Comportamento

“Meu coração não aguenta”: avó desabafa sobre morte de neta trans em incêndio, durante cirurgia

Sem Titulo 1 55

O caso aconteceu em clínica de São Paulo. Saiba mais!



Lorena Muniz, uma mulher trans de 25 anos, de Recife (PE), que viajou para São Paulo para colocar silicone nos seios, faleceu no Hospital de Clínicas da capital, no último dia 22, e deixou uma tristeza imensa no coração dos familiares.

Ouvida pelo G1, a tia de Lorena, Rinalda, disse que o sonho da vida da sobrinha era colocar a prótese e que ela só iria se sentir mulher quando o fizesse.

Lorena, que trabalhava como cabeleireira na capital de Pernambuco, vendeu as coisas do salão para ter dinheiro suficiente para colocar a prótese e se manter em São Paulo até quando precisasse.


O irmão de Lorena, Ricardo, disse que a sua transexualidade foi acolhida pelos familiares e que ela sempre ficou com eles, apesar de morar com seu companheiro Washington Barbosa, antes da viagem.

Em agosto de 2020, Lorena foi para a capital paulista e, segundo a família, ela sempre enviava notícias. Em 17 de fevereiro, dia da cirurgia, a jovem enviou a última mensagem para a tia Rinalda, dizendo que falava com ela quando acordasse, o que acabou não acontecendo porque, durante o procedimento, a clínica em que Lorena estava operando sofreu um incêndio.

Segundo Washington, Lorena foi abandonada inconsciente na mesa de cirurgia durante o incêndio.

Nas redes sociais, o companheiro da jovem contou que Lorena estava sedada para a operação de silicone, quando o fogo começou. Washington também contou que Lorena inalou fumaça e ficou inconsciente por sete minutos, até conseguir ser retirada.


Lorena ficou internada em estado grave e não resistiu, falecendo dias depois. A família da jovem tentou ir para São Paulo, ao saber da notícia.

A tia Rinalda acredita que o erro da sobrinha foi “procurar um lugar barato” e acrescentou que várias pessoas aconselharam a jovem a não ir. Segundo ela, é difícil acreditar na perda de Lorena, e espera que consigam levar seu corpo para Recife, para que possam se despedir.

A avó da jovem, Maria José Muniz, disse que seu “coração não aguenta”, referindo-se à perda da neta. Na noite do dia 22, a família de Lorena informou que seus órgãos haviam sido encaminhados para a doação e que não sabiam quando o corpo chegaria a Pernambuco, para o enterro.

O Corpo de Bombeiros de São Paulo emitiu uma nota explicando que “o incêndio se alastrou e a vítima, que estava dentro do local, realizando um procedimento estético, foi socorrida ao hospital”.


O boletim de ocorrência aponta que uma equipe de uma agência de energia elétrica fazia manutenção na rua da clínica, quando aconteceu uma explosão no local, dando início ao fogo. Um inquérito foi aberto para apurar o caso, registrado como incêndio e lesão corporal culposa pela Polícia Civil de São Paulo. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica se manifestou dizendo que está acompanhando o caso.

Daniel Bassani, advogado da clínica, afirmou que todos os documentos do estabelecimento estão em dia e que dois profissionais tentaram retirar Lorena da sala de cirurgia, mas foram orientados a deixá-la no local até a chegada dos bombeiros.

Segundo a prefeitura de São Paulo, a clínica é autorizada a fazer procedimentos cirúrgicos de pequeno porte.

 


Depois de dar à luz em coma na UTI, mãe segura sua filha pela primeira vez

Artigo Anterior

Equipe de Fiuk afirma que ele está sofrendo abstinência de medicação que toma contra depressão

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.