Comportamento

“Meu chefe via pelo computador o que os funcionários faziam em casa. Era sinistro”

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Os casos têm acontecido no Reino Unido, a tal ponto que o governo se vê obrigado a endurecer algumas regras e proibir o uso de webcams.

O aumento do número de trabalhadores que exercem suas funções na própria casa se deu, principalmente, com o lockdown motivado pela pandemia de covid-19. Desde o início de 2020, muitas empresas criam estratégias para manter o quadro de funcionários, enquanto o mundo enfrenta uma doença que se espalha de maneira rápida, vitimando milhões de pessoas.

O home office acabou suscitando inúmeras questões: os trabalhadores passam a não ter mais limite de carga horária, pois muitos perceberam que passam mais tempo trabalhando do que se cumprissem sua jornada na própria empresa, além de outros problemas, como o desconforto causado pelo aumento no número de reuniões e chamadas de vídeo e a supressão de benefícios, como vale-alimentação e auxílio transporte, pelos empregadores.

Como são problemas atuais, em um contexto forçado, as descobertas acontecem concomitantemente ao trabalho, o que significa que nem sempre as medidas adotadas serão éticas, mostrando a importância da organização dos trabalhadores de todas as categorias em sindicatos ou não para que consigam chegar às melhores e mais saudáveis opções de trabalho.

De acordo com reportagem da BBC, um problema extremamente sério foi detectado no Reino Unido, e começou também com o primeiro lockdown, em 2020. Para ilustrar o cenário, a agência de notícias conta um caso específico do engenheiro Chris (nome fictício) que mandou grande parte de sua equipe trabalhar em casa (home office).

Como trabalhavam com alta tecnologia, a solução encontrada foi conectar os computadores e laptops pessoais dos funcionários às máquinas do escritório, que eram muito mais potentes. Segundo a reportagem, Chris explica que, na época, ninguém se importou muito com as condições de trabalho, até que um dia ele visitou o escritório e viu a tela de cada um de seus colegas à mostra, enquanto eles cumpriam suas jornadas em casa.

Chris explica que um dos gerentes da empresa não estava apenas cuidando dos trabalhos de cada um, mas vendo exatamente o que estavam fazendo, o tempo todo, incluindo ao que assistiam no YouTube, por exemplo. O homem classifica a descoberta como algo “sinistro”, principalmente porque todos eram monitorados não apenas durante o expediente, mas também em outros momentos.

A tecnologia que os chefes de Chris usavam ficava restrita ao ambiente de trabalho antes da pandemia e servia para monitorar as ações dos funcionários, e envolvia desde câmeras que filmavam os empregados em suas baias, até sensores de movimentos e monitoramento de toques no mouse e no teclado.

Desde que a pandemia avançou e os funcionários passaram a trabalhar, em sua maioria, de home office, o sindicato britânico Prospect pede normas regulatórias mais rígidas no uso da tecnologia de monitoramento dos empregados e quer que o governo torne ilegal os empregadores usarem webcams para monitorar os funcionários em home office, a menos que estejam em reuniões ou chamadas online.

Um levantamento do sindicato Prospect indica que 32% dos entrevistados no Reino Unido estão sendo monitorados atualmente por suas empresas, o número mostra os dados de trabalhadores de 18 a 34 anos. Além disso, a proporção de pessoas monitoradas por câmeras em home office mais que dobrou: passou de 5% para 13% desde abril.

O secretário-geral do sindicato, Mike Clancy, explica que todos estão acostumados a ser verificados por chefes durante seus expedientes, mas isso ganha nova dimensão quando essas pessoas estão dentro de suas casas. Ele ainda afirma que novas tecnologias abrem para os empregadores uma constante “janela” para a casa dos funcionários, e que essa tecnologia não é regulada pelo governo.

Segundo a agência encarregada do assunto, Information Comissioner’s Office (ICO), os empregadores devem deixar bem claro para suas equipes que estão sendo monitoradas, seja no escritório ou em casa, antes mesmo de iniciar esse monitoramento. As razões e o que está sendo mapeado também precisam ser explicitados. O ICO ainda acredita que essa forma de atuação é invasiva, podendo até mesmo ser contraproducente.

Chris, do início da nossa reportagem, conta que trocou de emprego logo depois que descobriu que suas atividades estavam sendo monitoradas pela empresa, e concorda com o ICO de que a vigilância excessiva acaba atrapalhando o trabalho dos funcionários. Ele ainda afirma que sua produtividade não caiu quando entrou em home office, mas ficou nervoso quando descobriu o que estava acontecendo.

Para Anna Thomas, diretora do centro de estudos Institute for the Future of Work, o aumento da vigilância está pressionando ainda mais os funcionários, mesmo assim, as empresas usuárias desse tipo de tecnologia argumentam que estão agindo de modo razoável neste momento em que os empregados estão longe dos olhos dos seus supervisores.

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