Comportamento

Milton Gonçalves precisou se pintar para conseguir seu primeiro papel no teatro

Foto: Reprodução
Milton Gonçalves precisou se pintar para ter primeiro papel no teatro

O começo da carreira do ator foi cheio de desafios. Entenda!

Milton Gonçalves foi um dos atores mais queridos de sua geração, e sua partida, aos 88 anos, no último dia 30 de maio despertou em muitos lembranças sobre o seu talento e também sobre a sua luta para conseguir alavancar a carreira de ator. 

Uma das curiosidades sobre o seu início como ator, que muitos não sabem, é que ele precisou se pintar para fazer o seu primeiro personagem no teatro. Em uma entrevista ao Notícias da TV em 2018, Milton contou que ele teve a oportunidade de protagonizar um espetáculo de teatro, no papel de um rei, porque o ator principal viva faltando aos ensaios. 

No entanto, como o intérprete anterior era caucasiano, pai de uma menina de olhos azuis, ele apareceu pintado de branco para atuar. 

Milton revelou que sentiu medo quando encarou uma plateia pela primeira vez, mas a experiência foi tão positiva que ele resolveu seguir trabalhando em direção a esse sonho, tendo se radicado no Rio de Janeiro por volta da década de 1960 para buscar por novas oportunidades.

Quando tomou a decisão, ele estava viajando pelo país com uma peça de teatro, e deixou a cidade de São Paulo, onde até então residia. 

Para Milton, que tinha medo até de ser agredido, o teatro virou uma espécie de salvação. Foi lá onde aprendeu muita coisa com gente talentosa, e ele absorveu o máximo que podia, visto que sempre teve muita vontade de aprender.

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Milton Gonçalves na novela Irmãos Coragem – Direitos autorais: Reprodução/ TV Globo

Carreira artística de Milton

Após se tornar experiente no teatro, o ator chamado para integrar o elenco de atores da Globo, bem no começo da emissora. Segundo ele, na época ainda não havia nada inaugurado, e tinha apenas três estúdios e o auditório, que lhe remetiam os estúdios da Universal. Seu primeiro salário foi 500 cruzeiros, e ele se alegrou muito, conforme contou em uma entrevista ao site Memória Globo.

Os seus dois primeiros dois projetos de dramaturgia da Globo foram: a série Rua da Matriz (1965), de Lygia Nunes, Hélio Tys e Moysés Weltman e a novela Rosinha do Sobrado (1965), de Moysés Weltman.

Nos dois anos seguintes, Milton resolveu dar uma chance à comédia e ingressou no humorístico TV0-TV1(1966 e 1969). O programa de paródias é considerado hoje como um dos precursores da TV Pirata (1988). 

Milton é bastante reconhecido enquanto ator, mas também teve trabalhos de sucesso na direção. Ele foi assistente de Daniel Filho em Véu de Noiva (1969-1970), da autora Janete Clair (1925-1983), e também coordenou alguns capítulos da primeira versão de Irmãos Coragem (1970) –na trama, onde também atuava, dando vida ao personagem Brás Canoeiro.

Daniel disse: “Eu vou entregar a novela pra você’. Um belo dia, ele tirou o fone e já foi dando tchau. Eu botei o fone e disse: ‘Olha, o Daniel está indo viajar. Vocês vão me desculpar durante dois dias. Eu vou errar, mas depois vamos acertar’. E assim foi feito”, contou o ator.

Milton Gonçalves também esteve em algumas das produções mais importantes da emissora, como: Vila Sésamo (1972), O Bem-Amado (1973), Pecado Capital (1975), Selva de Pedra (1972), Escrava Isaura (1976), Roque Santeiro (1985), Tenda dos Milagres (1985), As Noivas de Copacabana (1992), Agosto (1993) e em Chiquinha Gonzaga (1999). 

Em Pecado Capital, ele usou seu talento e representatividade para quebrar um grande tabu na dramaturgia brasileira. Com a permissão Janete Clair, Milton deu vida ao renomado psiquiatra Percival, em período em que artistas negros eram limitados funções subalternas. 

Milton disse, ao Notícias da TV, que se incomodava com os julgamentos às pessoas por seu tom de pele.

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