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Mesmo após retirar do ar campanha a favor da redução do consumo de carne, Bradesco é alvo de protesto de pecuaristas

Mesmo apos retirar do ar campanha a favor da reducao do consumo de carne Bradesco e alvo de protesto de pecuaristas
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Agências do Bradesco em cidades do interior de ao menos seis estados foram alvo de protestos de pecuaristas, que fizeram churrascos nas portas dos estabelecimentos, nesta segunda-feira. Os atos ocorrem em resposta à publicação de uma peça publicitária do banco em que influenciadoras digitais falam a favor da redução do consumo de carne.

Os manifestantes criticam o vídeo, publicado pelo Bradesco no final de dezembro e retirado do ar após críticas de pecuaristas e políticos bolsonaristas.

Os protestos foram organizados por pecuaristas com apoio direto ou indireto de entidades e sindicatos ligados à pecuária e tiveram o endosso, também, de parlamentares ligados ao bolsonarismo.

Fotos e vídeos publicados na internet sinalizam que houve atos do tipo em cidades como Cuiabá, Rio Verde (GO), Presidente Prudente (SP), Ribeirão Preto (SP), Araçatuba (SP), Birigui (SP), Uberaba (MG), Araguaína (TO) e Juína (MT).

As manifestações foram batizadas de “Segunda Com Carne”, em contraposição ao “Segunda Sem Carne”, movimento global de ativistas ecologistas que busca incentivar o não consumo de proteína animal às segundas-feiras.

Os atos, que ocorrem em meio à alta da inflação e do preço da carne no país, incluíram a distribuição de espetinhos a pedestres em frente às agências do banco. Em imagens das manifestações publicadas nas redes sociais, é possível ver filas de pessoas para comer carne.

Entenda o caso

Na peça veiculada pelo Bradesco na última semana de dezembro, três irmãs influenciadoras digitais recomendavam a diminuição do consumo de carne bovina para reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa, o que é factualmente correto.

A campanha foi usada na divulgação de um aplicativo em que os clientes do banco podem calcular suas emissões de carbono e supostamente compensá-las.

“A criação de gado contribui para a emissão dos gases do efeito estufa, então que tal a gente reduzir o nosso consumo de carne e escolher um prato vegetariano na segunda-feira?”, recomendava uma das influenciadoras no vídeo.

De fato, bois e vacas emitem metano, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. No Brasil, a estimativa de especialistas é de que 8 milhões de toneladas de metano sejam liberadas por bovinos anualmente, o que representaria 10% do emitido por animais ruminantes em todo o mundo, de acordo com a revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Apesar disso, o material recebeu críticas de entidades ligados ao agronegócio, como a Associação dos Criadores do Mato Grosso (Acrimat) e a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), e de políticos da base aliada do presidente Jair Bolsonaro.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) e o deputado estadual Frederico D’Ávila (PSL-SP) estão entre os que fizeram posts de repúdio ao material.

Banco recua

Após a repercussão negativa, o Bradesco retirou a peça do ar em 23 de dezembro e divulgou no dia 27 uma carta aberta ao agronegócio assinada pelo presidente do banco, Octavio de Lazari.

No texto, o banco se desculpou pela publicação da peça, apesar de o vídeo não apresentar nenhum dado errôneo, e chamou a recomendação de aderir ao Segunda Sem Carne de “posição descabida”.

“Ao longo de seus quase 79 anos de história, o Bradesco sempre apoiou de forma plena o segmento do agronegócio brasileiro (…). Contudo, nos últimos dias, lamentavelmente, vimos uma posição descabida de influenciadores digitais em relação ao consumo de carne bovina, associada à nossa marca. (…) Tal posição não representa a visão desta casa em relação ao consumo de carne bovina”, diz o documento.

A carta diz ainda que “medidas foram imediatamente tomadas, incluindo a remoção do conteúdo do ambiente público e ações administrativas internas severas”, sem especificar que ações tomou.

Questionado pelo GLOBO sobre o tema, o Bradesco não respondeu por que recuou e retirou do ar vídeo que não continha erro factual. Em nota, o banco afirmou que “reitera seu apoio e crença irrestrita ao setor agropecuário”.

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