Minha ansiedade me convence de que todo mundo me odeia



Conviver com a ansiedade é um desafio diário, é lutar para viver em paz com minha própria mente e tentar me convencer a cada segundo de que o mundo não está contra mim, de que eu sou suficiente e que posso ser amada como sou.

Preciso treinar minha mente a todo instante para me livrar dos pensamentos limitantes.

Quando eu mando mensagem para algum amigo e ele demora a me responder, minha mente já começa a trabalhar contra mim, e eu começo a fazer suposições que nem sempre são verdadeiras. Começo a acreditar que ele não quer falar comigo, que está me evitando, porque eu sou irritante, e que não gosta de mim de verdade, apenas me suporta por educação.

Mesmo quando a pessoa responde relativamente rápido, eu ainda fico presa em alguns detalhes da mensagem, tentando entender que sinais ela pode me transmitir.

Se me respondem com mensagens pequenas, parece-me que respondem com má vontade, e que eu nem deveria insistir em falar com essa pessoa.

Se a mensagem é grande, já imagino que a pessoa tenta me enganar ou manipular de alguma forma.

Nem nas minhas amizades mais antigas eu me sinto realmente segura. Meu emocional pede a todo momento garantias de que sou amada, querida e validade pelas pessoas ao meu redor, e quando isso não acontece, eu enfrento uma crise existencial profunda, e sempre me vejo como a causa de todos os problemas, a responsável pelo fim das amizades.

Minha ansiedade realmente torna minha vida muito mais difícil do que precisa ser.

Quando alguém recusa um convite feito por mim, mesmo que pelo motivo mais justificável possível, eu ainda duvido e mantenho a crença de que a pessoa está me evitando e que não quer passar tempo comigo.

A minha ansiedade me faz duvidar de que existem pessoas que me amam e querem o meu bem. Muitas vezes eu sinto que todos estão contra mim. Nesse cenário, é muito difícil sentir otimismo, eu vivo convencida de que tudo que pode dar errado, dará errado comigo. É como se eu fosse a prova viva de que a Lei de Murphy é realmente verdadeira.

Tento ser positiva, mas é muito difícil quando tudo o que vem em minha mente são as experiências negativas que eu já vivi.

E assim eu luto comigo mesma, dia após dia, para seguir em frente com o pouco de motivação que ainda sinto.



Eu não me dou muito bem nem comigo mesma, e nos relacionamentos sociais é tudo ainda mais difícil. Não sei me comunicar direito com as pessoas, ou me excluo totalmente, ou acabo exagerando na urgência de me sentir aceita.

Eu tenho grandes dificuldades de me comportar como as outras pessoas. O que será que há de errado comigo?

Minha dificuldade de manter até mesmo uma conversa casual com uma pessoa em uma fila me convence de que sou um total fracasso e de que as outras pessoas realmente me detestam ou que fazem piada de mim quando não estou por perto.

Minha ansiedade é o motivo pelo qual eu não consigo me relacionar romanticamente com outra pessoa sem trazer muitos problemas para a minha vida. Tenho dificuldade em acreditar que outra pessoa possa realmente se interessar por mim e querer construir uma vida ao meu lado. Para mim, a outra pessoa sempre é apenas legal e empática, e isso me impede de demonstrar um interesse recíproco.

Ainda que a pessoa se mostre realmente dedicada e interessada, eu não vou acreditar e vou acabar afastando-a. Saboto a minha própria felicidade de maneiras inimagináveis e por isso me encontro sempre sozinha.

Conviver tão intimamente com a ansiedade me consome de dentro para fora, faz com que eu duvide de mim mesma e, consequentemente, de todo mundo que convive comigo.

Ao não acreditar em minha beleza, inteligência ou dedicação, eu também não acredito nas pessoas que me elogiam por esses atributos.

Minha ansiedade é o meu maior desafio, o maior obstáculo em direção a uma vida feliz e segura. Apesar de ter o apoio que preciso para seguir em frente, não consigo enxergar o meu valor. Tudo o que vejo são imperfeições e decepções.

Minha ansiedade me convence de que todo mundo me odeia, e essa é uma batalha que eu tenho que travar todo dia comigo mesma, para continuar em frente sempre.


Direitos autorais da imagem de capa: VOGUE






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