofrimentos, angústias: tensões.

Precisamos tomar cuidado com certos ensinamentos que internalizamos, tomamos como verdade e transformamos em crenças danificadoras.


Estamos condicionados a aceitar sem contestar o jargão ou ditado que diz “Cabeça vazia é oficina do diabo”, e procuramos encher a mente com inúmeras coisas, ainda que de menos importância.

Bem sabemos que a mente pode estar cheia, mas de conteúdos maliciosos ou mal-intencionados. O oriental, ao contrário, alerta que a mente precisa focar no que é absolutamente necessário no momento. Que é preciso esvaziá-la, serená-la, selecionar o que realmente importa. Que uma mente assim devolve o poder do agora, está aberta à criatividade, aos insights e à expansão. E que esta condição é essencial para estabelecermos o contato com o Sagrado.

Estar atento é, portanto, fazer o que precisa ser feito, consciente e presente ao ato e ação desenvolvida. Isso é ser zen, responder à demanda do momento. Se estiver comendo, coma e saboreie; se consternado, chore; se estiver na batalha, lute; se estiver brincando, divirta-se. Cada coisa a seu tempo. Este estado para o oriental é natural, comum.

Por aqui, a pessoa quando está em família, está com a mente no trabalho, se desempenhando uma atividade espiritual, está pensando no problema financeiro, e assim por diante.

Para o ocidental, conseguir algum grau de tranquilidade é um desafio, sendo necessário aprender, treinar, com persistência e disciplina. Não é fácil nos rendermos à inatividade. Qualquer trégua que percebemos em nossa agenda e, mais incrível, de nossas crianças, tratamos logo de preenchê-la com alguma atividade produtiva.

Muitas vezes, a carga de trabalho fica maior do que podemos suportar, gerando estresse. É importante que a pessoa consiga chegar ao ponto de distribuir sua energia para as várias áreas da vida e fazer as coisas com mais fluidez e leveza. As áreas mais tranquilas como a espiritualidade, o lazer, a família, os hobbies reabastecem a mente e o corpo para a lida com as questões profissionais e financeiras, permitindo maior domínio das situações cotidianas.

Evidentemente, não se pode ter controle absoluto em todos os aspectos da vida, mas podemos exercer domínio cada vez maior sobre nossa atitude mental, pois nossos pensamentos determinam nossos comportamentos. E tomar consciência de que nossos comportamentos e ações influenciam o mundo externo.

Nossa cultura de monopólios e interesses consumista, de alienação e aparência, pode deixar a, qualquer um de nós, vulnerável, nervoso, alheio ou fora de si, sujeito a reações desproporcionais como desajustes nas relações sociais, agressões no trânsito, violência doméstica, até a atos completamente maquinais como esquecer crianças no carro.

Mas há um lenitivo: o que há de bom entre os conhecimentos humanos, o que ajudar a reduzir os riscos e aumentar o conforto dos seres deve ser buscado como ensinamento.

Há 30 anos, ensinamos e praticamos princípios e técnicas que auxiliam inúmeras pessoas que, por iniciativa própria ou por indicação médica, nos procuram apresentando sintomas decorrentes dos excessos da vida cotidiana, do estresse e ansiedade.

Através de técnicas respiratórias específicas, Yoga, terapia corporal e Terapia Corporal Sistêmica, muitas pessoas foram beneficiadas: controlaram a irritabilidade, as preocupações excessivas e as reações temperamentais; reduziram a insônia, tensões musculares e suas consequências – dores de cabeça, dores e rigidez nos ombros e costas, inflamações constantes de garganta; sentiram alívio dos problemas de estômago e dores abdominais e melhoraram a memória, concentração e foco.

Tudo isso, porque a mente leve e a paz interior têm profundo efeito terapêutico em todo o sistema nervoso, reduzem a aceleração cardíaca, ajudam a baixar a pressão arterial e reduzir a produção dos hormônios do estresse, melhorando a saúde e o equilíbrio emocional.

E a pessoa ainda descobre uma forma mais fluídica de levar a vida, atribuindo aos problemas o seu devido valor, às vezes, sua insignificância.

__________

Direitos autorais da imagem de capa: everst / 123RF Imagens





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.