Reflexão

Minha mãe pode ter esquecido meu nome, mas ela sempre conhecerá minha alma

Capa Minha mae pode ter esquecido meu nome mas ela sempre conhecera minha alma

Mesmo que o Alzheimer nos apague da memória de quem amamos, nada pode apagar o bem que fazemos para uma pessoa.

Quando Lauren Dykovitz percebeu que sua mãe não se lembrava mais quem ela era, a dor que tomou conta dela foi intensa. O mal de Alzheimer havia avançado de tal forma, que as lembranças de Lauren, a própria filha, foram apagadas da mente da senhora. E mesmo que Lauren já estivesse há algum tempo lidando com os efeitos da doença na mente de sua mãe, o dia em que ela simplesmente não a reconheceu foi marcado pela tristeza.

Lauren é apenas uma das milhares de pessoas que lidam com entes queridos acometidos pelo mal de Alzheimer. Há quem diga que essa doença é uma das que mais impactam quem convive com a pessoa acometida por ela, pois muitas vezes é preciso tentar cuidar de uma pessoa que não se lembra onde está, quem é nem quem tenta lhe prestar assistência, quer seja seu parceiro de toda a vida, um amigo, membro da família, como neste caso, a própria filha.

O Alzheimer descaracteriza o sujeito que sofre com essa doença por se tratar de um mal neurodegenerativo que não tem cura definitiva ainda; os tratamentos disponíveis visam dar melhor condição de vida para quem tem a doença e melhorar suas questões cognitivas, as principais atingidas pela doença.

A consequência mais conhecida do mal de Alzheimer é o esquecimento que o paciente apresenta, intensificando-se com o passar do tempo, caso o tratamento não seja feito da maneira correta ou se o estado da doença estiver muito avançado. Infelizmente, por mais que todas as recomendações médicas sejam seguidas à risca, a doença pode avançar e deteriorar a mente do paciente, pois alguns aspectos do Alzheimer ainda são uma incógnita para a medicina. Mesmo com essa perspectiva, é importante ressaltar que o melhor caminho continua sendo manter os cuidados recomendados pelos médicos.

No Brasil, cerca de 100 mil novos casos da doença são diagnosticados por ano. Em todo o mundo, o número chega a 55 milhões, com 10 milhões de novos casos por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo estimativas da Alzheimer’s Disease International, o número de indivíduos acometidos pela doença pode chegar a 74,7 milhões em 2030 e 131,5 milhões em 2050 em virtude do envelhecimento da população, uma vez que a doença é mais suscetível a partir dos 65 anos de idade.

E ao lado de cada uma dessas pessoas, existe ao menos uma que sofre toda vez que percebe que mais uma memória se foi. É difícil cuidar de alguém passando pelos estágios da doença, por isso é comum algumas famílias mandarem pessoas com Alzheimer para casas de repouso, para que recebam o cuidado específico e constante de que precisam.

Nesse processo doloroso de ver a mãe se esquecer dela, Lauren não esperava que conseguiria tirar alguma lição daquele momento tão difícil, mas com o tempo, conseguiu encarar a situação de outra forma. A mulher refletiu que, mesmo que sua mãe não a reconhecesse, a forte conexão entre elas se mantinha.

A mãe podia não se referir a ela mais pelo seu nome, mas sentia sua presença, e mesmo sem saber quem Lauren era, permitia sua presença, pois quem quer que aquela jovem fosse, a senhora sabia que era alguém que a queria bem.

Lauren reconheceu que embora sua mãe tivesse esquecido seu nome, ela sempre conheceria sua alma. As lembranças da mulher se foram, mas algo em seu coração reconheceria sempre a filha.

A história das duas é uma que demonstra a força de um vínculo, que embora não vença o Alzheimer, garante à pessoa doente receba todo o amor que precisa, mesmo que não reconheça a pessoa que cuida dela.

Se você lida com algum ente querido com Alzheimer, está tudo bem sofrer ao ver os impactos da doença nele. Mas saiba que, mesmo que as lembranças sejam levadas embora, nada apaga o que vocês viveram juntos. E mesmo que a pessoa não se lembre do seu nome, nem reconheça seu rosto, o coração dela será sempre grato pelo bem que lhe fazem.

Cuidar de alguém com Alzheimer é mais do que uma luta difícil, é uma das maiores provas de amor que existem.

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