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Mortes de não vacinados dão “frustração e tristeza”, diz diretor de hospital no RJ

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O Brasil tem menos de 70% de sua população totalmente vacinada até o momento, entre ela crianças que aguardam o esquema de vacinação atingir sua idade.

A covid-19 ainda faz vítimas no mundo inteiro, mas desde que a imunização começou a ser aplicada de forma massiva, a diversidade de pessoas internadas mudou. Na cerimônia de recebimento da primeira remessa de doses pediátricas da Pfizer, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a maioria dos pacientes ocupando leitos de UTI atualmente no Brasil são aqueles que não completaram o esquema de vacinação ou os que escolheram não se vacinar.

Com a variante Ômicron, com taxa de transmissão mais alta que as anteriores, circulando pelo país, especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertam para a quantidade de pessoas ainda sem nenhuma dose da vacina. Na Europa, segundo reportagem da BBC, a “pandemia dos não vacinados” tem preocupado as autoridades, que reforçam a importância coletiva de tomar os imunizantes.

Os pesquisadores, segundo dados do Observatório da Covid-19, destacam que a maioria das pessoas que estão sendo internadas são aquelas que não tomaram a vacina contra o vírus, uma tendência que já tem se comprovado em vários países do mundo. Segundo reportagem do UOL, o médico Roberto Rangel afirma que muitos dos internados no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, que se recusaram a tomar o imunizante, arrependem-se.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Saúde Municipal estima que cerca de 90% dos internados ainda não terminaram de completar o esquema vacinal, e 38% não tomaram nenhuma dose. Para o médico, a sensação de tristeza e frustração em ver vidas sendo ceifadas ou pessoas em estado grave, que poderiam simplesmente não passar por isso, caso tivessem se vacinado, é constante.

O Hospital Ronaldo Gazolla é referência nacional no tratamento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, contando com mais de 3 mil funcionários da área da saúde em fases críticas. São 400 leitos destinados apenas para esses pacientes, destes 205 são de UTI. Antes da alta nos casos por conta das festas de fim de ano, Rangel e sua equipe chegaram a acreditar que não veriam mais o hospital cheio, como antes da vacinação, mas infelizmente os casos voltaram com força.

O médico explica que as pessoas que não se vacinaram, assim que chegam ao hospital, mostram-se arrependidas da decisão, mesmo assim, ele e outros profissionais da saúde se sentem frustrados, já que estão há tanto tempo lidando com a doença e acreditavam que a população optaria por tomar o imunizante.

Para aqueles que escolheram não se vacinar, a doença costuma se manifestar de forma mais grave, já que no organismo não há os anticorpos provocados pelas doses. Inclusive, os pacientes acreditam que, depois que contraem a doença, que se manifesta de maneira grave, podem tomar a vacina para “melhorar instantaneamente”, mas não é assim que funciona.

Mesmo quando os familiares optam por não falar a situação vacinal dos pacientes admitidos no hospital, o médico conta que é possível descobrir de maneira bem simples, basta cruzar os dados com os do Ministério da Saúde. O arrependimento chega para todos que ficam doentes, mudando de ideia a respeito da vacinação, como aponta o profissional.

Como velocidade de contágio da nova variante superior à disseminada em meses anteriores, o médico aposta que a lotação vai atingir sua capacidade máxima, mas não apenas nesse hospital do Rio de Janeiro, na maioria dos outros do país. Conseguir completar o calendário vacinal ou tomar as primeiras doses do imunizante é a chave para reduzir substancialmente as chances de desenvolver a forma mais grave da doença.

Motivos para a nova variante ser mais transmissível

De acordo com especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Ômicron tem alta taxa de transmissão por algumas razões, entre elas: as mutações da variante fazem com que o vírus se fixe nas células humanas mais rapidamente; todos os pacientes podem se reinfectar, mesmo que sejam vacinados ou tenham contraído a doença recentemente; o vírus se prolifera na parte superior do trato respiratório.

O médico, demais especialistas e autoridades da área da saúde orientam à população a se imunizar com todas as doses disponíveis para sua faixa etária, que mantenha distanciamento social, não se aglomere, use boas máscaras do tipo PFF2 ou N95 e reforce os hábitos de higiene.

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