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Minha caixinha mágica chamada ‘’passado’’…

Onde você guarda as suas recordações? Na memória? Ok, perfeito. Mas em que local da sua casa elas estão? Em uma caixinha de papel junto de cartinhas e presentes? Em um mural que enfeita a sala de estar? Ou, sei lá, no seu computador? Não importa onde elas estejam, mas elas existem, certo?



Hoje eu quero falar sobre as memórias e as formas como a gente lida com elas. Não as memórias que estão guardadas na nossa retina, mas as que a gente eternizou em forma de fotografia, e que nos levam a detalhes tão mínimos que sem as imagens seria impossível lembrá-los. O casamento do melhor amigo, aquela festa de 15 anos da irmã, o ex-namorado passeando com seu cachorro, aqueles primos na casa de praia, e tantos outros momentos que não voltam mais.

As minhas imagens são divididas em: expostas, guardadas e as que coloco em uma caixa dentro do armário. As expostas ficam pela minha casa, em molduras coloridas ou no meu mural. As guardadas vivem nas gavetas e vez ou outra são lembradas e imortalizadas com carinho. As perdidas estão sem lugar definido, podem estar em alguma mala com as roupas da outra estação. Ah, e também tem essas da caixa, quase escondidas, mas estão ali para quando for preciso algo que eu chamo de transformação.

MINHA CAIXINHA MAGICA - FOTO DE CAPA E FOTO 02


Eu sempre tive curiosidade de saber o que as pessoas fazem com as fotos que não servem mais. As roupas, a gente doa para quem precisa, os alimentos vencidos são jogados no lixo, mas, e as fotos? Um simples DEL apaga essas imagens ou é preciso queimá-las no quintal de casa? Eu já fui do tipo que rasgava fotos quando era adolescente, acho que era uma forma de exorcizar. Bobagem! A foto vai embora, mas a lembrança fica. É mais fácil a gente mudar a forma de ver as imagens do que jogá-las no lixo como se nunca tivessem tido importância alguma.

Ei, elas tiveram! Se estão fotografadas é porque foram importantes em algum momento especial das nossas vidas. Não serve mais? Ok, tudo bem, elas se despedem do rack da tevê e vão direto para a caixa das recordações. Dias destes, uma amiga disse que recolheu todas as fotos do ex-namorado e jogou na churrasqueira. Queimou tudo, absolutamente tudo. E eu disse a ela que se isso diminuiu a dor da perda e da saudade, que tudo bem. Afinal, cada um tem seu jeitinho de deixar sentir ou de deixar de sentir. Não é que dois dias depois ela veio reclamar de uma foto que ele postou no Facebook com a namorada nova?

De que adianta tacar fogo nas suas fotos se você corre para o Facebook para se matar mais um pouquinho? Precisamos aprender uma coisa muito importante (e eu me incluo nessa necessidade): os momentos passam, mas as memórias ficam. Ou a gente muda a forma como lembramos das coisas ou elas vão nos machucar o tempo todo. É difícil? É claro que é! Mas não é impossível. E só o fato de não ser impossível já faz valer a pena tentar.

Até conversei com uma amiga fotógrafa sobre isso; afinal, quem melhor para falar sobre o assunto do que quem cuida das memórias dos outros com tanto carinho? E ela trouxe algo muito interessante: a validade das memórias. E me disse: “Ju, quando a gente compra um alimento qualquer, temos impresso no produto a data exata de até quando podemos consumi-los sem prejuízo a nossa saúde. Porém, não temos isso marcado nas fotografias; pois a gente decide a importância que elas têm e até quando deve ser assim”.


É isso! É isso!

Eu também fiz uma pesquisa no Facebook para ver de que forma as pessoas lidam com esses sentimentos. Há quem engavete. Há quem rasgue. Há os que amarguram anos e anos e tem aqueles que fazem exatamente o que eu estou aprendendo a fazer: transformam a fotografia no que realmente ela é: uma recordação de algo que foi bom, mas que passou.

Aliás, se é recordação, é passado. Correto? E se é passado, não deve ter interferência no presente. Então, ficamos combinados assim: o que passou, passou. Se foi bom, guardo no fundo do coração e aceito o fato de que cumpriu o seu ciclo. Agradeço a experiência e aprendo com ela.

Compre a sua caixa e coloque ali todas as fotos que ainda lhe causam dor ou incômodo. Pegue uma a uma, fale para si mesmo que elas não têm poder sobre você e por isso elas ficarão ali. Avise que você não vai gastar energia queimando lembranças, mas que você vai refazê-las quantas vezes for preciso. Dê um nome a sua caixa, isso também é importante. A minha se chama exatamente o que ela é: passado.


Agora, o mais importante de tudo: eu só quero aquilo que me arrepia! Aquilo que me tem inteira, que se doa inteiro de volta para mim. São essas as minhas memórias, são essas imagens que estampam minha casa inteira, me lembrando todos os dias de como eu sou amada e de como “é bom estar vivo”, como bem tatuou uma amiga querida.

Ah, se vocês quiserem conhecer um pouquinho mais do trabalho dessa amiga fotógrafa podem curtir Roberto Valle Ane Mosele.

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